— Marina Viktorovna? É a senhora? Por favor, não entre! — Svetlana, assistente pessoal do meu marido, levantou-se tão de repente que bateu o joelho na mesa.
O estrondo alto da pilha de papéis caindo no chão ecoou pelo corredor, e eu me estremeci involuntariamente.
— Sveta, o que aconteceu? Você está pálida como uma parede. Trouxe o almoço para Viktor, hoje é nosso aniversário.
Vinte e cinco anos… — levantei um pouco a embalagem, da qual ainda subia o calor da comida fresca, e um leve aroma de maçã assada com canela se espalhava. — Ele está dentro?
— Não! Quer dizer… sim, mas… lá… há uma reunião. Muito importante. Com investidores — gaguejou.
Svetlana parecia que poderia desmaiar a qualquer momento. O rosto estava branco como giz, os lábios tremiam, e os dedos seguravam nervosamente a borda da mesa.
Então passos pesados e decididos ecoaram pelo corredor — eram os passos de Viktor.
Eu os reconheceria entre mil. Ele não estava sozinho. O riso de uma mulher soou ao lado dele — um som agudo, artificial, estranho, que me fez sentir um aperto gelado no peito.
Svetlana de repente agarrou meu ombro, os dedos dela se agarraram ao meu casaco com força.
— Rápido… para o armário! — sussurrou desesperada, e antes que eu pudesse protestar, me empurrou para dentro e fechou a porta.
Encontrei-me em um espaço estreito e sufocante. Ao meu redor, pendiam em cabides blazers masculinos e casacos de inverno pesados, no ar misturava-se o cheiro de couro e papéis antigos mofados.
A porta do armário estava rachada, e em uma das dobradiças havia uma fenda estreita, pela qual eu conseguia ver parte da recepção.
A porta do escritório se escancarou.
— Svetik, querida, traga-nos café. E não atrapalhe, teremos uma conversa séria — disse Viktor, passando por ela, sem ao menos olhá-la.
Depois entrou a mulher. Era alta, esguia, usando um vestido vermelho justo, que quase brilhava na penumbra. Ao andar, jogou o cabelo para trás e fez uma careta irritada.
— Vitya, até quando vai continuar com isso? Você prometeu que hoje resolveríamos tudo. Estou cansada de ter que me esconder.
— Angela, mais baixo — Viktor se voltou para ela e a puxou para perto. — Falta pouco. Minha pequena dona de casa já preparou tudo. Ela acredita piamente que estou salvando nosso negócio em comum.
Hoje à noite ela assinará o contrato de doação do apartamento em nome da minha irmã — sabe, “para que os oficiais de justiça não o tomem”. Em uma semana, minha irmã vai transferi-lo para você. E pronto. Nenhum vestígio ficará.
Cobri minha boca com a mão para não gritar. Meu coração batia descontroladamente. O apartamento. Aquele apartamento… que compramos nos anos noventa, economizando cada centavo. Onde nosso filho cresceu. Onde eu conhecia cada rachadura no teto.
— Tem certeza de que ela vai assinar? — os dedos de Angela deslizaram brincando sobre a gravata dele. — E se ela se recusar?
— Marina? — Viktor bufou com desprezo, e havia tanta desprezo naquela voz que me feriu. — Em vinte e cinco anos, você não tomou uma única decisão sozinha.
Ela vai perguntar: “Vityenka, isso realmente ajuda?” E eu direi: “Sim, querida, é pelo nosso futuro.”
E ela vai assinar. Nem passa pela cabeça dela que o “futuro” dela é um quarto decadente em um apartamento comum no meio do nada, que eu generosamente alugarei por um tempo. Para que não atrapalhe.
Eles entraram no escritório. A porta se fechou com um clique.
Lentamente, escorreguei até o fundo do armário, sobre caixas empoeiradas. O almoço esfriou em minhas mãos. Três horas de preparo. Pato com maçã. O favorito dele.
Depois de algum tempo, a porta se abriu. Svetlana estava lá, o rosto borrado de lágrimas, mas já não soluçava — apenas chorava silenciosamente.
— Marina Viktorovna… saia. Não tive outra escolha.
Ele… destruiu minha irmã há seis meses. Ela trabalhava como contadora para ele. Ele a acusou de um déficit, ameaçou prisão se ela não saísse imediatamente. Eu fiquei apenas para esperar o momento certo…
— Você tem acesso ao computador dele? — perguntei. Minha voz estava estranha, fria como aço.
— Sim. E também às chaves do cofre. Ele frequentemente as deixa na mesa quando essa mulher está aqui. Ele perde totalmente a cabeça.
— Sveta, preciso de todos os documentos da empresa. E de todas as contas. Você pode conseguir?
Svetlana assentiu. Nos olhos dela, o medo foi substituído por determinação — e isso me deu forças também.
Naquele dia cheguei em casa mais cedo que Viktor. Tirei a toalha de festa, apaguei as velas.
Coloquei a pasta que Svetlana me deu sobre a mesa. Descobri: não há dívidas. A empresa prospera. Apenas transferências de dinheiro — para aquela mulher. Concessionárias de carros, joalherias.
Viktor chegou por volta das nove. Feliz, com um buquê de crisântemos na mão.
— Querida, estou em casa! Desculpe o atraso, o dia foi longo, os parceiros… um verdadeiro pesadelo.
Ele entrou na cozinha, jogou o buquê, e então congelou. Eu estava sentada no escuro, à janela, apenas a luz do poste iluminava a mesa.
— Marina? Por que está sentada no escuro? Onde está o jantar? Hoje estamos comemorando…
— A comemoração acabou no armário. No seu escritório — disse suavemente.
Ele ficou paralisado.
— Que armário? Do que você está falando?
Acendi a luz. Coloquei o gravador na frente dele.
Viktor escutou. Seu rosto gradualmente empalideceu. Quando tentou pegá-lo, minha mão pressionou sobre a dele.
— Não. As cópias já estão com meu advogado. E com seu sócio também. Você acha que ele não se importa para onde foi o dinheiro da empresa?
Viktor desmoronou na cadeira.
— Marina… era só conversa… os homens às vezes…
— Chega.
— Você não é nada sem mim! — ele pulou de repente, o rosto contorcido de raiva. — A vida inteira costurou cortinas! Não trouxe um centavo para casa! Tudo é meu!
Ele levantou a mão.
Eu não me movi.
— Tente. E então, além da fraude financeira, haverá outro caso. Meu advogado já falou sobre a assinatura falsificada. Svetlana testemunhará.
A mão dele caiu lentamente.
— O que você quer?
— Você vai embora. Agora. Com uma mala. O apartamento é meu. O carro é meu. Metade da sua empresa é minha. Ou amanhã tudo vai para as autoridades.
Uma hora depois, ele se foi. A porta se fechou atrás dele com um baque surdo.
Olhei pela janela enquanto ele arrastava a mala no escuro, curvado. Parecia pequeno, insignificante.
Voltei para a cozinha. Joguei os crisântemos no lixo. Abri a embalagem, cortei um pedaço do pato e comi devagar.
Estava delicioso.
Não amargo. Não doloroso.
Simplesmente… comida.
No dia seguinte, liguei para Svetlana.
— Sveta, vai trabalhar amanhã?
— Pedi demissão… não aguentava mais.
— Venha para mim. Vou abrir meu próprio ateliê. Preciso de alguém que entenda de números. E que não tenha medo.
Do outro lado da linha, um riso suave, misturado com lágrimas.
— Estarei lá.
Coloquei o telefone no gancho e olhei no espelho.
Uma mulher me olhava de volta. Com olhos tranquilos.
Sem lágrimas.
E pela primeira vez… sem medo.







