Oleg com toda a força jogou a pesada sacola de compras sobre a mesa.
O papel não suportou o peso e se rasgou ao longo da costura. Maçãs se espalharam pela mesa, e uma garrafa de água quase caiu no chão. Uma maçã acabou caindo mesmo assim e rolou para debaixo da geladeira.
Kszénia nem se mexeu. Continuou cortando a carne em tiras finas.
Na frigideira algo chiava, e o cheiro de alho e especiarias tomava conta da cozinha. Do lado de fora das janelas do apartamento no décimo sexto andar, o vento cortante assobiava, uma tempestade de neve rugia. O frio tentava invadir o lar quente.
O homem jogou o casaco molhado e coberto de neve sobre uma cadeira. Um cheiro úmido e de mofo se espalhou imediatamente.
— A partir de hoje vamos separar as contas! — gritou Oleg, apoiando as mãos na mesa. — Chega! Acabou!
Kszénia largou a faca, enxugou as mãos e olhou para ele com calma.
— E isso agora, do nada? — perguntou tranquilamente.
— Eu cansei de carregar tudo sozinho! — Oleg puxou do bolso um recibo amassado e o sacudiu nervosamente. — Eu vi os gastos.
De novo loja cara? Aspargos no inverno?! Para quê isso? Eu me mato de trabalhar o dia inteiro e você fica em casa no computador gastando o meu dinheiro!
— Oleg, nós tínhamos um acordo. A comida era comigo, e você pagava até eu terminar o meu projeto…
— Esquece! — interrompeu ele. — Não temos filhos, somos adultos. Agora cada um por si. Você paga sua comida, você coloca gasolina, metade das contas é sua. Eu não vou mais financiar seus luxos!
Kszénia analisou o marido. Havia tanto desejo de controle no olhar dele que, por um momento, ela sentiu a tensão no ar. Ela entendeu: não era sobre aspargos. Era sobre poder.
— Tudo bem — disse ela por fim, recolhendo as maçãs. — Como quiser. Mas então vai ser realmente separado. Sem exceções.
— Isso mesmo! — bufou Oleg. — Quero ver até quando você vai sobreviver com sua renda extra.
Na manhã de quarta-feira, o frio era intenso. Oleg, por hábito, entrou no banheiro e abriu a torneira. Em vez de água quente, saiu apenas morna. Ele resmungou, tomou um banho rápido e saiu para o corredor. O chão estava gelado.
Kszénia estava sentada à mesa com um suéter grosso. Diante dela, o laptop aberto e um café fumegante.
— Por que o chão está tão frio? E a água mal esquenta! — reclamou Oleg, abrindo a geladeira. De lá também vinha um ar gelado.
— Eu desliguei o aquecimento do seu lado da casa — respondeu ela sem levantar os olhos. — E coloquei o boiler no modo econômico. Ontem você reclamou dos custos. Para uma pessoa isso já é suficiente. A sua parte da conta de luz já foi paga por mim.
Oleg ficou paralisado. Na prateleira de cima havia caixas com carne e legumes. Do lado dele, apenas um pouco de salsicha e um pedaço de manteiga.
— Muito engraçado, Ksjusha — resmungou. — Me dá a chave do carro. O meu está na oficina e eu preciso sair.
A mulher tomou um gole de café.
— Não.
— Como assim não?! Está uma tempestade lá fora!
— O carro é meu. Eu pago seguro, gasolina, manutenção. Separação de contas, lembra? Vá de bonde, ele para duas quadras daqui.
Oleg ficou vermelho de raiva. Pegou a bolsa e saiu furioso, batendo a porta.
O dia dele virou um inferno. No bonde lotado alguém pisou no seu pé, o vento frio atravessava seu corpo como se congelasse por dentro. Ao meio-dia os colegas pediram comida por entrega, enquanto ele comia salsicha barata. À noite, contou o dinheiro como uma criança.
Em casa, uma pasta o aguardava.
— Este é o fechamento do mês — disse Kszénia, empurrando os papéis. — A sua parte.
Oleg olhou e quase engasgou.
— Isso tudo?! Não pode ser!
— Moramos em um bairro bom — explicou ela calmamente. — Segurança, estacionamento, limpeza, portaria. Eu dividi tudo corretamente.
— Eu não tenho dinheiro para isso! Se eu pagar, não sobra nada!
— Você quis independência — deu de ombros ela. — Ah, e cancelei a limpeza da sua parte do apartamento. O balde e o esfregão estão no armário.
— Isso é loucura! — Oleg amassou os papéis. — Eu só queria que você não gastasse demais!
— Eu sei o valor do conforto — disse Kszénia friamente. — Você é que parece ter esquecido.
Na sexta-feira, a tensão era insuportável. Oleg dormia no sofá da sala, comia qualquer coisa e se locomovia de transporte público. Ele tinha certeza de que ela acabaria cedendo.
À noite, chegou ao prédio e aproximou o cartão do leitor. A luz ficou vermelha: acesso negado.
— Boa noite, Oleg Nikoláievich — disse o porteiro. — Seu cartão foi bloqueado. Dívidas de condomínio superiores a dois meses bloqueiam automaticamente o acesso.
— Que dívida?! Eu moro aqui há anos!
— Regras são regras. Ligue para sua esposa, ela pode descer e te buscar como visitante.
Oleg ficou furioso. Teve que ficar no frio e ligar para Kszénia.
Quando finalmente subiu ao apartamento, tremia de raiva. Estava prestes a explodir quando parou.
Kszénia estava na sala. Em uma videochamada com um homem de terno.
— Sim, senhor Mikhail Sergeevich, o orçamento foi aprovado — disse ela com uma confiança que Oleg nunca tinha ouvido. — O pagamento já foi recebido. Podem iniciar as compras.
Ela fechou o notebook e olhou para ele.
— O que foi isso? — perguntou Oleg com a voz rouca. — Que empresa?
— A minha — respondeu calmamente. — Uma empresa de logística. Mais de sessenta funcionários. Eu trabalho daqui.
Oleg ficou imóvel.
— E… quanto você ganha?
— O suficiente para não me preocupar com aspargos — disse ela tranquilamente. — Muitas vezes mais do que você.
Ele sentou. Tudo desmoronou na sua cabeça: as lições, as críticas, a sensação de superioridade.
— Por que você não disse nada?
— Você perguntou alguma vez? — respondeu Kszénia. — Você gostava de ser “o chefe”. Gostava de pagar e achar que eu deveria ser grata. Eu não disse nada até você começar a usar dinheiro como arma.
— Ksjusha… eu errei — disse ele, se aproximando. — Eu estava estressado. Vamos esquecer essa separação de contas.
Ela balançou a cabeça.
— Então você não entendeu. Você não queria uma parceira. Queria alguém menor do que você.
Silêncio.
— E agora? — perguntou Oleg por fim. — Divórcio? E o apartamento?
— O apartamento era meu antes de você — disse Kszénia. — Não há nada no seu nome. Você só tem o endereço registrado.
Oleg empalideceu.
— Então… você vai me expulsar?
— Arrume suas coisas no fim de semana — disse ela, indo para o quarto. — E pague sua dívida. Lembra? Contas separadas.
A porta se fechou.
Oleg ficou sozinho no enorme apartamento. Três dias antes achava que mandava em tudo. Agora nem sabia onde dormiria.







