Um soldado zombava da nova comandante, acreditando que diante dele estava apenas uma mulher fraca e indefesa, mas alguns minutos depois já estava de joelhos diante dela, implorando por clemência.
O som habitual da academia preenchia o ambiente. Pesos de metal tilintavam, barras pesadas caíam no chão com um baque surdo, sacos de pancada balançavam a cada golpe, e o ar estava denso com suor, poeira e calor abafado.
Os soldados treinavam em silêncio, mas com raiva, cada um tentando provar que era mais forte, mais rápido e mais resistente. A tensão da competição era quase palpável entre as paredes.
Tudo acontecia normalmente até que as portas se abriram de repente e uma voz firme e decidida ecoou pela academia.
— Soldados, atenção por um momento! Gostaria de apresentar a vocês a nova comandante. A partir deste momento, dirijam todas as suas perguntas a ela. Ela vai treiná-los e será responsável pelo seu preparo.
O ar congelou por alguns segundos. Então alguém deu uma risadinha baixa. Logo após, veio o riso dos outros. Diante deles estava uma mulher de estatura média, com cabelo preso em um coque apertado, olhar calmo, mas penetrante.
Não havia sorriso nem constrangimento em seu rosto, mas os soldados já julgavam:
— Ela… realmente ela? — Isso é alguma piada? — A partir de agora, uma garota vai nos comandar?
A comandante não reagiu aos comentários sarcásticos. Apenas acenou brevemente com a cabeça e disse:
— Vou deixar que vocês a conheçam.
Assim que saiu, a aparente ordem se desfez imediatamente. Alguns pegaram os pesos, outros continuaram conversando como se toda a apresentação nem tivesse acontecido.
A nova comandante olhou calmamente pela academia e várias vezes tentou reunir os soldados com a voz, mas parecia que não a ouviam.
Alguns fingiam estar ocupados, outros se viravam ostensivamente. Ninguém queria obedecer à mulher que já consideravam fraca e indefesa.
Ela não levantou a voz, mas seu olhar mostrava cada vez mais firmeza.
Finalmente, pegou uma garrafa de água, desparafusou a tampa e deu um gole, tentando se recompor por pelo menos um instante. Nesse momento, um dos maiores soldados da academia aproximou-se por trás dela.
Alto, musculoso, confiante — o tipo de homem que já estava acostumado a dominar os outros apenas com o olhar.
— Ei, bonita, o que houve, não vai mandar nada? — disse zombando.
Antes que a mulher pudesse se virar, ele arrancou a garrafa de suas mãos com força, enquanto ela ainda bebia, e no instante seguinte derramou o restante da água na cabeça dela. O líquido frio escorreu pelo cabelo, rosto, pescoço e encharcou o uniforme.
Houve silêncio por minutos, e então uma risada estrondosa surgiu de todas as direções.
— Então, mostre do que é capaz! — gritou zombando.
A mulher lentamente limpou a água do rosto e olhou para ele de um jeito que fez seu sorriso tremer levemente. Mas ele ainda não entendia com quem estava lidando.
— Você vai se arrepender — disse ela calmamente.
— O que você disse? — rosnou, e de repente empurrou seu ombro, ainda sem suspeitar que em poucos minutos estaria de joelhos diante dela, implorando por clemência.
O soldado nem tinha percebido o que estava acontecendo. A mulher deu um passo curto para o lado, como se abrisse caminho, e então de repente agarrou sua mão, que ele ainda não tinha retirado, girou seu corpo e chutou sua perna.
Tudo aconteceu tão rápido que parecia quase imperceptível do lado de fora. Um instante antes, o enorme homem estava de pé e sorrindo, e no instante seguinte caiu de cara no chão.
Antes que pudesse se levantar, a mulher pressionou sua mão contra as costas, com o joelho pressionou seu ombro contra o tatame e torceu seu punho de modo que seu rosto se contorceu imediatamente.
O riso na academia cessou instantaneamente. Aqueles que poucos segundos antes estavam se divertindo agora observavam em silêncio o que acontecia.
— Solta… dói… — rosnou o homem, se contorcendo, mas apenas se prejudicando ainda mais.
A mulher apertou um pouco mais o golpe doloroso.
— Por favor, me solte.
— Primeiro peça desculpas.
O homem cerrou os dentes, mas a nova onda de dor que sentiu quebrou sua teimosia.
— Desculpa… desculpa, ouviu, desculpa! — gritou agora sem fingimento algum.
Só então ela o soltou e se levantou calmamente. O soldado permaneceu no tatame, respirando com dificuldade e segurando a mão, enquanto sua recente confiança masculina desapareceu completamente.
Ela ajustou a camiseta molhada, passou a mão pelo cabelo e disse com voz firme:
— A força não está nos músculos, nem em humilhar aqueles que vocês consideram mais fracos. Quando vocês ainda eram crianças, eu já servia ao nosso país.
E desses idiotas confiantes, que achavam que tudo dependia do tamanho do bíceps, eu vi aos montes. Todos nós temos uma tarefa aqui.
Vocês precisam ser uma equipe, e não um grupo que ri do uniforme e da patente.
Ela parou, olhou para os soldados e continuou:
— Já mostrei a vocês do que sou capaz. Agora ou começam a trabalhar direito, ou cada um de vocês terá que experimentar isso pessoalmente.







