Elena acordou com uma batida insistente na porta. O relógio marcava pouco antes das seis e quinze da manhã — aquela hora em que pessoas normais ainda dormem profundamente, especialmente no fim de semana.
— Quem pode ser a esta hora? — resmungou Sergey, enquanto pegava seu robe.
— Talvez os vizinhos… — bocejou Elena, ainda meio adormecida. — Ou aconteceu alguma coisa…
Sergey saiu para o corredor, e um minuto depois Elena ouviu a voz de sua sogra:
— Sergey, meu filho! Onde está sua esposa? Viemos por causa de um assunto!
Elena franziu a testa. “O quê?” Quem mais poderia aparecer tão cedo na companhia de Tamara Nikolaevna?
Rapidamente pegou seu robe, saiu para o corredor e viu a sogra acompanhada de um homem baixo, carregando uma pasta de documentos.
— Lenochka! — exclamou falsamente contente Tamara Nikolaevna, enquanto um sorriso calculista brilhava no canto dos olhos. — Viemos justamente para vocês! Conheça: ele é Arkadij Lvovich, avaliador de imóveis.
O coração de Elena apertou.
— Avaliador? — perguntou, olhando ao redor para o marido. — Por quê?
— Só assim, — deu de ombros a sogra, como se não fosse grande coisa. — É preciso saber quanto vale o pequeno apartamento de vocês. Nunca se sabe o que pode acontecer na vida!
Arkadij Lvovich andava de um lado para o outro, visivelmente sentindo a tensão no ar.
— Desculpe, — disse Elena ao avaliador, — mas quem solicitou seu serviço?
— Sergey Viktorovich, — respondeu o homem, apontando para o marido. — Ele me ligou ontem à noite e pediu para que eu viesse cedo.
Elena se voltou lentamente para Sergey. Ele abaixou o olhar e permaneceu em silêncio.
— Sergey, — começou Elena suavemente, — precisamos conversar. A sós.
— Sobre o quê deveríamos conversar! — interrompeu Tamara Nikolaevna. — Arkadij Lvovich precisa ser pago pelo tempo! Vamos verificar tudo rapidamente e podemos ir!
— Tamara Nikolaevna, — Elena tentou falar calmamente, com tensão na voz — explique, por favor, por que é necessário avaliar nosso apartamento?
Os lábios da sogra se apertaram firmemente.
— Ora, por quê! Sergey precisa saber com o que está lidando! Esta é a casa dele!
— Desculpe, — disse Arkadij Lvovich, — mas você é a proprietária do apartamento?
— Eu, — respondeu Elena com firmeza. — O apartamento está no meu nome.
— Então preciso de uma autorização ou consentimento por escrito para a avaliação, — disse o avaliador.
— Que autorização? — indignou-se Tamara Nikolaevna. — Afinal, trata-se de um casal!
— Isso não dá direito a um cônjuge de dispor do patrimônio pessoal do outro, — explicou pacientemente o especialista.
Elena puxou uma pasta do armário.
— Aqui está a escritura, — mostrou a Arkadij Lvovich. — Como pode ver, o apartamento foi comprado antes do casamento. É meu patrimônio pessoal.
O avaliador examinou o documento e assentiu.
— Entendi. Então, sem sua permissão, não posso trabalhar.
— E eu não dou permissão, — disse Elena com firmeza.
— Lena! — exclamou Sergey. — O que você está fazendo?
— Apenas protegendo meus direitos, — respondeu Elena calmamente. — Arkadij Lvovich, desculpe pelo tempo perdido. A solicitação foi feita sem meu conhecimento.
O homem suspirou aliviado.
— Sem problemas. Isso acontece. Até mais.
Quando a porta se fechou atrás do avaliador, Tamara Nikolaevna se virou para a nora:
— O que você fez, garota louca?! Por que mandou embora o especialista?
— Tamara Nikolaevna, — Elena sentou-se na poltrona, — explique o que está acontecendo aqui. Por que, em segredo, você e meu marido solicitaram a avaliação do meu apartamento?
— Teu apartamento?! — bufou a sogra. — Sergey mora nele, então é da nossa família!
— Não, — Elena balançou a cabeça. — Seria um apartamento familiar se o tivéssemos comprado juntos durante o casamento. Mas este é meu patrimônio pessoal.
— Mas Sergey tem direitos! — insistiu Tamara Nikolaevna.
— Que direitos?
— Os direitos do marido! Ele é a cabeça da família!
Elena cansada esfregou as têmporas.
— Tamara Nikolaevna, ser a cabeça da família e ser proprietário de imóveis são duas coisas diferentes. Sergey mora no meu apartamento porque é meu marido e eu o amo. Mas isso não lhe dá propriedade.
— E se vocês se divorciarem? — provocou a sogra.
— Está planejando o divórcio? — Elena olhou para o marido.
Sergey permaneceu em silêncio, sentado na beira do sofá.
— Sergey, — chamou Elena — você pretende se separar de mim?
— Não… Quer dizer… Não sei… — murmurou.
— Como assim, não sabe? — surpreendeu-se Elena. — Ontem à noite foi dormir pensando em divórcio?
— Não, claro que não…
— Então por que foi necessária a avaliação do meu apartamento?
— Minha mãe disse que é preciso saber…
— Saber o quê?
— Quanto poderia… se acaso…
Elena sentiu tudo congelar por dentro.
— Se acaso? — perguntou ela.
— Bem… se nosso relacionamento não der certo… — Sergey não levantou o olhar.
— Sergey, — disse Elena suavemente — olhe para mim.
Ele ergueu os olhos. Havia culpa e medo refletidos em seu olhar.
— Diga honestamente: nosso relacionamento vai bem?
— Sim… Na verdade, sim…
— Estou te maltratando?
— Não…
— Exigi o impossível de você?
— Não…
— Então explique de onde vem esse medo sobre nosso futuro?
Sergey olhou para a mãe.
— Minha mãe disse que mulheres são impulsivas… Que você poderia mudar de ideia…
— E você acreditou mais na sua mãe do que na sua própria esposa?
— Só quis ter certeza…
Elena se levantou e caminhou até a janela. Lá fora, a manhã de sábado se desenrolava como de costume. As pessoas seguiam suas vidas, vivendo o próprio cotidiano. Mas em sua casa, a confiança havia desmoronado.
— Tamara Nikolaevna, — disse ela sem se virar — explique-me, o que te preocupa no nosso relacionamento?
— O futuro do meu filho! — respondeu a sogra abruptamente.
— O que exatamente te preocupa no futuro dele?
— Que dependa completamente de você! Completamente!
— E isso é ruim?
— Claro! — exclamou Tamara Nikolaevna. — Um homem precisa ser independente!
Elena se virou para ela.
— Concordo. Um homem precisa ser independente. Tamara Nikolaevna, e seu filho é independente?
— Ele… ainda é jovem…
— Vinte e oito anos. Trabalha?
— Trabalha…
— Onde?
— No escritório de um amigo…
— Com que salário?
Tamara Nikolaevna permaneceu em silêncio, constrangida.
— Bem… estão apenas começando…
— Então não recebe salário, — constatou Elena. — Quem paga nossas despesas?
— Você…
— Quem comprou o carro que Sergey usa?
— Você…
— Quem paga combustível, seguro, manutenção?
— Você… Mas é apenas temporário! — acrescentou a sogra.
— Já faz dois anos que é temporário, — observou Elena. — Tamara Nikolaevna, explique: você acha que seu filho é independente e tem direito ao meu apartamento?
— Ele é marido! O marido tem direitos!
— Ele não participou da compra do apartamento. Não pagou a reforma. Não paga as contas. Com base em quê teria direitos?
— Com base em ser homem! — gritou a sogra.
— Isso não é base para adquirir propriedade, — respondeu Elena calmamente.
— E o amor? — de repente disse Sergey. — O amor não conta?
Elena olhou para o marido.
— O amor significa muito, — disse ela. — Do amor compartilho tudo com você que é meu. Você mora no meu apartamento, dirige meu carro, eu compro roupas e comida para você. Isso não é suficiente?
— É suficiente… — respondeu ele baixinho.
— Então por que quer saber o valor do apartamento?
— Minha mãe disse que é meu direito…
— Sergey, — Elena sentou-se ao lado dele — você tem direito de viver no apartamento como meu marido. Pode usar tudo que está aqui. Mas não é proprietário. Entende a diferença?
— Entendo…
— E isso não te agrada?
— Gosto… Só que minha mãe diz que é incerto…
— O que é incerto?
— Viver na casa de outra pessoa…
— Onde está seguro?
— No próprio…
— Tem seu próprio apartamento?
— Não…
— Tem dinheiro para comprar?
— Não…
— Então sobre o que estamos falando?
Sergey deu de ombros impotente.
— Exatamente, — assentiu Elena. — Sergey, meu apartamento pode ser seu lar até o fim da vida. Não vou te expulsar. Mas você não será proprietário.
— E se você morrer? — perguntou subitamente Tamara Nikolaevna.
— Desculpe? — Elena ficou chocada.
— Se você morrer, o que acontecerá com o apartamento? Sergey ficará na rua?
Elena olhou longamente para a sogra, não acreditando no que ouviu.
— Tamara Nikolaevna, — finalmente falou — você está planejando minha morte?
— Que absurdo! — indignou-se a mulher. — Isso apenas acontece na vida!
— Acontece, — assentiu Elena. — Se algo me acontecer, de acordo com o testamento, o apartamento vai para Sergey. Está satisfeito?
— Você tem testamento? — animou-se a sogra.
— Tenho. O apartamento vai para meu marido.
— Ohhh… — Tamara Nikolaevna se espreguiçou. — Então tudo bem…
— Tamara Nikolaevna, — disse Elena cansada — explique: o que você quer de mim?
— Quero que meu filho esteja protegido!
— Protegido de quem? De mim?
— De… surpresas!
— Que surpresas?
— De várias! — deu de ombros a sogra.
Elena se levantou e caminhou lentamente pela sala.
— Entendi, — disse. — Tamara Nikolaevna, então você acha que eu represento uma ameaça para seu filho?
— Não uma ameaça… Mas um risco…
— Que tipo de risco?
— Você pode deixá-lo!
— Com base em quê chegou a essa conclusão?
— Você é independente… Autônoma… Não precisa dele!
Elena parou diante da sogra.
— Se não preciso dele, por que me casei com ele?
— Não sei! — admitiu sinceramente Tamara Nikolaevna. — Talvez por solidão!
— E você acha que o que poderia me levar a viver com um homem de quem não preciso?
— Obrigação!
— Que tipo de obrigação?
— Familiar! Você se tornou esposa!
— E o que isso significa?
— Que terá que estar com ele por toda a vida!
— Independentemente de como o relacionamento evolua?
— Independentemente!
— E se ele maltratar?
— Não maltrata!
— E se trair?
— Não faz!
— E se se afundar na bebida?
— Não bebe!
— E se simplesmente se tornar indiferente?
Tamara Nikolaevna ficou em silêncio.
— Isso não é motivo para divórcio, — disse por fim.
— E você acha que é?
— Infidelidade, violência… coisas sérias.
— E a incompatibilidade de caráter?
— Bobagem! Eles se acostumam!
— E objetivos de vida diferentes?
— Adapta-se!
— Quem se adapta?
— Bem… a esposa…
Elena balançou a cabeça.
— Tamara Nikolaevna, você vive no século passado. Hoje a família é baseada em igualdade e respeito mútuo.
— Bobagem! — deu de ombros a sogra. — Alguém precisa ser o líder!
— Concordo. E na nossa família, eu sou a chefe. Porque sou eu quem ganha o dinheiro e toma as decisões.
— Isso está errado!
— Por quê?
— O homem deve liderar!
— Então que seu filho seja homem. Arrume um trabalho, comece a ganhar, assuma responsabilidades.
— Ele já é homem!
— Biologicamente sim. Socialmente, não.
Tamara Nikolaevna empalideceu.
— Como ousa! — gritou. — Este é meu filho!
— E daí? — espantou-se Elena. — Só porque você o gerou não significa automaticamente que ele é independente.
— Bom homem!
— Concordo. Bom, amável, carinhoso. Mas não independente.
— E qual é o problema nisso? — disse Sergey.
— O problema é que você é um homem adulto, mas ainda se comporta como um adolescente.
— Não sou adolescente!
— Prove!
— Como?
— Arrume um emprego. Comece a ganhar. Contribua para as despesas da família.
— E se não conseguir?
— Conseguirá, se levar a sério. — Elena respirou fundo, depois continuou com voz mais suave. — Sergey, amor não substitui responsabilidade. Se você quer que nosso relacionamento seja forte, deve assumir também as decisões que vêm com sua própria vida.
Sergey permaneceu em silêncio, balançando a cabeça lentamente. Seu olhar encontrou o de Elena, e algo intangível, mas profundamente sincero, brilhou entre eles.
Tamara Nikolaevna ainda estava de rosto tenso ao fundo.
— Lena… — começou hesitante — mas ele é meu filho…
— Entendo, Tamara Nikolaevna, — respondeu Elena calmamente. — E se seu filho não está pronto para a própria vida, então devemos ajudá-lo a amadurecer, não controlar minha vida tirando suas decisões.
A sogra recuou lentamente um passo, como se o peso das palavras estivesse quebrando sua rigidez. Arkadij Lvovich já havia ido embora, e no silêncio do apartamento restava apenas a tensão e os sons de um sábado de manhã despertando lentamente.
Sergey finalmente se levantou e se aproximou de Elena.
— Tudo bem, — disse mais baixo, mas firmemente — eu… vou tentar. Prometo que começarei a assumir minha própria vida.
Elena segurou sua mão, e um breve sorriso apareceu em seu rosto.
— Isso é tudo que eu pedi. Não precisamos de patrimônio, nem de apartamento, nem de avaliação. Apenas de crescer lado a lado, como parceiros iguais.
Tamara Nikolaevna ainda os observava, mas já não tinha voz para protestar. Ficou em silêncio, e talvez pela primeira vez pensou realmente sobre o relacionamento de seu filho e nora.
Elena e Sergey se olharam, e a tensão começou a se dissolver lentamente. A verdadeira prova não era o apartamento ou o dinheiro, mas a confiança e a assunção de responsabilidades. E agora, finalmente, ambos estavam prontos para enfrentá-la juntos.







