O apartamento estava cheio com o cheiro de bolo recém-assado e chá aromático.
Doze pessoas estavam sentadas à volta da grande mesa, suas risadas e conversas se misturando com o alegre som dos talheres e o tilintar dos copos. Um dos parentes levantou um copo:
— Vamos brindar a Mikhail e Svetlana! Que finalmente apareça um filho para vocês! Já se passaram cinco anos e nossa família ainda não cresceu.
A esposa do homem que fez o brinde inclinou-se para Mikhail, colocou a mão sobre a dele e disse com compaixão:
— Talvez vocês devessem procurar tratamento? Conhecemos um bom médico. Podemos ligar e marcar uma consulta.
Os parentes ouviram a sugestão e assentiram com aprovação. Seus olhares estavam fixos em Mikhail, que estava corando.
Mikhail se levantou abruptamente. Seus olhos percorriam a sala, saltando de Svetlana para o resto da família.
— Já verificamos tudo há muito tempo! — Sua voz tremia, não de emoção, mas de irritação.
— Não há necessidade de nenhum exame. Tudo foi feito. Infelizmente, minha Sveta tem sérios problemas de saúde e nunca poderá ser mãe. Mas eu a amo e… Sim, minha esposa não terá filhos, e ponto final.
O silêncio caiu na sala. Os parentes olhavam para Sveta — alguns com compaixão, outros com ressentimento venenoso. A avó bufou:
— Eu disse que Mikhail se casou com uma mulher com problemas. E vocês ainda gritaram comigo.
— Não aconteceu nada — disse a mãe de Mikhail, Maria Petrovna, tentando aliviar a tensão. — Eu amo Sveta como minha própria filha e estou muito feliz que ela esteja em nossa casa.
Sveta sentiu como se uma descarga elétrica a atingisse. Algo dentro dela estalou, frio e definitivo: chega, não dá mais. Cinco anos atrás ela era diferente — jovem, confiável.
Depois, quando descobriu os encantos da vida familiar em toda sua glória, acreditava que tudo se resolveria sozinho se ela apenas se esforçasse.
Maria Petrovna estava encantada desde o início: Svetlana, com formação médica, trabalha como enfermeira, sabe lidar com injeções e soro. Isso se mostrou muito prático, porque no quarto ao lado estava seu marido doente.
Claro que Maria Petrovna estava satisfeita. Todas as responsabilidades recaiam sobre os ombros de Sveta: cozinhar, lavar roupa, panelas sem fim, remédios administrados pontualmente, curativos, levantar-se à noite.
Ela lavava o chão de joelhos, trocava a roupa de cama do sogro acamado, contava comprimidos e ouvia ansiosamente a respiração dele sempre que ele começava a sufocar.
— Temos muita sorte — dizia Maria Petrovna às vizinhas, como se Sveta não fosse nora, mas um negócio lucrativo.
Sveta lembrou-se de ter tentado convencer Mikhail a se mudarem. Silenciosamente, escolhendo cuidadosamente as palavras: “Vamos tentar morar separados; será mais fácil consertar nosso relacionamento”.
Maria Petrovna explodiu, começou a repreender — como você pode abandonar sua mãe, ingrata, impiedosa. Mikhail nem hesitou, imediatamente ficou do lado da mãe.
A mãe de Sveta morava em outra região e falava calmamente ao telefone, como se lesse uma frase decorada:
— É normal, querida, toda esposa carrega sua própria cruz.
Quando Sveta perguntou certa vez se poderia voltar para casa, houve silêncio na linha e depois:
— Fugir de um marido tão “positivo” seria tolice. Não quero depois explicar a todos por que minha filha fez isso. Aguente.
Mas hoje Sveta decidiu que não iria mais aguentar. Ela ainda amava o marido. Mas o que ele disse diante de todos os parentes tornou-se um ponto sem retorno, apagando todos os sentimentos ainda presentes.
Todos os parentes observavam enquanto Sveta, sem conter as lágrimas, saiu correndo da sala. Uma cadeira rangeu, alguém tossiu constrangido, mas ninguém se levantou.
Momentos depois, Maria Petrovna correu atrás dela, respirando com dificuldade e arrastando os chinelos pelo chão.
A sogra estava certa de que encontraria a cena familiar — Sveta abraçada a um travesseiro, braços tremendo, pronta para receber uma palestra. Mas a sala estava silenciosa.
Sveta sentou-se na cama e vasculhou febrilmente a pasta de documentos, retirando as folhas uma a uma.
— Você pensou em algo? — disse Maria Petrovna severamente. — Ele é um homem. Você deve proteger sua dignidade como uma esposa amorosa.
Ela se aproximou, espiando por cima do ombro.
— Se você fizer o que pensei, vou te expulsar de casa, ingrata. Nós te recebemos sob nosso teto, toleramos seu pequeno salário de enfermeira… Para onde você vai?
Maria Petrovna falava cada vez mais rápido, como se tivesse medo de que Sveta não parasse.
— A primeira folha é para você — disse Sveta, puxando energicamente um documento da pasta.
Ela deslizou o papel diretamente sob o nariz da sogra. Estava escrito em preto no branco que Sveta era proprietária de um apartamento de três quartos em sua cidade natal.
Maria Petrovna estreitou os olhos, recuou e balançou a cabeça, como se visse algo absurdo.
— O que isso significa? — perguntou incrédula. — Não me faça truques aqui.
Sveta lentamente se endireitou.
— Alguns anos atrás minha avó faleceu — disse calmamente. — Lembram que fui me despedir, e vocês nem perguntaram o que aconteceu?
A avó me deixou o apartamento como herança, sobre o qual não contei a ninguém. Primeiro foi necessário pagar uma pequena dívida de serviços para me tornar a legítima proprietária sem encargos.
Eu economizei alguns milhares do meu salário de enfermeira aqui e ali, e agora este apartamento é totalmente meu e livre de obrigações.
Maria Petrovna empalideceu e imediatamente tentou responder.
— Então você pegou dinheiro do orçamento da casa? — a voz ficou estridente. — Da família, às escondidas, enquanto vivemos com tudo aqui? Que ingrata…
— Por cinco anos cuidei do seu marido de graça. Dia e noite. Sem folga, sem salário, e realmente — sem gratidão. Eu ganhei esse dinheiro sozinha.
Decidi permanecer em silêncio sobre o apartamento depois que descobri por acaso que o carro comprado por Mikhail a crédito, que estamos pagando com nossos salários, está no nome de vocês.
Talvez vocês possam explicar, Maria Petrovna, como isso é possível? Ou vocês e Mikhail podem conspirar, e eu não?
Sveta olhou a sogra diretamente nos olhos.
— Foi então que percebi que nesta família as pessoas costumam esconder coisas umas das outras. E fingem que deve ser assim. Não importa — próximo documento para os parentes.
Sveta voltou para os convidados, segurando a pasta com força. As conversas se silenciaram sozinhas, alguém desviou o olhar constrangido, mas ela não parou. Colocou os documentos sobre a mesa e os espalhou para que todos pudessem ver.
— De fato, todos os exames foram feitos há muito tempo. Levou dois anos para meu marido, que tanto queria ter filhos, concordar em ir ao médico — Sveta finalmente quebrou o silêncio. — E aqui estão os resultados dos exames de Mikhail.
A conclusão era clara: Mikhail nunca poderá ter filhos. Nem agora, nem no futuro. Sveta olhou para os parentes, que baixaram os olhos e trocaram olhares nervosos.
— Ele sabia disso há muito tempo. E Maria Petrovna também sabia. Eles me persuadiram a ficar em silêncio porque, para um homem, como disseram, é uma vergonha.
Alguns dias depois, Sveta estava sentada no chão do apartamento da avó, revisando coisas antigas e organizando as suas. Os vestidos no armário cheiravam a lavanda, os botões tilintavam silenciosamente na gaveta, e o tempo parecia ter parado.
Ela pegou uma fotografia e olhou por muito tempo para o rosto familiar, um pouco severo.
— Obrigada, vovó — disse baixinho. — Pela casa. Pela força. Por ter um lugar para voltar.
Ela cuidadosamente colocou a foto no parapeito e limpou os olhos com a mão.
— Quando minha filha nascer, darei a ela seu nome — sussurrou, e nessas palavras havia não apenas esperança, mas também confiança.







