Sogra Invadiu Sem Aviso

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Szveta amava um bom café e o seu marido, Roma.

De manhã, mais ou menos nessa ordem, e à noite exatamente ao contrário.

Roma era um homem como um caro cobertor de caxemira: quente, acolhedor, complacente e um pouco ingênuo.

Seu único “defeito de fábrica”, com o qual veio ao mundo, era a sua mãe.

Zhanna Romanovna era como um ferro de passar de ferro fundido com a elegância de um e o tato de um carcaju faminto.

No passado, foi uma figura importante no sindicato, por isso sempre via o mundo através da lente da pecaminosidade universal e da sua própria infalibilidade.

Ela sabia perfeitamente como se deve viver, com quem se deve dormir e com o que se deve temperar a salada para que os laços espirituais não se rompam.

Desde o primeiro momento, ela não gostou de Szveta. Pelo seu olhar independente, pelo seu salário que claramente superava o de Roma, e pela forma como conseguia sorrir de tal maneira que o interlocutor sentia vontade imediata de verificar se o fecho da calça estava fechado.

Szveta trabalhava de casa. Oficialmente, aos olhos da família do marido, ela “apenas ficava diante do computador apertando botõezinhos”.

Mas, na verdade, Szveta era uma ghostwriter e roteirista muito requisitada, cumprindo dezenas de encomendas.

Escrevia textos para blogs, roteiros para séries e, o que era a sua principal rede de segurança financeira e paixão secreta, romances amorosos de banca — sob o pseudônimo Isabella de Crow.

Roma sabia do pseudônimo e apoiava a esposa com entusiasmo, especialmente depois que os direitos autorais do seu sucesso anterior, “O Bastão de Jade da Paixão”, cobriram de uma só vez metade da hipoteca do apartamento.

A fase fria da tensão passou para uma fase quente no início da primavera.

Zhanna Romanovna possuía chaves do apartamento — oficialmente apenas para o caso de incêndio ou queda repentina de um meteorito.

Quando, por acaso, descobriu com o filho ingênuo que Szveta tinha corrido urgentemente ao dentista por causa de uma dor aguda, a sogra decidiu aproveitar a oportunidade e fazer uma inspeção surpresa.

Naquele dia, Szveta realmente saiu correndo por causa da dor, esquecendo de pressionar a combinação salvadora para bloquear a tela do laptop.

Ao voltar para casa com o maxilar dormente, notou que o ficus da janela estava encharcado de água, quase como arroz empapado, e que o computador estava ligeiramente deslocado sobre a mesa.

Szveta, que não era apenas inteligente, mas também extremamente observadora, percebeu imediatamente que havia algo errado. Deu uma olhada no histórico de documentos recentes.

Zhanna Romanovna, incapaz de resistir à coceira da curiosidade, havia mexido no mouse. Na tela brilhava a versão final diagramada do novo livro — exatamente aquele cuja tiragem fresca era aguardada da gráfica nos próximos dias.

Szveta passou os olhos pelo parágrafo onde a sogra havia deixado o cursor e deu uma risadinha baixa.

Era uma cena de negociação entre a protagonista e o dono de uma agência de acompanhantes de elite.

“— Minha tarifa é cem mil por noite, Armando — dizia o texto na tela. — Sem beijos na boca e pagamento antecipado completo. Espero você na sexta-feira.”

Qualquer mulher em sã consciência entenderia que aquilo era ficção, mas Zhanna Romanovna pensava de outra forma.

Ela era uma mulher forjada em aço soviético, que assistia a reportagens criminais em vez de comédias.

Szveta imaginou como, na cabeça da sogra, as peças se encaixaram com um estalo: trabalho remoto, sapatos novos, frequentes “encontros com clientes”…

— Bem — murmurou Szveta, esfregando a bochecha ainda dormente. — As pessoas julgam os outros de acordo com a própria moral. Quer um cabaré de primeira classe, mamãe? Terá ingressos para o camarote central.

A partir desse momento, Szveta começou a espalhar migalhas com maestria. Sabia que Zhanna Romanovna agora a observaria com força triplicada, como um agente secreto seguindo um desertor.

Szveta “por acaso” deixou um planner aberto sobre a mesinha no corredor.

Com marcador vermelho estava circulado: “SEXTA-FEIRA, 19:00. Loft na rua Bauman. Sessão VIP. Diretor.”

(Na verdade, era a data e o local da apresentação fechada do seu novo romance para distribuidores.)

Durante as conversas telefônicas, quando a sogra aparecia “para verificar os medidores”, Szveta começou a dizer, de forma lenta e insinuante:
— Sim, Viktor, posso ir ao hotel, mas isso vai custar o dobro. Você sabe quais são as minhas exigências.

Viktor era o seu diagramador, com quem discutia até ficar rouca sobre o preço de correções urgentes.

— As moças de hoje perderam completamente a vergonha! — explodiu Zhanna Romanovna certa vez, com os olhos faiscando sobre a xícara de chá. — Nenhuma moral! Só querem se vender pelo preço mais alto possível!

— A senhora tem toda razão, mamãe — concordou Szveta suavemente, ajustando sua manicure impecável. — A concorrência é brutal. É preciso se aperfeiçoar constantemente para permanecer no topo. O mercado é cruel.

A sogra engoliu em seco, olhando para Szveta como se um móvel tivesse começado a falar.

Logo, Zhanna Romanovna convocou secretamente um tribunal familiar.

Participaram: a cunhada Olga, que já há três anos era amante de um deputado casado, mas insistia em se fazer de donzela irrepreensível, e o pobre Roma.

— Sua esposa é uma mulher com um nível criticamente baixo de responsabilidade social! — sussurrou dramaticamente a sogra na cozinha, sacudindo as “provas” copiadas à mão.

— Ela se vende, Roma! Eu vi a tabela de preços! “Senhora Isabella” — é assim que ela se chama! Nesta sexta ela tem um encontro num loft com um tal diretor!

Roma, que conhecia perfeitamente a agenda da esposa, começou a tossir na mão, tentando esconder uma risada histérica.

Quis explicar tudo imediatamente, mas lembrou a tempo da instrução rigorosa de Szveta:

— Roma, mamãe está preparando uma cruzada. Por favor, não estrague o meu espetáculo. Nada de defesa. Apenas acene com a cabeça, faça cara triste e vá com ela. Leve pipoca.

— Mamãe, isso é um absurdo — protestou Roma de forma pouco convincente, escondendo os olhos risonhos.

— Absurdo?! Nós vamos! Vou expor essa sujeira! E Olga vai conosco para registrar o fundo moral dela!

Chegou a tão esperada sexta-feira.

Szveta estava no centro de um salão elegantemente decorado, vestindo um caro conjunto de calça verde esmeralda.

Ao seu redor, garçons deslizavam silenciosamente com bandejas, sobre as mesas havia pilhas organizadas de livros recém-impressos, e um suave saxofone tocava. Editores, profissionais de marketing e alguns críticos literários conversavam animadamente perto do buffet.

Exatamente às 19:15, as pesadas portas de carvalho se abriram como se uma unidade especial estivesse invadindo o local.

Na porta estava Zhanna Romanovna, respirando com dificuldade, furiosa, em seu melhor casaco bordô de gala.

Atrás de suas costas largas, Olga tremia com o celular em mãos, claramente pronta para gravar um vídeo comprometedor. Roma chutava o chão, tentando conter o riso.

— Ninguém se mexa! — gritou a sogra, invadindo o salão de forma ameaçadora.

Ela claramente esperava encontrar acrobacias em postes, chicotes de couro e Szveta em lingerie de leopardo.

Em vez disso, viu apenas pessoas respeitáveis em trajes formais, segurando taças de espumante, paralisadas de surpresa.

No grande banner brilhante atrás de Szveta estava escrito: “Isabella de Crow. Apresentação do novo best-seller ‘Tarifa da Paixão’”.

Zhanna Romanovna ficou imóvel, como uma estátua antiga sem braços. Seus olhos lentamente desceram do banner para Szveta e depois para os livros.

Szveta, dando um gole lento em sua taça de cristal, aproximou-se dos parentes com um sorriso social deslumbrante.

— Oh, Zhanna Romanovna! Olga! Roma! Achei que iriam ignorar o meu convite. Que infinita gentileza terem vindo me apoiar na apresentação fechada do meu novo romance.

— Romance?.. — conseguiu dizer a sogra com voz rouca. — Que romance? E os… clientes? Diretores? Hotéis?

— Ah, o temperamental Armando e seus parceiros de negócios? — Szveta riu alto, atraindo a atenção amigável dos convidados.

— Mamãe, a senhora mesma leu o rascunho no meu computador, quando veio escondida regar o meu pobre ficus, hoje já falecido. É o início do sétimo capítulo!

Szveta fez uma pausa elegante, saboreando o efeito.

— Aliás, aquele diretor e meu editor-chefe — aquele senhor elegante de óculos, Eduard Mikhailovich — disse Szveta, apontando suavemente para o homem constrangido.

Olga enfiou o telefone apressadamente no fundo da bolsa.

O rosto de Zhanna Romanovna adquiriu rapidamente a cor de uma beterraba madura demais.

Seu grandioso plano de exposição transformou-se em um fracasso público: ela acabara de admitir diante de testemunhas que espionava a nora, vasculhava seu computador e fizera papel de completa idiota diante do próprio filho.

Mas Szveta não tinha o hábito de abandonar uma partida no meio. Sempre levava tudo até o xeque-mate final.

— Sabe, mamãe — a voz de Szveta perdeu toda a leveza social e tornou-se perigosamente aveludada.

— Sempre me impressionou como as pessoas vestem os outros com a própria roupa suja. Eu escrevo textos. Apenas letras na tela. E a senhora viu nisso um bordel.

Ela deu um passo lento à frente, olhando diretamente nos olhos inquietos da sogra.

— Lembre-se de uma regra de ouro, Zhanna Romanovna. Se alguém vê sujeira e pecado em tudo, isso significa que é exatamente disso que está cheio por dentro. E sabe o que é mais engraçado nessa situação?

Szveta aproximou-se da mesa mais próxima, pegou um dos livros brilhantes e o abriu com elegância.

— Eu já sei há muito tempo quem é a minha leitora mais fiel. O acesso aos capítulos “quentes” bônus no meu site só é possível por assinatura de e-mail. Eu mesma vejo a lista de inscritos.

Szveta inclinou levemente a cabeça.

— O seu e-mail pessoal, zhanna.romanovna1958, eu não confundiria com nenhum outro. A senhora me envia cartões de Páscoa por ele.

A sogra empalideceu tão rapidamente que o casaco bordô pareceu preto ao seu lado.

— Gostaria de entregar pessoalmente, diante de todos, este primeiro exemplar ao usuário “Zhanna_Hot_65” — disse Szveta em voz alta, com dicção implacável, estendendo o volume pesado para a sogra.

— Aquela mesma fã que comentou no meu livro anterior: “Meu Deus, a cena da piscina à noite, li a noite inteira esquecendo da minha pressão”.

No salão, todos os sons desapareceram instantaneamente. Formou-se um vazio.

Roma virou-se para a coluna mais próxima, seus ombros tremiam com uma crise silenciosa de riso. Olga olhava para a mãe com um horror genuíno, como se o número da besta tivesse aparecido em sua testa.

— Obrigada pela sua sincera lealdade à minha modesta arte, mamãe — disse Szveta, colocando o livro nas mãos imóveis da sogra com a elegância de uma grã-duquesa.

— A senhora me lia quando eu ainda nem era oficialmente sua nora. Sua atração secreta pelas minhas… fantasias picantes é incrivelmente comovente.

Zhanna Romanovna ficou parada como uma estátua de madeira, apertando o livro contra o peito. Seus lábios finos tremiam levemente.

O pedestal moral do qual ela pregava e julgava os outros por anos desmoronou em pedaços aos seus pés.

Ela percebeu que a nora não apenas a derrotou no xadrez, mas pegou sua armadura de “retidão” e a envolveu nela mesma, apertando bem os nós.

A antiga líder sindical, com as pernas rígidas, virou-se e caminhou em silêncio absoluto em direção à saída. Olga a seguiu, tropeçando.

Szveta acompanhou-as com um olhar calmo, soltou um suspiro satisfeito e voltou-se suavemente para Roma.

— Roma, querido, traga mais espumante. Hoje celebramos não só o lançamento do meu novo livro, mas também a limpeza geral da nossa vida pessoal.

Ela deu um pequeno e elegante gole, observando com um sorriso caloroso como toda aquela absurda tolice, que tentaram forçar para dentro de seu mundo pacífico, se dissolvia para sempre no tilintar do cristal e nos sons de um bom jazz.

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