— Aneczko, eu vou preparar o cardápio, e você prepara a comida — disse Walentyna Pietrowna, estendendo três folhas cheias de listas. — Eu mesma faria, mas minhas mãos doem, a artrite está me afetando.
Anna pegou a lista. Aperitivos frios, pratos quentes, saladas, três tipos de sobremesa. Para o aniversário de casamento, convidaram oito pessoas — sem perguntar a Anna.
— Walentyno Pietrowno, talvez seja mais fácil apenas pedir um serviço de buffet? — ela levantou a cabeça, tentando encontrar sentido em toda a situação.
— Pedir?! — a sogra ficou irritada, abrindo as mãos, nas quais não havia nenhum sinal de artrite. — O que minhas amigas vão pensar? Que não sabemos receber visitas? Não, Aneczko, mostre do que você é capaz!
Anna dobrou a lista em quatro partes. Depois mais uma vez. Mais uma vez. Finalmente, um pequeno quadrado de papel foi colocado na mesa.
— Tudo bem. Vou mostrar.
Sete meses atrás, logo após o casamento, Dmitrij disse que, por enquanto, morariam com a mãe.
“Por enquanto” acabou se tornando eterno. Walentyna Pietrowna, cujo marido morreu sete anos atrás, morava sozinha em um apartamento de três quartos e sofria muito. Não pela solidão — pelo dever de cozinhar e limpar.
No segundo dia após o casamento, a sogra teve uma enxaqueca.
— Aneczko, querida, minha cabeça dói terrivelmente, não consigo nem me levantar. Faça algo sozinha, tá bom?
Anna fez. Depois limpou. Depois lavou roupa. Até a noite, Walentyna Pietrowna saiu para o salão arrumar o cabelo. Voltou fresca, cheirando a xampu caro, cabelos brilhando em ondas.
As enxaquecas sempre voltavam antes de cozinhar. Tontura — antes de limpar. A artrite aparecia quando era hora de lavar a louça e desaparecia quando a sogra folheava revistas ou ia às compras.
Dmitrij não percebia. Ou não queria perceber.
— Então e daí, mamãe não pode, ela está saudável. Você é jovem, vai dar conta.
Anna dava conta. Levantava às cinco da manhã, preparava o café para três pessoas, levava as crianças à escola, voltava às seis e até às onze da noite lavava roupa, limpava, cozinhava para o dia seguinte.
Dmitrij chegava, jantava e se deitava diante da TV. Às vezes perguntava por que “eu estou sempre de mau humor”.
Ela emagreceu. Surgiram olheiras. As mãos ficaram secas, unhas quebradiças. No espelho, Anna via uma mulher estranha — cansada, envelhecida, vazia.
E três semanas atrás, Walentyna Pietrowna anunciou o aniversário.
Na manhã do dia da comemoração, Anna acordou às cinco, mas não foi para a cozinha. Vestiu jeans e uma blusa clara, fez maquiagem. Tirou do armário uma caixa com um envelope — um voucher para um dia inteiro de spa.
O último dinheiro economizado, aquele que guardava para um casaco.
Walentyna Pietrowna saiu para o café da manhã de robe de seda, viu a nora elegante e apertou os lábios.
— Por que se arrumou assim? Você vai passar o dia na cozinha. Troque de roupa.
— Tenho compromissos — Anna entregou o envelope. — É para a senhora. Presente de aniversário.
A sogra abriu o envelope, os olhos se arregalaram.
— Spa? Aneczko, que agradável! Mas hoje não posso, tenho que cuidar da mesa, afinal, os convidados…
— Walentyno Pietrowno — Anna sentou-se à frente, olhando diretamente nos olhos dela — a senhora quer que Ludmiła a veja em
todo o seu esplendor? Consegue imaginar como ela vai ficar com inveja? Todos vão perguntar onde a senhora se transformou assim. E na mesa, eu farei tudo sozinha, não se preocupe.
Pausa. Walentyna Pietrowna ficou pensativa. Seus dedos acariciavam o envelope. A vaidade venceu.
— Bem… acho que sim. Ludka está sempre elogiando sua esteticista. Dimi vai me levar?
— Claro — Anna chamou o marido.
Dmitrij saiu sonolento, insatisfeito. Ouviu, murmurou concordando. Meia hora depois, partiram. O apartamento ficou vazio.
Anna foi para o quarto. Tirou um vestido preto, comprado ontem em brechó, e sapatos de salto.
Ligou para a amiga Kira, que trabalhava como maquiadora. Até as cinco da tarde, tudo estava pronto: cabelo, maquiagem, vestido. Anna olhou no espelho. Não se reconheceu. Viva.
Não entrou mais na cozinha.
Os convidados começaram a chegar às seis e meia. A primeira a entrar foi Svetłana Markowna, mulher corpulenta de voz alta, e ficou paralisada.
A mesa estava impecavelmente posta. Toalha branca sem um único vinco. Velas. Taças de cristal. Talheres para oito pessoas. Tudo no seu lugar.
Não havia comida.
— Aneczko, e… os aperitivos, onde estão? — virou-se Svetłana Markowna.
— Surpresa — sorriu Anna. — Estamos esperando os homenageados.
Os demais chegaram: amigas de Walentyna Pietrowna, colegas de Dmitrij. Todos com flores, presentes, elegantemente vestidos. Sentaram-se, trocando olhares, olhando para a mesa vazia. Alguém brincou sobre dieta da moda. Risada envergonhada.
Anna servia água mineral. Sorriu. Esperava.
Às sete, chegaram Dmitrij e a mãe. Walentyna Pietrowna entrou no hall radiante: pele brilhando após o peeling, cabelos ondulados, manicure impecável. Tirou o casaco, entrou na sala.
Parou.
Mesa vazia. Oito convidados com expressão de incredulidade. Anna de vestido preto, com um copo de água na mão.
— O que… o que é isso?! — a voz de Walentyna Pietrowna se quebrou em grito. — Anna! Onde está a comida?! Eu dei a lista!
Dmitrij entrou atrás dela. Viu a mesa. O rosto ficou vermelho.
— Anna, você perdeu a razão completamente? Os convidados vieram para o aniversário, e a mesa está vazia!
Gritava por toda a casa. Os convidados olhavam para os pratos, celulares, janelas — qualquer lugar, menos para a cena.
— O que você está fazendo?! Está louca?!
Anna esperou. Colocou o copo na mesa. Calmamente.
— É minha surpresa.
Caiu um silêncio como uma cortina.
— Para nosso aniversário, anuncio o divórcio — Anna tirou a aliança. Colocou-a sobre a toalha branca. Tilintou. — Estou indo embora. Hoje. Agora.
Dmitrij abriu a boca. Fechou. Abriu novamente.
— Você… na frente de todo mundo?! Fez esse circo diante dos convidados?!
— Mostrei a verdade — Anna pegou a bolsa preparada anteriormente. — Por sete meses, fui sua serva. Cozinhava, lavava, limpava. Das cinco da manhã à meia-noite. E você nunca perguntou como eu me sentia. Nunca ajudou. Apenas se aproveitou. Para vocês, eu era conveniente. E só.
Ludmiła, uma das amigas da sogra, ria no punho. Svetłana Markowna balançou a cabeça — quase imperceptivelmente.
— Aneczko, querida, espere, vamos conversar — Walentyna Pietrowna deu um passo em sua direção, estendeu as mãos com manicure perfeita. — Você está apenas cansada, entendo. Contrataremos ajuda, certo, Dimi?
— Tarde demais — Anna se dirigiu à porta.
Dmitrij correu e segurou seu braço.
— Pare! Você não pode simplesmente ir embora!
— Posso — Anna se libertou. — Olhe.
Abriu a porta. Atrás de si ouviu o pânico de Dmitrij pelo telefone:
— Alô, restaurante? Entrega imediata para oito pessoas! Agora! Pago o quanto quiserem, só rápido!
Anna fechou a porta. Saiu para a escada. Pegou o telefone e escreveu para Kira: “Posso passar?”
A resposta veio imediatamente: “Venha, sua boba. Já está na hora.”
Anna morou na casa de Kira por uma semana. Dormia em uma cama dobrável, ia trabalhar, voltava e apenas olhava pela janela. Kira não fazia perguntas.
Dmitrij ligou por três dias. Primeiro gritava, exigindo que ela voltasse, chamando-a de ingrata. Depois o tom mudou — pedia, prometia mudanças. Anna ouvia em silêncio e desligava.
No quarto dia, chegou uma mensagem: “Mamãe ficou doente. Muito mal. Está satisfeita?”
Anna bloqueou o número.
Mas Svetłana Markowna, a mesma convidada, escreveu: “Aneczko, desculpe pelo transtorno. Você é maravilhosa. Passei trinta anos com a mesma sogra. Não tive coragem de sair. Você é uma heroína.”
Depois Ludmiła. Depois mais alguém. Todos escreviam a mesma coisa: você fez bem.
Uma semana depois, Kira voltou das compras e disse que tinha visto Dmitrij. Estava com um carrinho cheio de pierogis congelados e produtos semi-prontos. Parecia cansado, olhos vermelhos.
— Perguntei como ele estava. Murmurou que a mãe agora está realmente doente, não pode fazer nada. Precisa cozinhar, limpar e trabalhar. Contrataram alguém por algumas horas, mas caro. Já vendeu o carro. Abandonou o peixe. Não tem tempo para nada.
Anna ouviu. Não sentiu nada. Nem satisfação, nem pena. Apenas alívio.
— Perguntou onde você estava. Pediu para você voltar, que tudo mudaria.
— Não vai mudar — Anna balançou a cabeça. — Agora ele pelo menos sabe quanto custou o que eu fazia.
Ainda uma semana depois, Anna alugou um quarto em um prédio próximo à escola. Dez metros quadrados, cozinha compartilhada. Janela para o pátio, onde pombos arrulhavam. Nada especial. Mas era dela.
Sentou-se na cama, olhou para as paredes. No chão, a mala com suas coisas. Tudo o que trouxe.
O telefone vibrou. Número desconhecido: “Anna, é Walentyna. Desculpe. Não sabia o que fazia. Volte. Vamos mudar.”
Anna leu. Apagou. Colocou o telefone no parapeito.
Lá fora, uma senhora espalhava migalhas, pombos desciam, empurravam-se, arrulhavam. Alto. Vivo. Cheirava a outono, asfalto molhado, almoços alheios de cozinha compartilhada.
Não cheirava a perfume de sogra e suas enxaquecas eternas. Não cheirava a Dmitrij, que nunca aprendeu a enxergar.
Anna abriu mais a janela. O ar frio bateu no rosto. Respirou fundo, até o fundo dos pulmões.
Pela primeira vez em sete meses, deitou-se às oito da noite apenas porque quis. Não porque estava exausta, mas porque podia.
Ninguém a acordaria exigindo que passasse camisas. Ninguém diria que ela não se esforça o suficiente. Ninguém usaria sua submissão como fraqueza.
Pela manhã, o sol a acordou. Sábado. Não precisava se levantar. Podia dormir mais, sair para passear, apenas ficar deitada. Cada escolha — dela.
Na cozinha, a vizinha Tamara, mulher de cinquenta e poucos anos, fervia água para chá.
— Chá?
— Obrigada.
Sentaram-se em silêncio. Lá fora, pombos, carros, alguém discutindo no pátio. Uma manhã comum. Estranha. Mas dela.
Anna terminou o chá, enxaguou a xícara. Olhou seu reflexo no vidro. Pálida, sem maquiagem, cabelo bagunçado. Normal. Livre. Viva.
Sorriu.







