Marido Vai Para Jovem De 20 Anos Eu Envio Uma Foto e Ele Fica Grisalho

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Igor apertava a barriga com tanta força que círculos coloridos dançavam diante de seus olhos.

O espelho pendurado no corredor refletia impiedosamente a verdade, que ele desesperadamente tentava comprimir na calça jeans rasgada e na moda.

O botão pendia por um único fio, pronto para se soltar a qualquer momento, assim como o casamento, que agora rangia e estalava em cada costura.

Ele soltou o ar com força, tentando não olhar para a sala de estar, mas sentia no topo do pescoço o olhar pesado e avaliador da esposa. Marina estava sentada na poltrona, pernas cruzadas, girando lentamente o cabo da taça de vinho.

Não chorava, não arrancava os cabelos, não tentava fechar portas. Apenas o observava como se assistisse a um programa de TV entediante.

— Marusya, não faça essa cara — ajustou a gola da camiseta Igor, que destacava de forma reveladora o segundo queixo. — Você é uma mulher inteligente, entende tudo perfeitamente.

Marina tomou um pequeno gole, e o vidro bateu quase imperceptivelmente no dente.

— Entendo, Igor, que você vai em busca do pôr do sol da sua segunda juventude.

— Não provoque, isso não é pôr do sol, é madrugada! — gesticulou teatralmente com a mão, quase derrubando a mala ao lado. — Entenda, nossa energia conjunta se esgotou, como uma pilha velha. Eu preciso de corrente, tensão, faíscas voando!

Igor finalmente fechou o zíper do casaco, sentindo o suor escorrer desconfortavelmente pelas costas. Estava quente, mas não podia relaxar, senão a barriga imediatamente escaparia da calça.

— Sveta… ela está cheia de vida, vinte anos, Marina! Tanta energia que até as lâmpadas acendem perto dela. Você é confortável, mas acostumada.

Tentou tornar a voz suave, mas soou mais como lamentável e culpada.

— Vou te deixar o apartamento, agirei como um homem de verdade. Levo o carro, o apartamento de dois quartos é seu, viva, seja feliz, compre um gato se quiser.

Esperava uma briga, contava que Marina jogasse um vaso que compraram em Praga há dez anos. Precisava dessa briga para sair ofendido, bater a porta e se sentir certo.

Mas Marina apenas pousou o copo na mesa.

— Confortável, então — sorriu apenas com os cantos da boca, mas os olhos permaneceram frios. — Tudo bem, Igor, vá para sua energia. Só não esqueça o remédio para pressão, está no bolso esquerdo da bolsa, Sveta certamente não vai medir minha pressão.

— Estou saudável como um búfalo! — gritou, segurando a mala.

A alça cortou sua palma, a porta bateu, isolando o cheiro do apartamento — amaciante de roupas e algo indefinível, aconchegante. O corredor à frente tinha cheiro forte e úmido, misturado com peixe grelhado.

A liberdade no primeiro andar trazia o odor de urina de gato.

O estúdio de Sveta parecia uma fábrica de pelúcias explodida: ursinhos e almofadas coloridas espalhados por toda parte. Igor sentou-se na única cadeira, com medo de que qualquer movimento fosse demais, pois suas costas doíam cruelmente.

A calça jeans justa, que parecia “estilo rebelde” na loja, agora apertava a circulação como um rolo de pressão.

— Papi! — surgiu Sveta do banheiro cheio de vapor.

Vestia uma camiseta que mal cobria o quadril, e Igor engoliu em reflexo. O coração deu um salto e começou a bater descompassado, não de paixão, mas de pânico.

— Coelhinho — esticou os lábios em sorriso, sentindo a mandíbula contrair. — Talvez não seja tão alto? As paredes são de papelão.

— Quem se importa com os vizinhos, somos jovens! — pulou na cama, os colchões gemendo sob seu peso. — Papi, você é o melhor, agora vamos começar a viver!

A palavra “Papi” cortava seus ouvidos como isopor contra vidro; já havia pedido três vezes para não chamá-lo assim. Ele apenas riu, dizendo que era “fofo e moderno”.

— Vivemos, Sveta, claro.

Tentou se levantar para abraçá-la, afinal, destruiu a vida bem organizada por esse corpo. Mas Sveta se afastou, mantendo distância com os braços estendidos.

— E-eu, não — riu, mostrando com o dedo pintado de verde neon. — Igor, combinamos que sou filha de regras rígidas.

— Sveta, somos adultos… — começou, sentindo-se um colegial pedindo cigarro.

— Sou adulta, mas tenho princípios. Minha mãe me ensinou: “Respeite-se, Sveta, não se desperdice.” Na terça entregamos os papéis, e então será sua primeira noite de casamento, tudo deve ser bonito.

Igor recostou-se na cadeira, difícil. Sveta não deixava se aproximar, mantendo a distância do comprimento do braço, enlouquecendo-o.

Sveta sentou-se em frente ao espelho, aplicando creme facial. Igor observava o perfil dela, e um pequeno detalhe familiar começou a marcar sua memória.

No rosto esquerdo de Sveta, logo abaixo da orelha, surgiu uma pequena pinta marrom, quase em forma de coração perfeita.

Igor esfregou o dorso do nariz, enquanto uma onda de déjà vu o atingia. Ele já tinha visto essa pinta. Exatamente. Não em filme ou revista.

Sochi, 2003.

Missão de trabalho, calor que derretia o asfalto, e conhaque barato em copo de plástico. A garçonete do “Volna”, chamava-se Tamara.

Tamara — explosiva, barulhenta, ponta do nariz arrebitada, riso contagiante.

Igor era relativamente jovem e apaixonado, o romance de férias pegou fogo como grama seca e se apagou em uma semana. Nem se despediu direito, apenas pegou o trem da manhã, deixando dinheiro na mesinha de cabeceira “para frutas”.

Sacudiu a cabeça, afastando o fantasma: quem não tem pinta, está no meio do país.

— Papi, o que foi que travou? — virou-se para Sveta. — Pedimos pizza? Estou morrendo de fome, só com abacaxi!

— Com abacaxi — repetiu Igor em eco. — Agora mesmo.

O celular vibrava no bolso, incomodando o quadril; Igor puxou. Mensagem de Marina.

Algo apertou dentro dele: talvez tivesse mudado de ideia e escrito para ele voltar? Isso excitou seu orgulho ferido.

Abriu o chat.

“Igorek, você esqueceu completamente, estava tão apressado para a nova vida que não trouxe o arquivo de família.

Revisei os papéis e encontrei uma foto da formatura do seu novo amor, você gosta de saber tudo sobre o outro, não é? Olhe atentamente para a mãe dela, acho que vocês se dariam bem.”

A imagem carregou lentamente: primeiro a blusa colorida, balões e a faixa “Formatura 2021”. Depois o rosto feliz de Sveta.

E então apareceu a mulher que a abraçava pelo ombro.

O mundo caiu. Tamara olhava para Igor pela tela.

Ela era vinte anos mais velha, mais corpulenta, mas era ela — o mesmo queixo teimoso, o mesmo olhar. Mas o verdadeiro choque não era isso.

Na foto, perfiladas, riam de algo.

Ambas — mãe e filha — tinham exatamente o mesmo nariz. Igor reconheceu seu próprio nariz, levemente encurvado, com a covinha familiar que sempre odiou.

E a pinta de Tamara estava exatamente no mesmo lugar, abaixo da orelha — pequena marca em forma de coração.

Igor aproximou o dedo trêmulo da tela: Tamara segurava um cartaz escrito com caneta: “Criei sozinha enquanto o pai buscava a si mesmo.”

O ouvido zumbia como num avião decolando, o ar ficou denso e pegajoso no quarto.

Seu olhar se voltou para Sveta, sentada no chão, escolhendo filtro para selfie. Virou a cabeça, a luz da lâmpada destacando cada traço.

Igor viu o nariz, a curva da sobrancelha e o formato da orelha, que ela sempre escondia sob o cabelo longo.

— Papi? — chamou ela.

Agora a palavra não era brincadeira, era sentença, sem recurso. O celular caiu da mão úmida, batendo surdamente no tapete.

— Papi, por que está em silêncio? — riu Sveta, sem perceber que o rosto de Igor havia perdido toda cor. — Aliás, minha mãe sempre disse que a cor dos meus olhos muda como a do meu pai, hereditário! Qual a sua? Mostre!

Igor se virou lentamente, como em sonho, para o espelho do grande guarda-roupa. No reflexo, um velho olhava para ele.

As têmporas, que ontem ainda estavam cuidadosamente tingidas com produto caro, agora eram completamente brancas.

Ele estava indo da esposa para a própria filha.

E agora estava prestes…

O estômago se contraiu em cólica, um nó subiu à garganta. Sveta pulou, correu até ele e o abraçou por trás, o corpo colando ao dele.

— Você está tenso, querido — sussurrou no ouvido, com cheiro doce de chiclete. — Talvez deixemos de lado a formalidade? Talvez experimentemos hoje? Eu te desejo tanto…

Igor ofegava, mas não conseguia inspirar, o peito preso como por um anel de aço. Virou-se para ela, segurou seus ombros finos e a olhou com os olhos arregalados e assustados.

— Sveta… — rosnou com voz estranha e rouca, recuando como se fugisse do fogo. — Diga, sua mãe nunca disse o nome de quem você encontrou em Sochi?

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