O pequeno “coelhinho” ensolarado dançava na capa do álbum de casamento que eu tinha acabado de buscar na gráfica. “Maxim e Alena” — as letras prateadas em relevo acariciavam a polpa do meu dedo. Um mês.
Exatamente daqui a trinta dias, este álbum estará cheio de sorrisos, lágrimas, vestidos brancos e primeiras danças. Eu já imaginava como, com o Max, grisalhos e rindo, o folhearíamos em longas noites de inverno.
Esse pensamento me aquecia como aquele raio de sol no veludo.
A chave do meu apartamento — do meu apartamento! — sempre emperrava na fechadura. O velho “carneirinho” de confiança, com o qual o apartamento e eu já estávamos acostumados há muito tempo. Bati nela, depois puxei a porta para mim, ajudando — um truque antigo.
O clique não foi o que eu esperava. Seco, curto, metálico. Totalmente novo. Coloquei a chave novamente, girei. Nada. Silêncio. Apenas o coração martelando nas minhas têmporas, de repente acelerado.
“Talvez o Max queira fazer uma surpresa”, — passou pela minha cabeça um pensamento idiota.
— “Ele trocou a fechadura por segurança.” Mas o Max estava em viagem de trabalho, o avião dele só pousaria dali a três horas. Liguei para ele, mas caiu na caixa postal. Liguei para a minha sogra.
A voz de Irina Petrovna era doce, aveludada, como sempre quando estava planejando algo.
— Alô, Alenazinha, meu raio de sol!
— Irina Petrovna, a senhora sabe por que tem uma fechadura nova no meu apartamento?
O mel congelou por um instante.
— Oh, querida, eu ia te contar! Eu e o Max decidimos que a antiga já estava completamente ruim.
Era uma falha de segurança! E se algo acontecesse? Afinal, logo meu neto ou neta vai estar correndo por aqui — ela riu com uma risada leve e cristalina.
— Mas… a chave? Eu não tenho.
— Claro que eu vou te dar! Tudo fica na família. Só é preciso entender que família é responsabilidade.
Não é simplesmente pegar a chave e sair por aí. Você agora faz parte da nossa família. Precisa entender isso. Se “merecer”, vai receber as chaves.
A última frase soou tão natural, tão doméstica, como se não se tratasse da chave do meu espaço pessoal — comprado com o meu dinheiro, minhas noites de trabalho e meus projetos — mas de permissão para sair de casa.
— O que significa “merecer”? — minha voz falhou.
— Ah, Alenazinha, não faça tempestade em copo d’água. Toda mulher passa por isso. Você precisa mostrar que é uma boa esposa, guardiã do lar. O Max tem as expectativas dele.
E eu, como mãe, só estou ajudando. A chave está comigo. Venha no domingo para um jantar em família, vamos praticar sua famosa torta que o Max tanto gosta. Depois veremos.
Ela desligou. Eu fiquei parada no corredor do prédio, com a mão pressionada contra a porta de metal frio. A minha porta. Lá dentro, no sofá, estava o meu gato Marsik, esperando comida. Lá estava o meu vestido comprado para o chá de despedida de solteira.
Lá estavam, na mesa, os meus projetos recentes. Lá estava a minha vida. E agora alguém precisava “merecê-la”.
A primeira reação foi raiva. Raiva branca, gritando, vontade de bater na porta, arrombá-la, chamar a polícia. Mas depois veio um frio de pavor. E o Max? Ele sabia disso? Concordou?
Quando consegui falar com ele, havia confusão genuína na sua voz.
— O quê? Minha mãe trocou a fechadura? Sem mim? Alena, estou em choque. Ela deve ter exagerado, quer o nosso bem. Não se preocupe, eu resolvo.
— “Resolver” é me devolver a minha chave AGORA, Maxim! Isso não é o apartamento dela!
— Claro, claro. Eu falo com ela. Mas não vamos fazer escândalo, tá? Você sabe como ela é. Pode piorar a pressão dela.
A conversa durou meia hora. O Max falava de amor, de família, de “não balançar o barco” antes do casamento. Ele prometia que “iria resolver tudo”. Mas na voz dele não havia firmeza. Só uma obediência cansada.
Uma hora depois ele chegou. Trouxe apenas uma chave. O resto ficou com ela. Veio como sempre: com sorriso e sermão.
— Oh, Alenazinha, poeira na TV. Uma boa dona de casa não deixa isso.
— Você chega tarde? O Max está preocupado. A esposa deve cuidar do lar, não ficar perambulando.
— Esse sofá… eu vi um maravilhoso estilo barroco para vocês. Este precisa ser jogado fora.
Ela chamou o Marsik de “portador de sujeira” e insinuou que “não há lugar para animais onde haverá uma criança”. Meus projetos foram guardados. “Você vai cuidar dos filhos, querida, vai esquecer esses desenhos.”
O Max ficou em silêncio. Só disse: “Temos que ter paciência, ela vai embora logo.”
O vestido de noiva era “demasiado ousado”. A lista de convidados “demasiado artística”. O restaurante “suspeito”.
O ápice foi o jantar em família.
— Vamos pagar a entrada de um novo apartamento para vocês — disse a sogra. — Esse apartamento pequeno… ficará no nome do Max. E você cuida dele.
— E o meu apartamento? — perguntei.
— Será uma decisão da família.
Max não olhou para mim.
Foi aí que algo se quebrou dentro de mim.
— Eu não vou vender o meu apartamento.
Silêncio.
— Maxim, diga a ela! — disse a mãe.
— Mãe, deixa isso…
— Não. Decide agora.
Ele não escolheu a mim.
— Não vai haver casamento.
Eu saí.
No dia seguinte, não consegui entrar no meu apartamento. Veio um chaveiro. E então a sogra apareceu.
— Invasão! Este é o apartamento do meu filho!
— Não. Este é o meu apartamento.
O chaveiro abriu a porta. Ela entrou gritando, depois avançou contra mim. Eu puxei a mala da mão dela e ela caiu.
O Max entrou.
— O que você fez com a minha mãe?!
Não veio até mim. Foi até ela.
— Saiam — eu disse.
Eles foram embora. Depois ouvi gritos na escada. Em seguida, um barulho. A sirene da ambulância.
Eu não saí. Fiquei na janela.
O álbum de casamento estava na mesa. Eu o abri. Páginas vazias. Fechei. Joguei fora.
O meu gato se esfregou em mim. Eu o peguei no colo.
Atrás da porta estava a minha vida.
E, pela primeira vez, ela era realmente minha.







