Peça Desculpas à Minha Mãe Agora Ou Você Será Expulsa Ainda Hoje

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Vitória, com movimentos delicados, quase prendendo a respiração, acomodava com uma pinça pequenos tufos de musgo estabilizado nas fendas de um pedaço de madeira seca.

Seu trabalho exigia imobilidade absoluta; o menor tremor poderia arruinar toda a composição.

Criar paisagens subaquáticas era um ofício para pessoas pacientes — daquelas capazes de esperar enquanto a natureza ganha forma nas mãos humanas.

Sobre a mesa diante dela erguia-se uma miniatura de parede rochosa feita de lava vulcânica negra e porosa. Parecia um fragmento de um planeta desconhecido, emergindo de um oceano imaginário.

A porta se escancarou de repente. Não rangeu — invadiu o cômodo, a maçaneta batendo seca contra a parede. Ludmila Stepanovna não entrava nos quartos — ela os invadia, como uma corrente de ar num dia sufocante de verão.

Nas mãos, segurava uma toalha com a qual secava os dedos secos e fibrosos.

— De novo esse cheiro — disse, sem olhar para a nora, examinando as prateleiras com um olhar afiado e inquisidor. — A tua cola. A casa inteira está fedendo a produto químico. Isso me dá enxaqueca, Vika.

Vitória pousou a pinça lentamente. Sabia: a cola não tinha cheiro. Era um gel especial de cianoacrilato, que secava instantaneamente, sem vapores. Mas ali os fatos não importavam. Naquela casa, a verdade só tinha valor quando vinha da boca da sogra.

— Vou arejar agora mesmo — respondeu suavemente, virando-se na cadeira. — Desculpa. É uma encomenda urgente, preciso entregar até de manhã.

— Vai arejar o calor também — retrucou a sogra, aproximando-se e tocando a pedra de lava com desprezo. — Pedras, galhos… Uma mulher adulta brincando de coisinhas. Andrei vai chegar com fome e você montando uma floresta na mesa.

— O jantar está pronto. As almôndegas estão na geladeira, o acompanhamento na panela elétrica. Andrei gosta de comida quente, eu planejei tudo.

Ludmila Stepanovna apertou os lábios. Era visível: procurava algo para criticar, como quem separa grãos procurando defeitos.

— Almôndegas… — arrastou a palavra. — Carne está cara hoje em dia. Você devia pensar no orçamento, Vika, não em musgo. Andrei reclamou ontem que os pneus de inverno estão gastos. E você só colando pedrinhas.

Vitória respirou fundo. A paciência fazia parte do seu ofício. Mas até o basalto racha com o tempo sob pressão.

— Ludmila Stepanovna, meu trabalho traz dinheiro. Já falamos dos pneus. Andrei disse que aguenta mais esta temporada. Podemos não começar a noite com críticas? Eu realmente tento não incomodar ninguém.

A sogra soltou um resmungo sarcástico.

— “Tenta”… Você tenta mal, se a mãe precisa dar dinheiro ao filho para gasolina.

Deixou a porta aberta — de propósito. Ali não existiam limites.

Vitória levantou-se para fechá-la, mas congelou. A porta de entrada bateu. Andrei havia chegado.

O homem trouxe consigo o cheiro de limalha de metal e óleo de máquina. Trabalhava como operador de corte a laser, e esse cheiro estava impregnado em sua pele. Vitória normalmente gostava dele — cheiro de trabalho e realidade. Mas hoje havia outro misturado: cerveja e tensão.

Sentaram-se na cozinha. A lâmpada zumbia como uma mosca irritante.

— Vika, larga o telefone — disse Andrei de repente, com a voz abafada.

— Eu nem estou usando. O que aconteceu?

A sogra sentou-se à frente deles, colocando as mãos sobre a mesa como um juiz prestes a dar a sentença.

— Aconteceu o seguinte — começou —, que hoje Andrei quis pagar peças. Não tinha dinheiro no cartão. Fomos ver. E descobrimos algo interessante. Vika… por que você anda escondendo coisas?

Vitória se enrijeceu.

— Por favor, escolha melhor as palavras.

— Trezentos mil na tua conta poupança! Eu vi a notificação!

Vitória olhou para Andrei. Esperou. Apenas uma frase. Mas ele encarava o prato.

— Andrei?

— Vika… eu estou pedindo dinheiro emprestado, e você… guardando em segredo?

— Nós combinamos sobre despesas domésticas. Esse dinheiro é meu.

— Segurança? De quem? — sibilou a sogra. — Nesta casa não haverá segredos!

— Não — disse Vitória.

A palavra caiu pesada sobre a mesa.

— Como assim não?! — explodiu Andrei.

— Tua mãe é perfeitamente saudável quando se trata de fazer escândalo. O balcão foi isolado ano passado. E a lente é responsabilidade da fábrica… a menos que você estivesse fazendo trabalhos por fora.

— Como você ousa! — gritou a sogra. — Transfira o dinheiro agora mesmo!

Tentou pegar o telefone.

Vitória reagiu num instante, segurando o pulso dela.

— Não toque em mim!

— Você bateu na minha mãe?! — rugiu Andrei.

— Eu só segurei! E você é um covarde! É conveniente para você: a mãe alimenta, a esposa serve!

— Sai daqui! — gritou a sogra.

Andrei agarrou o ombro de Vitória.

— Peça desculpas!

— Tire a mão de mim.

Ele soltou.

— Eu vou embora — disse Vitória.

— E vai para onde?! — gritou a sogra.

Vitória arrumava as coisas em silêncio. Tudo já estava preparado. Documentos, ferramentas.

— Eu já aluguei um apartamento.

O rosto de Andrei se deformou.

— Você planejou isso?!

— Eu estava procurando uma saída. E encontrei.

— O dinheiro fica aqui!

— Tenta.

Ele congelou.

Vitória avançou. Com um movimento firme, empurrou-o para o lado.

— Deixa eu passar.

A porta bateu atrás dela.

Três meses depois.

Vitória estava em seu próprio estúdio. Um enorme aquário ocupava a parede — uma paisagem viva, pulsante. Seu negócio decolou.

A campainha tocou. Era Andrei.

Abatido, cansado.

— Vika… tem um problema.

— Fala.

— Eu estraguei a máquina. 350 mil. Ou processo.

Silêncio.

— E?

— Você me ajuda?

— Eu não tenho dinheiro.

— Você gastou?!

— Eu investi em mim.

Nesse momento, apareceu um homem — o advogado.

— Os documentos do divórcio estão prontos.

Andrei olhou, atônito.

— Você vai mesmo se divorciar?

— Sim.

— O apartamento… — continuou o advogado — Andrei também tem uma parte nele.

— Minha mãe disse…

— Ela mentiu — disse Vitória.

— Se houver processo, sua parte será leiloada — acrescentou o advogado.

Andrei empalideceu.

Vitória sorriu.

— Isso não é inferno, Andrei. Isso é a realidade.

A porta se fechou. Duas voltas na chave. Seguro.

(Visited 281 times, 1 visits today)

Avalie o artigo
( 1 оценка, среднее 3 из 5 )