No silêncio do corredor, o som do cetim rasgado era agudo e desagradável. O tecido cedeu — e a manga direita da blusa ficou presa apenas pelas palavras, deixando o ombro exposto.
Alina estremeceu. Nem tentou se cobrir. Apenas observava enquanto Zoya Pavlovna, ofegante, quase sem conseguir conter o grito, amassava o punho rasgado com o botão de madrepérola.
— Como assim abriu os olhos? — resmungou a sogra com voz rouca. Seu corpo ocupava o corredor com dificuldade, e o rosto estava vermelho púrpura. — Eu disse: tire!
Tudo! Você não trouxe nada para esta casa, apenas uma sacola do supermercado! Então leve agora! E o que é do Deniska — isso é propriedade da família!
Denis estava na porta da sala de estar. Encostando o ombro no batente, olhava para as unhas com curiosidade. Sentia-se desconfortável, mas não queria se intrometer.
Ao lado, no sofá de couro favorito, Regina estava sentada. Jovem, vivaz, com maquiagem provocativa. Folheava a revista de forma provocante, mas Alina percebeu que segurava as páginas com tanta força que a mão estava dormente. Regina estava aproveitando.
— Denis? — a voz de Alina era baixa, quase um sussurro. — Você permite que ela se comporte assim?
O homem finalmente olhou para cima. Havia tédio e irritação em seus olhos.
— Al, sua mãe está basicamente certa — deu de ombros. — Estamos nos separando. Regina vai ter um filho, ela precisa de conforto e tranquilidade. E você… só nos estressa com sua cara azeda.
Essa blusa é cara, uma peça de colecionador. Deixe. E o casaco de caxemira também. Vai servir perfeitamente para Regina, ela já experimentou.
— Experimentou? — perguntou Alina. De repente percebeu. O casaco havia desaparecido do armário há uma semana, Denis disse que tinha levado para a lavanderia.
— Tire, eu disse! — Zoya Pavlovna puxou novamente a blusa, agora pelo peito. — Tire, esse é o dinheiro do meu filho! Ou vou chamar a polícia e dizer que você é uma ladra!
Alina recuou, encostando-se na porta fria de metal. O cheiro de tabaco que vinha da sogra misturava-se ao perfume enjoativo de baunilha de Regina. A combinação lhe causou náusea.
Três anos. Três anos acordando às cinco da manhã para preparar a comida certa para Denis.
Três anos suportando as visitas de Zoya Pavlovna, que verificava o pó com um lenço branco. Três anos ouvindo nada sobre quem ela realmente era, porque queria ser amada, não pelo patrimônio do pai.
— Certo — Alina desabotoou lentamente os botões ainda intactos.
Colocou a blusa arruinada aos pés da sogra. Depois vieram os sapatos de grife. Alina usava apenas jeans simples e uma blusa de casa. Da velha bolsa desgastada, que usou no primeiro encontro, tirou o chaveiro.
— E o telefone também! — gritou Zoya Pavlovna, empinando o quadril. — O aparelho mais novo, ainda temos que pagar o crédito!
Alina colocou o telefone silenciosamente na mesa de cabeceira.
— E o anel!
A aliança de ouro rolou pelo parquet com um toque seco.
— Tudo? — perguntou Alina, olhando para o marido.
Denis desviou o olhar.
— Vá, Al. Não insista.
Alina colocou a velha jaqueta jeans, calçou os tênis desgastados. Abriu a porta. O vento de outubro entrou do hall, úmido e frio.
— Que sua alma também não fique aqui! — gritou a sogra, batendo a porta com estrondo. A fechadura rangiu.
Alina ficou sozinha no hall. Com mãos trêmulas, procurou no bolso interno da jaqueta. Ali estava o pequeno celular, guardado por segurança. O momento chegou.
Discou de memória. O toque foi longo.
— Alô — disse uma voz masculina profunda e confiante.
— Pai, sou eu.
Do outro lado da linha, silêncio. Viktor Petrovich, proprietário do Grupo Armada, o homem que sócios temiam e ministros respeitavam, ficou em silêncio por três segundos.
— Filha? Está chorando?
— Não. Só estou com frio. Pai, a experiência de sentimentos sem dinheiro acabou.
— Fizeram mal a você?
— Fui demitida. Me deixaram como estava. Disseram que eu era pobre.
— Endereço.
— No hall de entrada. Pai…
— O quê?
— A empresa do Denis, Logistic-Star. Seus carregamentos estão indo para o norte. Este é o único grande contrato deles.
— Sei. Mantive por sua causa. Você pediu para ajudar o rapaz a se levantar.
— O rapaz se levantou. E agora pensou que podia pisar em mim. Pai, quero que tudo seja feito legalmente.
Auditoria completa. Verificação de todas as contas, multas por atrasos ocultadas. E… o escritório. Está no seu centro empresarial, certo?
— No Olymp. Aluguel com desconto, com visto pessoal.
— Cancele o desconto. Que paguem preço de mercado. A partir de hoje.
— Entendido. O carro chega em dez minutos. Artur traz.
Alina desligou o telefone. As pernas fraquejaram, apoiou-se na parede. Só agora começou a tremer. Não pelo frio — mas por perceber que jogou três anos de vida no lixo.
Na segunda-feira de manhã, no escritório da Logistic-Star, não se começou com café. Denis entrou assobiando. Estava de ótimo humor: Regina estava simpática, a mãe finalmente tranquila, e Alina… bem, ela tinha arrumado encrenca para si mesma.
Na recepção, havia um silêncio suspeito. A secretária, Lenochka, telefonava nervosa.
— Denis Andreyevich! — levantou-se ao ver o chefe. — Lá… na sala de reuniões…
— Quem está lá? A Receita? — sorriu Denis. — Tudo certo, verifiquei.
Abriu a porta da sala de reuniões. Três homens em ternos cinza caros estavam sentados à mesa comprida. Pilhas de pastas estavam diante deles.
— Bom dia, Denis Andreyevich — disse um deles, sem se levantar. — Viemos da segurança do Grupo Armada. Estamos realizando uma auditoria extraordinária na sua empresa.
Denis sentiu a garganta apertar.
— Que auditoria? Temos contrato exclusivo! Não poderiam vir sem aviso…
— Cláusula 4.2 do contrato: o cliente pode verificar as atividades financeiras e operacionais a qualquer momento — citou o homem, abrindo a pasta. — Sabe o que encontramos nas primeiras duas horas?
Lançou uma folha sobre a mesa.
— Quilometragem falsa. Faturas de combustível fictícias. Entregas atrasadas em Norilsk, que foram escondidas e falsificadas.
— É apenas um erro… — sussurrou Denis. As pernas fraquejaram. — Dá para explicar… Vou ligar para Viktor Petrovich, eu…
— Viktor Petrovich disse que não negocia com fraudadores. O contrato foi rescindido. Multa de 120 milhões de rublos. Prazo de pagamento: três dias bancários.
— Quanto?! — Denis caiu na cadeira. Não tinha tanto dinheiro. O faturamento da empresa inteira era menor que isso.
— E mais — acrescentou o segundo auditor. — A administração do centro empresarial comunicou que o aluguel com desconto foi cancelado. A reavaliação dos últimos três anos pelo preço de mercado chegará amanhã.
Denis apenas respirava ofegante. O telefone vibrava constantemente no bolso. Era Zoya Pavlovna ligando.
Atendeu automaticamente.
— Denis! — gritou a mãe. — Vieram pessoas! Dizem que é do banco! O apartamento penhorado, contas da empresa bloqueadas! Levam equipamentos! Denis, faça algo!
— Mamãe… — falou com voz rouca. — Não posso.
— Como não pode?! Você é CEO! Ligue para seus parceiros!
— Parceiros… — Denis olhou para os auditores. Eles o olharam com desprezo, como se ele fosse invisível. — Mamãe, os parceiros nos destruíram.
A reunião para assinar os papéis seria em uma semana. Não no escritório, nem no tribunal. No cartório, no centro da cidade.
Denis chegou de táxi, classe econômica. Vendeu o carro ontem aos comerciantes por metade do preço, para ao menos pagar os salários dos trabalhadores que ameaçavam na promotoria.
Parecia que não dormia há uma semana: sem barba, camisa amassada.
A porta se abriu. Alina entrou.
Denis estremeceu para dizer algo, mas parou. Não era a Alina dele.
Um conjunto de calças cor marfim estava nela, provavelmente valendo tanto quanto o carro antigo dele. O cabelo, sempre preso em rabo de cavalo, agora caía em ondas luxuosas sobre os ombros.
Era caro. Não apenas rica, mas de status — mulheres assim parecem dominar o mundo.
Em seguida entrou um homem alto — seu pai, Viktor Petrovich.
— Pai?! — respirou Denis. — Viktor Petrovich? O senhor… conhece?
Viktor Petrovich nem olhou para ele. Empurrou a cadeira para a filha.
— Sente-se, Alina Viktorovna.
— Alina… Viktorovna? — Denis olhou para a ex-esposa e o grande empresário. O quebra-cabeça começou a se encaixar em sua mente. — Romanova… Alina Romanova.
Ele se lembrou. Lembrou que ela pediu para não pegar empréstimos. Como aconselhou a tentar outro fornecedor (e deu certo). Como sorriu quando se gabou dos sucessos.
— Você… — sussurrou. — Você é filha da Armada?
— Sou a acionista majoritária, Denis — respondeu Alina calmamente. A voz não revelou emoção alguma. — Papai me deu aos dezoito anos.
Apenas não me intrometi na gestão. Queria viver uma vida normal. Ter família.
— Por que ficou calada?! — gritou Denis. — Por que não pudemos… Eu…
— Pudemos o quê? — Alina ergueu os olhos. Olhar gelado. — Amaria mais? Respeitaria? Ou apenas usaria meus recursos, como agora tenta extrair o restante da minha empresa?
— Al, desculpe… — escondeu as mãos no rosto. — Não sei de nada. Regina… foi embora assim que soube das dívidas. O apartamento já foi tomado. O chalé penhorado.
— Devolva a blusa — disse Alina de repente.
— O quê?
— Devolva a blusa que sua mãe destruiu. E os sapatos.
— Certo… no lixo… por que diz isso? Nossa vida está desmoronando!
— Sua vida desmoronou quando decidiram julgar alguém pelo valor de suas roupas. Assine.
Ela estendeu os papéis.
— O que é isso?
— Renúncia de reivindicações. Quitarei a dívida da empresa com a Armada. Com meus próprios dividendos.
Denis levantou a cabeça. Um lampejo de esperança surgiu em seus olhos.
— Você nos perdoa? Al, obrigado! Eu sabia que…
— Não perdoo — interrompeu. — Estou comprando minha liberdade. Para nunca mais ver você ou sua mãe. Seu saldo será zero.
Sem dívidas, mas sem negócio. Sem apartamento, pois estava penhorado por outros empréstimos que não pretendo pagar. Você recomeçará, como eu, quando saí do seu apartamento.
Denis segurou a caneta com mãos trêmulas. Assinou.
Alina se levantou.
— Vamos, pai.
Na saída, Denis tentou segurar sua mão.
— Alina! E os sentimentos? Três anos… tudo mentira?
Ela olhou para ele como se tocasse algo sujo.
— Houve sentimentos. Da minha parte. Da sua, apenas conforto. Adeus, Denis.
Seis meses depois.
Zoya Pavlovna estava na portaria do alojamento da fábrica de estruturas de aço. O trabalho não era pesado: entregar chaves, registrar visitantes, advertir os moradores. Pagavam menos, mas ao menos tinha um quarto de serviço.
Na pequena TV na parede, notícias sociais passavam.
— …Alina Romanova, diretora da fundação beneficente Segunda Chance, inaugurou hoje um novo centro para mulheres em dificuldades — tagarelava a apresentadora.
Na tela, Alina aparecia. Linda, forte, radiante. Segurava a mão de uma menina pequena e sorria. Ao lado, um jovem homem a observava como Denis jamais a olhou.
Zoya Pavlovna apertou os olhos. A visão começava a falhar, não tinha dinheiro para óculos.
— Olhe só, que elegante! — murmurou, tomando um gole do chá frio da xícara rachada. — E pensar que um dia… era apenas uma menina simples. Quem diria.
A porta rangeu. Denis entrou. Agora já
trabalhava como entregador de comida. A caixa amarela nas costas parecia enorme em seu corpo curvado.
— Viu? — acenou a mãe para a tela.
Denis olhou rapidamente, onde Alina cortava a fita vermelha.
— Vi, mãe.
— E o casaco… Aquele caxemira. Naquela época pensei — bom material, pena ter jogado fora — suspirou Zoya Pavlovna. — Meu querido filho, que oportunidade vocês perderam. Poderíamos viver normalmente.
Denis colocou a caixa no canto em silêncio. Lembrou-se daquele som. O estalo do tecido. A voz que atravessou suas vidas.







