Minha sogra me colocou para fora do apartamento antes das festas: “Meu filho precisa de uma esposa à altura do status!” Ao sair, levei tudo da casa, até as lâmpadas.
O dia 28 de dezembro estava tão úmido e cinzento que Alisa, de pé junto à janela do escritório, observava a neve molhada grudando nos para-brisas dos carros no estacionamento e sentia o cansaço de sempre.
O final do ano para uma contadora é sempre corrido.
— Alisa, você enviou a declaração do IVA? — gritou a chefe contábil do corredor, uma mulher corpulenta.
— Envie, Jelena Petrovna, e também fiz a conciliação com os fornecedores.
— Bom trabalho, vá para casa antes que o trânsito fique ruim, você também precisa alimentar seu marido.
Alisa sorriu. Alimentar o marido era seu principal dever nos últimos cinco anos.
“Cansada”: vivendo com um gerente de sofá
Ela colocou sua jaqueta de plumas comprada em promoção há três anos (o zíper estava emperrado, mas ela não quis gastar dinheiro de novo), enrolou o cachecol no pescoço e saiu para a rua. O celular vibrou no bolso. SMS de Maxim: “Compre cerveja e camarão, estou cansado.”
Alisa suspirou. Maxim estava cansado. Ele vendia janelas de plástico em uma empresa onde entrava um cliente e meio por dia. Passava a maior parte do tempo jogando tanques no computador do trabalho ou fumando na entrada.
Mas parecia cansar-se como se estivesse carregando vagões cheios de carvão.
Na loja, Alisa fazia contas na cabeça. Restavam vinte e dois mil rublos no cartão. Para presentes (a sogra havia encomendado uma multicooker), para a ceia de fim de ano (caviar, peixe, carne), para contas. E ainda faltavam duas semanas para o salário.
Escolheu o menor camarão em promoção e foi para o caixa.
Em casa estava sufocante. Os radiadores emanavam calor, mas ninguém abria janelas — Olga Nikolayevna, a sogra, tinha medo de correntes de ar.
— Chegou — disse, em vez de cumprimentar, saindo do quarto em roupão de veludo e com bobes no cabelo. — Já estávamos esperando.
Maximka está com fome, vai estragar o estômago com esse horário.
— Eu trabalhei, Olga Nikolayevna.
— Trabalhou… — resmungou a sogra. — Ficou empurrando papéis, e o homem está de pé o dia todo. Comprou tudo?
— Tudo.
Maxim estava na cozinha, mexendo no celular.
— Ah, chegou. Então coloque na mesa. Cozinhe o camarão com endro, do jeito que eu gosto.
Alisa colocou as sacolas sem dizer uma palavra.
— Maxim, precisamos conversar sobre dinheiro.
— Já vai começar de novo? — fez cara feia, sem olhar para cima da tela. — Deixe-me comer em paz.
— Não estou começando, só há um buraco no orçamento. Seu salário não veio este mês de novo?
— Está atrasado, já disse! O chefe disse que pagaria depois das festas. Por que insiste? É culpa minha que há crise no país?
Alisa sabia que ele estava mentindo. Nada estava atrasado. Maxim já havia gasto seu salário (trinta mil rublos, quase nada). Em quê? Apostas? Cerveja com os amigos? Novas capas de assento? Nunca prestava contas. “Sou homem, ganhei, gastei.”
Barão do cripto de pantufas
Naquela noite, aconteceu o primeiro sinal que poderia abrir seus olhos. Mas Alisa, por costume, preferiu fechar.
Maxim, relaxado pelo álcool, disse de repente:
— Escuta, Alis. Tenho um esquema infalível.
— Que esquema? — ela respondeu de costas, lavando a louça.
— Um amigo, Seryozha, oferece um investimento. Você coloca cem mil, em um mês tira trezentos.
Alisa congelou.
— Maxim, não. Nenhum investimento. Já mal conseguimos sobreviver.
— Você não entende! — ele pulou, abraçando-a por trás (rara demonstração de carinho). — Esta é nossa chance! Vamos sair da pobreza! Vou comprar um casaco de pele para você, um voucher para o sanatório da minha mãe.
— Não temos cem mil.
— Empréstimo! — sussurrou em seu ouvido. — Pegue no seu nome. Não me dão, meu histórico de crédito é ruim (três microcréditos atrasados). O seu está limpo. Vou pagar com o primeiro lucro! Juro!
Alisa olhou em seus olhos. A febre do jogador ardia nele.
— Não, Maxim. Não vou pegar empréstimo. Tópico encerrado.
O rosto do homem mudou instantaneamente.
— Você é burra, vai passar a vida toda contando cada centavo. Estou tentando pela família, e você…
Bateu a porta. Alisa ficou com a louça suja e um mau pressentimento.
Noiva “de status” para o perdedor
No dia seguinte, Alisa já estava de manhã junto ao fogão. Olga Nikolayevna preparou um cardápio como se fosse para recepção no Kremlin: salada Olivier, arenque em casca, Mimosa, salada de palitos de caranguejo (de verdade, mas Alisa comprou de palito), gelatina de carne, carne assada.
— Alisa! — gritou a sogra. — Você cozinhou demais a cenoura! Maximka gosta crocante!
Maxim estava no salão, de folga (“está cansado”).
Às cinco horas, bateram à porta.
— Vieram me visitar! — animou-se a sogra. — Alisa, abra! Coloque na sala, use a louça de festa!
Alisa abriu a porta.
Na soleira estava uma jovem. Casaco de pele branco, botas de salto alto, cheiro de perfume caro.
— Boa tarde. Olga Nikolayevna mora aqui?
— Lidoczka! — exclamou a sogra. — Entre!
Maxim correu, com camisa recém-passada.
— Lida! Você… está fantástica!
— E ela, quem é? — Lida perguntou, apontando para Alisa. — A empregada doméstica?
— Pode-se dizer assim, uma ajuda doméstica — riu a sogra. — Mora aqui… por favor.
— Eu sou a esposa de Maxim — disse Alisa.
— Esposa? — Lida olhou para Maxim.
— Estamos em processo de divórcio, não vivemos juntos há muito tempo — gaguejou Maxim.
As palavras bateram como um tapa.
Do salão ouviu-se:
— Maxim precisa de uma esposa com status! — animou-se a sogra. — Isso foi apenas um erro de vila.
Alisa fez as malas. Roupas, documentos, coisas do filho. Depois, na cozinha, tudo o que ela havia comprado: caviar, linguiça, parmesão, salmão, carne assada. Na geladeira, só restou maionese e meio limão.
Também guardou os remédios. Desparafusou as lâmpadas. Desligou o circuito da sala. Guardou o controle do portão no bolso.
Pegou um táxi.
— Para onde?
— Para a minha nova vida. Rua da Floresta, na casa da minha irmã.
Dieta de Ano Novo: pelmeni e sonhos quebrados
Em casa, caos. A geladeira vazia. A jovem olhou com cara de desaprovação para os pelmen congelados.
— Pelmeni no Ano Novo? Sério?
Lida foi embora indignada. Maxim bateu o dedão do pé no escuro. A sogra chamou a ambulância por pressão 140. Os paramédicos os repreenderam.
Nova vida
A irmã a acolheu.
— Hoje chore, amanhã recomeçamos.
Alisa chorou. Depois foi trabalhar. A sogra enviou uma carta difamatória dizendo que ela tinha roubado dinheiro. Com ajuda de um advogado, Alisa respondeu e a sogra ficou em silêncio.
Conheceu Kolya, o zelador. Não era rico, dirigia um Lada, mas trouxe calor para sua vida. Meio ano depois se casaram.
Maxim deslizou. Perdeu o emprego, dívidas, bebida. Lida o deixou.
Dez anos depois
Clínica. Alisa bonita, tranquila. Em frente, sogra envelhecida e amarga e Maxim decadente.
— Me dê cem até a noite — disse Maxim.
— Não tenho dinheiro. E não vou transferir.
Saiu com Kolya.
— Quem eram? — Fantasmas do passado.
À noite, salada Mimosa na mesa. O filho contava histórias, Kolya ria.
Alisa sabia: felicidade não é status. Felicidade é dormir sem medo.
E quando a Mimosa é apenas salada — não uma repreensão.
E agora é a sua vez.
Vocês conseguiriam fazer isso? Deixar a geladeira vazia num só movimento? Ou sentiriam pena? Acreditam no efeito bumerangue, ou Alisa só teve sorte?
Escrevam nos comentários! E lembrem-se: a luz sempre é de vocês.







