Ele procurava uma esposa através de um anúncio… Mas quando as mulheres viram sua casa, todas ficaram chocadas e fugiram… Todas, exceto uma, que decidiu ficar 😨 😲
Tadeo Alcántara tinha trinta e quatro anos. Carpinteiro talentoso, com mãos fortes, mas delicadas e pacientes, que davam a cada corte, a cada entalhe, a sensação de que suas criações eram feitas para durar para sempre.
Ele não era pobre, não era cruel, e não era feio; ainda assim, sua casa afastava as pessoas. Construída em madeira e pedra, situava-se à beira de um abismo vertiginoso.
A varanda parecia flutuar sobre o nada, tão profunda que nunca se podia ver o fundo. Cada passo, cada som ao redor da casa parecia direcionar-se para o abismo, e as pessoas recuavam instintivamente.
Tadeo colocou um anúncio. Três mulheres chegaram, cheias de esperança… e todas fugiram no mesmo dia. A última saiu pálida como a morte, como se tivesse vislumbrado algo proibido nas profundezas escuras da casa.
Tadeo permaneceu por longos minutos imóvel na varanda, segurando o chapéu nas mãos, incapaz de compreender aquele silencioso repúdio.
Na vila, ninguém ousava falar abertamente, mas os sussurros se espalhavam rapidamente: — Aquela casa está amaldiçoada… — O abismo exige um preço mortal.
Então chegou a quarta.
Em Santa Fe, um bairro barulhento e rude do México, Elena Valdivia releu um antigo anúncio à luz do sol da tarde.
Ela tinha vinte e oito anos, quase sem dinheiro, e vivia em um apertado pensionato, onde até os suspiros dos vizinhos atravessavam as paredes.
Seis meses antes, ela ensinava em uma escola, respeitada e honesta como professora. Até que uma falsa acusação destruiu sua reputação. Ninguém a defendeu, e ela perdeu tudo silenciosamente.
O anúncio era simples, frágil, como um pequeno pedaço de papel: “Homem honesto, 34 anos, carpinteiro, procura esposa para uma vida simples e digna.”
Ele não prometia riqueza nem paixão. Apenas presença. E essa palavra atingiu o coração de Elena, profunda e repentinamente.
Naquela mesma noite, ela escreveu.
Duas semanas depois, chegou a carta. Com uma caligrafia firme e tranquila. E dinheiro para a viagem. Para Elena, era como se alguém tivesse estendido a mão sobre o abismo.
Quando entrou na carruagem, o cocheiro murmurou: — A senhora é a quarta. — E as outras? — Viram a casa… e se assustaram.
Elena fechou o casaco com mais força. À sua frente, o abismo se abria… Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela decidiu ficar.
Ao anoitecer, a carruagem chegou a San Sebastián del Valle. A vila era pouco mais que uma estrada empoeirada, algumas casas de tijolos e uma pequena igreja desbotada pelo sol.
Os homens jogavam dominó à sombra. Ao passar, alguém sussurrou: — Essa é a nova noiva de Tadeo… Que Deus a proteja.
A carruagem não parou. Continuou em direção às montanhas. O ar ficava cada vez mais frio e úmido. Após uma curva, Elena viu a casa.
Ela se erguia à beira de um enorme abismo. A varanda se projetava sobre o nada, como se estivesse suspensa no ar. Abaixo, o abismo se abria — negro e sem fundo.
O vento que soprava de lá fazia a madeira tremer, dando a impressão de que a casa respirava. Muitos diziam que era impossível dormir ali, pois o som do nada causava a sensação de queda iminente.
O cocheiro parou. — Por isso as outras foram embora, disse baixinho. Viram o abismo… e ouviram as histórias. Dizem que à noite o chão treme, e a chuva puxa lentamente a casa para baixo.
Elena sentiu o coração apertar. Então ela compreendeu por que nenhuma mulher havia ficado. Aquela casa forçava a pessoa a encarar o medo todos os dias.
A porta se abriu. Um homem alto apareceu. Tadeo. Ombros largos, olhos marcados por uma tristeza antiga. Tirou o chapéu respeitosamente.
— Senhorita Elena. Bem-vinda.
Dentro, tudo era limpo e sólido, cuidadosamente construído. Ainda assim, o silêncio era opressor, carregado de segredos invisíveis do passado.
— Se desejar, pode ir embora, disse calmamente. Não guardarei rancor. As outras não suportaram sequer a ideia de dormir na beira do abismo.
Elena então entendeu a verdade: não era a casa que afastava as pessoas, mas o medo que ela impunha, dia e noite.
Dias se passaram. Numa noite tempestuosa, o vento uivava pelo abismo, e pedras rolavam na escuridão. Elena viu uma figura criando o barulho de propósito. O medo não era natural — era mantido.
Ao amanhecer, a verdade veio à tona. Os boatos serviam para expulsar Tadeo de sua terra.
— Eu pensei que a casa estivesse amaldiçoada, murmurou ele. — Não, respondeu Elena. São as pessoas que semeiam o medo.
Então olharam um para o outro de maneira diferente.
Três mulheres fugiram do abismo. Elena ficou.
Pois ela compreendeu: o verdadeiro perigo não está no nada sob a casa, mas no medo que a pessoa se recusa a enfrentar.







