Por Que Me Quis Então

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

– Querido, só para te lembrar, Juri é teu filho. Não meu. E já tem trinta anos. Se quiser morar em um apartamento maior, que pague por ele sozinho.

Eu não vou mais contribuir para a hipoteca de vocês… – disse Gergő com firmeza, enquanto fixava o olhar em Okszana.

– Gergő, desculpa pelo atraso… O trânsito está terrível – disse Okszana com voz triste e exausta ao telefone.

– Sem problemas – respondeu o homem calmamente, sem perder a paciência por um instante. – Tenha cuidado. Vou esperar por você.

Depois da ligação, Gergő se aproximou da janela do café e olhou demoradamente os casais jovens caminhando na rua. Sorriam de mãos dadas, conversando – e tudo isso despertava em Gergő pensamentos profundos e agridoce.

Ele havia acabado de completar sessenta anos. Seus amigos organizaram uma festa luxuosa de aniversário, cheia de risadas, champanhe e pequenos presentes.

Mas diante dos olhos dele, não aparecia a felicidade alheia, mas o vazio. Ele havia perdido a esposa há dez anos, nunca tiveram filhos, e agora precisava enfrentar a vida sozinho.

O único consolo era saber que havia acumulado uma boa fortuna: uma casa grande, carro e uma conta bancária considerável. Com os juros, podia viver confortavelmente.

Mas a vida não era só dinheiro. Gergő desejava uma companheira, uma mulher para compartilhar o dia a dia, rir, amar, cuidar um do outro. E então apareceu Okszana.

Okszana era dez anos mais nova, divorciada, e tinha um filho jovem e irresponsável, Juri. Juri mudava constantemente de emprego, não tinha renda fixa nem terminou seus estudos.

Mas Okszana era encantadora: sabia cozinhar, sempre bem cuidada e gostava de cuidar de Gergő. No quarto, tudo era perfeito. Tinha seu próprio apartamento, carro e casa de veraneio, então não havia preocupações financeiras.

E, talvez o mais importante: nenhum deles precisava do patrimônio do outro. Assim, Gergő casou-se em paz e segurança.

No dia em que Okszana chegou, Gergő segurava o anel, pronto para a grande pergunta:

– Você quer se casar comigo?

Os olhos de Okszana se encheram de lágrimas, e ela assentiu:

– Sim!

Dois meses depois, celebraram o casamento. Não foi luxuoso, mas íntimo e bonito. Apenas amigos próximos e familiares foram convidados. Gergő cuidou para que todos saíssem satisfeitos e bem alimentados.

À noite, no quarto, enquanto se abraçavam, Gergő disse:

– É verão, precisamos arrumar a casa de veraneio. Quero ir lá, relaxar e tomar sol à beira do lago.

– O telhado está vazando um pouco, e a casa precisa de reparos – respondeu Okszana.

Gergő não perdeu tempo: contratou trabalhadores, comprou materiais e supervisionou os trabalhos rigorosamente. Algumas semanas depois, o antigo chalé soviético mal podia ser reconhecido.

– Você é maravilhosa – disse Okszana, beijando o rosto dele.

Gergő ficou surpreso, e seu rosto corou.

Mas a felicidade começou a ser sombreada: descobriu-se que Okszana não tinha trabalho fixo, e a renda da família quase se esgotava. Ela e Juri dependiam de economias do falecido pai.

– Não imaginei que o dinheiro acabaria tão rápido – disse Okszana, olhando para Gergő com arrependimento.

Gergő suspirou fundo, mas não quis discutir.

– Não se preocupe, tenho dinheiro suficiente para sustentar vocês. Mas Juri… ele precisa arrumar um emprego. Não quero sustentar um filho adulto – disse.

– Claro – abraçou-o Okszana. – Vou falar com ele. Te amo.

– Também te amo – respondeu Gergő, embora uma pequena dúvida surgisse em seu coração.

Nas primeiras semanas, não se falou em dinheiro. Gergő garantiu que Okszana tivesse um cartão bancário, depositando regularmente pequenas quantias, suficientes para alimentação e pequenas despesas.

Mas um mês depois, Okszana voltou a pedir dinheiro:

– Querido, me dá sessenta mil forints.

Gergő ficou surpreso: o dinheiro havia, mas queria saber para quê.

– Para quê? – perguntou cautelosamente.

– Não vou dizer – respondeu Okszana, piscando e sorrindo misteriosamente.

Gergő riu um pouco:

– Nada ilegal, espero?

– Claro que não – disse Okszana, depois o beijou, desviando qualquer pensamento.

Mas isso foi só o começo. Um mês depois, ela voltou a pedir:

– Gergő, me dá sessenta mil forints.

Gergő franziu a testa:

– Para quê?

– É segredo – tentou novamente Okszana.

– Já é a segunda vez, conte! – disse ele severo.

– Nem precisa saber, é da família… – murmurou Okszana.

– O quê? – perguntou Gergő.

Okszana ergueu orgulhosamente a cabeça:

– Para a hipoteca!

Gergő ficou boquiaberto:

– Que hipoteca? Comprou outro apartamento? Já temos nossa casa!

– Não, é a minha hipoteca – suspirou Okszana.

O rosto de Gergő escureceu:

– Espere… Antes do casamento perguntei se você tinha dívidas. Disse que não. E eu acreditei em você. E agora você mente?

– Claro que menti. Sabia que você não se casaria se soubesse a verdade. Me perdoa – confessou Okszana.

– Certo – tentou manter a calma –, qual é a dívida total?

– Cinco milhões ainda.

Gergő apenas assobiou.

– E Juri paga alguma coisa?

– Claro que não! Nem pediria ao meu filho.

– Mas você também não consegue pagar a hipoteca. Então o que faremos? – perguntou Gergő, começando a se irritar.

– Querido, você tem dinheiro, sei disso. Vai me ajudar? – disse Okszana, sorrindo.

Mas Gergő não queria financiar algo que não era da sua conta.

– Tenho uma ideia – disse firme. – Você mora comigo, Juri não precisa do seu apartamento de dois quartos. Venda-o, pague a dívida, e compre um lugar menor para Juri.

O rosto de Okszana escureceu.

– Não vou vender meu apartamento! E Juri teria apenas um quarto? E se formar uma família? Onde levaria a esposa? Onde criaria os filhos?

Gergő levou a mão ao rosto, depois olhou seriamente para Okszana:

– Querida, só para lembrar, Juri é teu filho. Não meu. E já tem trinta anos. Se quiser um apartamento maior, que pague por ele. Não vou contribuir para a hipoteca.

– Então para que você está comigo? – gritou Okszana, furiosa.

Foi então que Gergő percebeu: para Okszana, ele não era um companheiro, mas um caixa eletrônico, sustentando ambos – ela e Juri.

– Pergunto o mesmo a você… Okszana.

Não é de se admirar que pouco tempo depois se divorciaram. Okszana tentou reivindicar algo de Gergő, mas todas as economias dele foram feitas antes do casamento, então ela não tinha direito a nada.

Gergő decidiu então: já chega de casamentos. Se encontrar alguém novamente, viverão juntos, mas sem papéis oficiais, e não sustentará totalmente a parceira.

O dinheiro poupado será útil: custos médicos, saúde, aposentadoria… a idade não é brincadeira.

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