Aceitei um jantar com um homem de 50 anos tudo estava perfeito até ele falar em três vezes por noite 😨🍷

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Entrei num convite para jantar de um homem de 50 anos: tudo estava perfeito… até ele começar a falar sobre “três vezes por noite”.

Já muito antes de ele dizer essa frase, eu senti que algo não estava bem.

Não, no início tudo parecia completamente normal. Talvez até normal demais.

Eu tenho 49 anos, ele 50. Conhecemo-nos através de amigos em comum — nada de cinematográfico, nada de destino. Um encontro simples, comum. Eu estava de casaco, com o meu velho cachecol que já devia ter deitado fora há muito tempo, mas que de alguma forma ainda era “útil”.

Ele usava um casaco escuro e bem cuidado, e tinha um cheiro discreto, amadeirado — nada agressivo, mais confiante.

E logo nos primeiros minutos começou a falar.

— Sabes… eu era uma pessoa completamente diferente — disse ele, inclinando-se ligeiramente na minha direção, como se fosse partilhar um segredo.

Naquele momento pensei: “lá vamos nós”.

Mas apenas sorri.

Os primeiros encontros foram… tranquilos. Café, caminhadas, longas conversas. Ele não tinha pressa, não pressionava, não forçava nada. Tudo parecia bem. Em teoria.

Mas ele voltava sempre a uma versão antiga de si mesmo.

— Antigamente eu passava a noite toda a sair, depois ia trabalhar e ainda encontrava mulheres… tinha uma energia que me tornava imparável — disse ele, mexendo o café.

Eu acenei com a cabeça. Ouvi. E percebi que ele não estava a falar comigo — estava a falar consigo próprio.

— Agora, claro, é diferente… — acrescentou. — Mas mais profundo. Agora eu “sinto”.

Esse “mas agora” aparecia com demasiada frequência.

Eu não procurava perfeição. Nem um herói. Nem recordes. Apenas uma pessoa viva, que não estivesse constantemente a ser avaliada pelo seu passado.

Mas fiquei curiosa. Dei tempo.

Depois ele convidou-me para jantar.

— Vem na sexta-feira — disse. — Eu cozinho. Vamos ter uma noite de adultos.

Sorri. “Noite de adultos” — o que isso quer dizer? Seriedade? Intimidade? Ou controlo?

Mesmo assim, fui.

O apartamento dele era quente. Não só fisicamente. Luz suave, lâmpadas amarelas, cortinas pesadas, uma mesa de madeira antiga. Da cozinha vinha o cheiro de tomate e queijo derretido — estava a fazer lasanha.

— Esforcei-me — disse ele, um pouco envergonhado.

E naquele momento tornou-se mais simpático do que todos os seus grandes discursos juntos.

Sentámo-nos. Vinho, comida, conversa. Tudo bem.

Até ele começar outra vez.

— Vou ser honesto contigo — disse, recostando-se na cadeira — eu costumava impressionar qualquer mulher.

Acrescentou rapidamente:

— No bom sentido.

— Espero bem — disse eu com um leve sorriso.

Ele riu, mas o riso era tenso.

— Só que… já não tenho essa idade. Mas compenso isso. Entendes? Não em quantidade, mas em qualidade.

Algo dentro de mim apertou.

Não por causa das palavras. Mas porque soava como se estivesse já a defender-se num tribunal invisível.

Como se precisasse de provar algo.

Depois do jantar pôs música — vinil antigo, ligeiramente estalado, sons quentes e nostálgicos. Ficámos junto à janela. Ele abraçou-me.

— Gosto de ti — disse baixinho.

E isso… foi sincero. Por um momento, foi real.

Por um instante, quase pensei que eu estava errada.

Mas só por um instante.

Porque depois tudo voltou a ser uma espécie de “performance”.

Cada toque tinha a pergunta: “sou suficiente?” Cada gesto era autoavaliação.

E não era que fosse imperfeito.

Era que não era leve.

Demasiada expectativa. Demasiada tensão interna. Demasiada necessidade de provar algo.

E eu não o sentia.

Só sentia o esforço.

Como se alguém não estivesse na sala comigo — mas a observar-se num espelho.

Mais tarde ele levantou-se, vestiu um robe e foi para a cozinha.

Eu fiquei deitada na cama, a olhar para o teto. Ouvia o leve tilintar dos copos.

Ele voltou com mais um copo de vinho.

— Então… não te desiludi? — perguntou, sentando-se ao meu lado.

Essa pergunta foi a rutura.

Não porque a noite tivesse sido má.

Mas porque ele ainda estava a “ser avaliado”.

— Está tudo bem — disse eu.

Ele acenou, mas não acreditou.

— Antigamente, claro… — começou de novo.

— Igor — interrompi baixinho.

Ele parou.

— Sem “antigamente”.

Olhou para mim, confuso, como se de repente não entendesse o mundo.

— Como assim?

— Assim: também existe o agora. Também existe vida agora.

Silêncio.

Ele não discutiu. Não respondeu.

Apenas acenou.

E naquele momento percebi que não estávamos na mesma realidade.

Deitou-se, virou-se de costas e adormeceu em dez minutos.

Exatamente dez minutos.

Nem sequer me abraçou.

Fiquei ali deitada a ouvir a respiração dele.

Não a pensar que a noite tinha sido má.

Mas como é estranho quando alguém vive tanto no passado que o presente se torna apenas cenário.

De manhã estava fresco, cheio de energia.

Fez café, beijou-me na testa.

— Há muito tempo que não dormia tão bem — disse, sorrindo.

— Então, repetimos? — piscou o olho.

E nesse momento soube com total clareza: não quero.

Não porque ele fosse uma má pessoa.

Mas porque, com ele, eu não era participante.

Apenas espectadora.

— Logo vemos — respondi.

Ele acenou, como se tivesse compreendido tudo.

Mas na verdade não compreendeu.

Mais tarde escreveu. Mensagens cuidadosas. Educadas.

Eu respondi da mesma forma.

Mas nunca mais nos encontrámos.

E o mais estranho de tudo?

Nem sequer consigo dizer exatamente o que estava errado.

Tudo estava “bem”.

E mesmo assim… não estava vivo.

Como se não tivesse jantado com uma pessoa, mas com a história que ele queria acreditar sobre si próprio.

E talvez essa seja a conclusão mais verdadeira.

Não preciso de um herói.

Preciso de um ser humano.

E ele ainda tentava provar que um dia tinha sido uma lenda.

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