Galya e o marido chegaram à casa de campo e congelaram ao ver silhuetas dançantes nas janelas

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Galya já tinha notado a luz na janela de sua casa logo após a curva da estrada de terra. Volodja reduziu a velocidade, e ambos ficaram paralisados, quase sem acreditar no que viam.

Da casa deles vinha o estrondo de algum sucesso pop com graves profundos, e nas janelas pulavam sombras de figuras dançantes.

— Será que pegamos a curva errada? — perguntou Volodja, embora ambos soubessem que ali não era possível errar.

Eles construíram aquela casa quinze anos atrás, quando sua filha, Lena, tinha dez anos.

Galya saiu do carro sem esperar pelo marido. A neve estalava sob suas botas, cada passo emitindo um som agudo e frio.

Ela abriu o portão e caminhou pelo caminho limpo até a varanda. A porta estava aberta.

No corredor, alinhavam-se sapatos desconhecidos, botas femininas desgastadas e felpudas. No ar misturavam-se o cheiro de carne assada, fumaça de tabaco e um odor ácido que lembrava vinho barato.

Galya entrou na sala de estar e parou no limiar, quase sem coragem de avançar.

A sogra, uma mulher bem cheinha, cerca de sessenta e cinco anos, dançava no meio da sala, segurando um copo de vinho tinto. Algumas gotas já tinham respingado no tapete novinho, comprado por Galya e Volodja em outubro.

O sogro estava junto à janela, soprando fumaça na noite, enquanto outros quatro desconhecidos estavam sentados perto da lareira, com pratos no colo.

A música estava tão alta que ninguém percebeu a chegada de Galya. Ela foi até a caixa de som e puxou o cabo da tomada.

O silêncio caiu sobre a sala como um peso. Todos se voltaram para Galya.

— Quem teve coragem de fazer isso? — gritou Tamara Ivanovna, então viu Galya. — E vocês, o que estão fazendo aqui?

Esta era a casa que Galya e Volodja começaram a reconstruir dois anos atrás, logo após o casamento da filha, cuidando de cada detalhe minuciosamente.

Lena se casou com Antón em junho, e os pais da noiva deram a primeira grande parcela do apartamento dos jovens: três milhões de rublos, economizados ao longo de anos.

Os pais do noivo deram de presente um conjunto de utensílios — o mesmo que receberam em seu próprio aniversário de casamento.

Galya e Volodja decidiram investir as economias restantes em sua casa de veraneio. O sonho deles era viver lá o ano inteiro, fugindo de Moscou nos fins de semana ou feriados.

Volodja instalou o boiler, isolou as paredes com lã de vidro, trocou as antigas janelas de madeira por janelas plásticas com isolamento térmico. Galya cuidou do interior: escolheu papéis de parede, móveis, e coordenou os trabalhadores.

Em dezembro, a casa finalmente estava como imaginavam: quente, acolhedora e confortável.

Planejaram passar o Ano Novo a dois. Esperavam Lena e Antón no dia 1º de janeiro para continuarem as celebrações juntos.

Galya preparou com antecedência o mingau frio e a salada Olivier, enquanto Volodja comprou champanhe de boa qualidade e peixe vermelho.

O relacionamento com os pais de Antón estava frio desde o casamento. Tamara Ivanovna e Viktor Semyonovich dependiam do filho e passavam todos os verões em casas alheias, pois não tinham casa de veraneio própria.

Galya e Volodja tentavam manter distância, sabendo que às vezes é melhor encontrar certos parentes com menos frequência.

— Esta é a nossa casa — disse Galya, olhando ao redor da sala.

Na mesa, vidros vazios; no canto, alguém havia deixado esquis molhados sobre o chão de madeira.

Tamara Ivanovna tomou um gole do copo e deu de ombros:

— Lena nos deu as chaves. Achamos que vocês não viriam.

— Por que pensaram assim?

— Feriados, a correria da cidade… achamos que a casa estava vazia.

Volodja entrou e ficou ao lado de Galya. Observou em silêncio o pai de Antón, que servia conhaque em seu próprio copo.

Um homem desconhecido, cerca de quarenta anos, de suéter gasto, levantou-se do sofá:

— Olhe, já nos instalamos. Talvez vocês venham amanhã? Até lá, iremos embora.

— Vocês são estranhos nesta casa — tentou Galya falar calmamente, embora a voz tremesse. — Que ousadia é essa?

— Ah, não sejam assim — disse Tamara Ivanovna, derramando vinho sobre a toalha. — Não somos estranhos. Antósha disse que não se importariam.

Galya pegou o telefone e ligou para o genro, Antón.

O homem atendeu na terceira chamada, com Lena rindo ao fundo e o som da TV ao fundo.

— Galya, feliz Ano Novo!

— Antón, seus pais estão na nossa casa de veraneio. Como eles têm a chave?

Houve silêncio. Antón falou com outra entonação:

— Minha mãe veio na semana passada. Disse que meu pai precisava de ar fresco, estava doente. Pediu as chaves por alguns dias e prometeu devolver até o Ano Novo.

— Alguns dias? Eles fizeram festa aqui.

— Eu… não sabia. Minha mãe disse que ficariam apenas os dois. Só sentados, respirando ar fresco, e pronto.

Galya olhou para Viktor Semyonovich, que ria de uma piada e servia conhaque.

— Seu pai doente está dançando e bebendo. Parece que se curou completamente.

— Galya, me desculpe. Lena e eu…

— Não precisa. Fiquem em casa, eu resolvo.

Galya se virou para os visitantes:

— Vocês têm cinco a dez minutos para arrumar suas coisas e sair da casa.

Tamara Ivanovna levantou as mãos:

— Não nos mande embora! Lena nos deu as chaves.

— Então mostre o título de propriedade da casa!

— Oh, um papel? Antósha autorizou tudo!

— Antón não tem direito a isso. Esta não é a casa dele.

O homem do suéter gasto levantou-se novamente:

— Senhora, não faça cena. É Ano Novo, sente-se.

Volodja deu um passo à frente:

— Vou chamar a polícia.

— Chame! — gritou Tamara Ivanovna, pegando o copo de novo. — Somos oito, vocês apenas dois. Até vamos para a sauna antes disso!

A polícia chegou quarenta minutos depois. Dois jovens oficiais revisaram cuidadosamente os papéis de Galya e ouviram ambas as partes.

— Você afirma que a filha, a proprietária, deu as chaves? — perguntou um dos oficiais a Tamara Ivanovna.

— Sim! Lena, nossa noiva!

— Certo, liberem os cômodos.

— O que é isso?! — gritou Tamara Ivanovna, com o rosto vermelho de raiva. — Somos parentes! Estamos aqui há apenas dois dias!

Viktor Semyonovich finalmente largou o copo e se aproximou:

— Galya, não faça birra. Nosso apartamento é pequeno, mal dá para respirar, aqui tem espaço…

A hora seguinte foi um verdadeiro pesadelo. Os visitantes arrumaram suas coisas lentamente, resmungando e reclamando.

Tamara Ivanovna reclamava alto com os policiais sobre a ganância dos jovens de hoje e a falta de coração dos parentes. Viktor Semyonovich tentou secretamente levar uma garrafa de conhaque aberta; Volodja precisou tirá-la da mão dele.

— Malditos! — gritou Tamara Ivanovna da varanda. — Que não haja felicidade nesta casa para vocês!

Galya trancou a porta e girou a chave.

Por dez minutos, ficaram apenas sentados em silêncio no corredor, observando a pilha de bagunça na sala de estar.

— Vamos começar a limpar? — perguntou Volodja.

— O que mais podemos fazer?

Trabalharam em silêncio, ombro a ombro. Volodja carregava os sacos de lixo, Galya limpava as manchas de vinho do tapete e da toalha de mesa.

Na cozinha, louças sujas se acumulavam na pia e sobre a mesa. Alguém quebrou uma das canecas que Lena deu aos pais no aniversário de casamento. Os cacos ficaram atrás da geladeira.

Antes da meia-noite, só conseguiram arrumar a sala. Cozinha e banheiro ficaram para o dia seguinte.

— Os sinos vão tocar em cinco minutos — disse Volodja, olhando o relógio.

Galya sentou-se no sofá, fechou os olhos. Sentiu o cansaço — não só físico, mas algo profundo e opressor, acumulado durante toda a noite louca.

— Agora vou servir o champanhe — trouxe Volodja, com a garrafa e dois copos.

Passaram o Ano Novo com medo, mas finalmente juntos, no sofá da casa semi-limpa. Brindaram, beberam, e Galya apoiou a cabeça no ombro do marido.

Lena e Antón chegaram para o almoço no dia 1º de janeiro, como planejado, mas ambos pareciam exaustos e arrependidos.

— Mamãe, papai, desculpem — disse Galya abraçando-os na porta. — Não pensei que seria assim… Confiei que Viktor Semyonovich estava doente.

— Ontem eu contei a eles — disse Antón, de pé atrás da esposa, com a mão no bolso. — Minha mãe gritou por meia hora, mas não me importei.

Eles ultrapassaram os limites.

Galya olhou para o genro. Ele tenta agradar a todos e simplesmente não consegue.

— Entrem — disse ela. — O mingau frio ainda está aqui.

Quatro se sentaram à mesa, e Galya percebeu de repente que era exatamente assim que queria passar o feriado.

Lena cortava pão, Antón ajudava Volodja a abrir um pote de conservas. Lá fora começou uma neve fina, cobrindo os rastros dos visitantes do dia anterior no caminho do jardim.

— Vocês vêm no Natal? — perguntou Galya.

Lena sorriu:

— Se vocês me convidarem.

— Então espere para ser convidada.

Galya serviu chá para todos e sentou-se em seu lugar. Lá fora escurecia cedo, mas dentro a luz era quente, o cheiro de comida e a conversa suave enchiam a casa.

Nada aconteceu como planejado, mas às vezes a própria vida decide o que realmente precisamos.

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