— Larisa Alekszandrovna, de que dinheiro você está falando? — levantou a sobrancelha Natalja, completamente espantada.
— Do berço, digo eu, a sua filha vai nascer em um mês! Combinamos que todos os parentes dariam algo para Dása!
— Larisa Alekszandrovna, com quem você combinou isso?
— Com você, comigo, com Borya, com meu irmão! — os dedos da madrasta se moviam como se contassem.
— Eu?! — Natalja exclamou, espantada. — Eu estou ouvindo sobre esse berço pela primeira vez!
— Não importa — gesticulou Larisa Alekszandrovna. — Então, encontrei um berço maravilhoso, espero cinquenta mil rublos de você!
O dinheiro você me dá, eu compro tudo e envio a você documentação fotográfica! — gritou quase em meu ouvido, e depois se calou.
Natalja, que esteve em pé o tempo todo, agora sentou-se em um banquinho.
— Larisa Alekszandrovna, Dása não é da minha conta, e de jeito nenhum vou te dar dinheiro! — disse firmemente a nora.
A madrasta respirou fundo. Seu rosto, já vermelho pelo frio, agora ficou de um roxo profundo.
— O que você quer dizer com “ninguém”? — sua voz mudou para um tom agudo e choroso. — Esta é a irmã do meu filho! Ela carrega minha neta! E você quem é? Deveria ao menos se alegrar que Borya não te deixou, depois que os médicos diagnosticaram você!
Natalja empalideceu. Esse assunto era estritamente proibido, só ela e Borya sabiam. Claramente a mãe dele também sabia, com quem o jovem compartilhou os detalhes mais íntimos de sua tragédia familiar.
— Isso não é da sua conta — resmungou Natalja, apertando tanto a borda do banquinho que seus dedos ficaram brancos.
— Não é da sua conta?! Eu digo com quem meu filho vai morar! Mulher estéril — isso não é esposa, é uma… planta. Mas Dása é parente de sangue, continuará a família!
Então, não venha com esse miado de gatinha, cinquenta mil rublos, ponto final! Considere isso sua contribuição para a continuidade da família, já que você mesma não é capaz!
Borys entrou na sala por causa da gritaria. Seu olhar ia da esposa pálida, quase cor de giz, para a mãe avermelhada.
— Mãe, por que você está gritando assim? — começou de forma conciliadora. — Natalja, o que aconteceu?
— O que aconteceu?! — cutucou a nora Larisa Alekszandrovna. — Sua esposa matou o sapo para dar um berço para a criança de sangue! Cinquenta mil! Para a sua irmã! Para sua neta!
Natalja levantou-se lentamente para ficar na altura de todos.
— Bory, eu não prometi nada, estou ouvindo isso pela primeira vez — sentiu seus joelhos tremerem. — E não permitirei que falem comigo assim.
— Ah, você não permite? — a madrasta deu um passo à frente. — Ainda vai dançar para mim! Borya, diga a ela! Que o dinheiro esteja na mesa amanhã!
— Mãe, talvez… não devêssemos assim… — murmurou Borys, com os olhos baixos.
— O que significa “não deveríamos”? — gritou Larisa Alekszandrovna. — Você é homem ou um trapo? Comande sua própria casa! — agora se voltou para Natalja, quase colada a ela.
— Ouça, lagarta? Amanhã o dinheiro deve estar na mesa, senão Borya vai acabar com sua vida! Entendeu? Estéril!
Natalja ficou em silêncio, apenas o queixo se movia pelo nervosismo.
— Por que está calada? — cutucou-a com o punho. O empurrão não foi forte, mas humilhante, como quando se cutuca um cachorro que errou. — Estou falando com você!
— Não ouse tocar em mim! — alertou Natalja, recuando um passo.
— Oh, vejam só! Não toque! — a madrasta riu sarcasticamente, e então empurrou-a de novo, mais forte no peito, Natalja vacilou. — E o que você vai fazer? Borya, veja, sua esposa vai me bater!
— Mãe, chega! — Borys tentou interpor-se, mas sua mãe já estava completamente exaltada. Gostava de seu poder, gostava de humilhar a nora silenciosa que ousava enfrentá-la.
— Vá embora, Bory! — gritou, contornando o filho e dando um tapa enorme em Natalja.
O som foi seco e agudo, como o estalo de um chicote. A cabeça de Natalja foi para trás, os olhos se encheram de lágrimas, não de dor, mas de humilhação.
Seus ouvidos zumbiam. Levantou a mão para o rosto ardente e viu diante de si o rosto distorcido da mãe, exalando vitória.
— Conseguiu? Viu só! — resfolegou Larisa Alekszandrovna. — Assim você aprende com os mais velhos…
Natalja não ouviu mais nada. Um pensamento martelava em sua cabeça: chega.
Chega de suportar os empurrões, a dor das ofensas, a humilhação em sua própria casa, onde o marido estava como uma estátua, assistindo sua mãe zombar da esposa.
Quando Larisa Alekszandrovna, em um impulso de raiva, levantou novamente a mão para o tapa, Natalja reagiu instintivamente.
De repente, ela se abaixou, desviando do golpe, e colocando toda a raiva, dor e anos de humilhação em um passo à frente, chutou fortemente em direção à boca da mãe gritando. Mas errou.
O pé bateu com um som surdo e terrível diretamente na grande barriga macia da madrasta.
Larisa Alekszandrovna não gritou, mas soltou um som profundo e rouco, como “u-u-h”. Seus olhos se arregalaram de dor e incredulidade. Curvou-se, caindo pesadamente no chão, segurando a barriga.
— Você… — resfolegou, olhando para Natalja com medo. — Você… a criança… Dása espera… neta…
Um silêncio raivoso caiu sobre a sala. Só o tique-taque do relógio no corredor era ouvido.
Borys ficou boquiaberto, olhando ora para a mãe no chão, ora para a esposa, que olhava para o próprio pé como se não fosse um membro seu, mas uma arma mortal.
— Natalja… — sussurrou finalmente. — Por que?
Natalja olhou para ele com o olhar vazio, entre lágrimas e pavor tardio.
— Bory, ela se atirou aos meus pés, como você ao meu lado com a faca.
— Que faca?! — gritou o marido.
— Ara, que agora por acaso estará do seu lado.







