Meu Genro Decidiu Que Minha Casa De Campo Era Compartilhada E Trouxe Toda A Família

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

– Afinal, quem são vocês e o que estão fazendo no meu terreno? – Nina Petrovna ficou paralisada diante do pequeno portão escancarado, enquanto as pesadas sacolas de compras escorregavam de suas mãos.

A cena diante de seus olhos parecia saída do cenário de um filme surrealista.

Na sua querida varanda – que ela mesma havia pintado há apenas um mês, com um delicado tom de azul-claro – uma mulher corpulenta reinava sentada, vestindo um robe chamativo, tomando chá tranquilamente da xícara de porcelana preferida de Nina, com borda dourada.

Ao lado dela, estendido numa poltrona de vime, um homem cochilava usando uma camiseta regata, enquanto no gramado cuidadosamente aparado duas crianças desconhecidas corriam, pisoteando as petúnias plantadas apenas uma semana antes.

A mulher sentada na varanda pousou lentamente a xícara, lançou a Nina um olhar calculado, possessivo, e então gritou alto em direção à casa:

– Vadik! Tem uma mulher aqui, está gritando!

Da casa saiu preguiçosamente, coçando a barriga, o genro de Nina Petrovna, Vadim.

Ele usava apenas um calção de praia e segurava uma maçã mordida pela metade. Ao ver a sogra, não ficou nem um pouco constrangido – ao contrário, abriu um sorriso largo, confiante, quase de dono.

– Ah, Nina Petrovna! Estávamos esperando a senhora só para a noite. O que aconteceu, o ônibus chegou mais cedo?

– Vadim – a voz de Nina tremia de indignação contida –, quem são essas pessoas? E por que se comportam como se esta casa fosse delas? Não me lembro de ter autorizado essa bagunça.

– Ah, pra que já chamar de bagunça assim, tão duro – fez uma careta Vadim, descendo da varanda. – Deixe-me apresentar: estes são meus pais, Tamara Ivanovna e Nikolai Stepanovitch.

Vieram da aldeia para visitar. E estes são meus sobrinhos, Sashka e Pashka. Pensamos que juntos seria mais divertido na natureza. É verão, está quente, pra que ficar num apartamento abafado? Aqui tem ar, o rio é perto… um verdadeiro paraíso!

– E não passou pela sua cabeça me perguntar? – Nina deu um passo à frente, quase encurralando o genro. – Esta é a minha casa de campo. Minha! Eu venho aqui para descansar, aproveitar o silêncio. Não para servir o seu acampamento cigano itinerante.

– Que acampamento? Somos família! – interrompeu Tamara Ivanovna, descendo pesadamente da varanda. Ela se movia como um quebra-gelo: implacável, com total certeza de si.

– Somos uma família. Vadik disse que a casa é compartilhada. Não somos estranhos! Além disso, não viemos de mãos vazias. Trouxemos geleias, conservas.

As têmporas de Nina Petrovna começaram a pulsar. “Casa compartilhada.” Então era disso que se tratava.

– Onde está a Olia? – perguntou secamente.

– Dentro da casa, cortando salada – respondeu Vadim com um gesto displicente. – Estamos fazendo um churrasco de apresentação. Aliás, a senhora trouxe carne? Erramos um pouco nas contas, tem muita gente.

Sem dizer uma palavra, Nina apanhou as sacolas e passou por Vadim, entrando na casa. Na cozinha reinava o caos.

Louça suja empilhada, cascas de cebola espalhadas pelo chão, e Olia picava tomates nervosamente numa enorme bacia esmaltada. Ao ver a mãe, encolheu-se instintivamente.

– Oi, mãe… por favor, não fique brava. Vadik disse que você ficaria feliz.

– Feliz? – Nina pousou as sacolas com tanta força que a filha se sobressaltou. – Olia, você está em si? Eu volto para a minha própria casa e encontro um acampamento nômade. Por que você não me ligou? Por que não avisou?

– Vadik disse que seria uma surpresa – sussurrou Olia, de cabeça baixa. – São os pais dele… teria sido constrangedor dizer não. Eles vieram só por uma semana…

– Por uma semana?! – Nina empalideceu. – Olia, eu tenho duas semanas de férias. Queria cuidar das rosas, ler um livro na rede, tomar chá em silêncio. E agora vou ter que aguentar estranhos por uma semana, cozinhar para eles, ouvir gritaria?

– Mas são parentes… – tentou Olia, sem convicção.

Nesse momento, Vadim enfiou a cabeça na cozinha.

– E então, meninas, a comida está pronta? Meu pai já está acendendo a churrasqueira. Nina Petrovna, não leve a mal. Melhor pegar aquele licor caseiro no armário. Temos que comemorar o encontro!

Aquilo já tinha passado de todos os limites. Nina respirou fundo. Sabia que fazer um escândalo imediatamente seria exaustivo demais. Decidiu aguentar a noite e, pela manhã, dar um ultimato.

Mas a noite foi uma verdadeira tortura. Os parentes se comportavam como se fossem os donos da propriedade, e Nina não passava de uma empregada contratada por temporada.

– Essa cerca é bem fraca – discursava Nikolai Stepanovitch, empanturrando-se de espetinho, feito, por sinal, com a carne que Nina comprara no fim de semana anterior e deixara no freezer.

– Deveria ser coberta com chapa ondulada. Vadik, resolva isso. Parece que estamos num aquário.

– Vamos resolver, pai! – respondeu Vadim entusiasmado, servindo vodca. – Aqui, de qualquer forma, muita coisa precisa ser reformada.

A casa é velha, o layout é ruim. Eu e Olia já pensamos em ampliar a varanda e, onde Nina Petrovna tem aqueles arbustos inúteis, construir uma sauna.

– Não são arbustos inúteis, é madressilva nobre! – rebateu Nina. – E não vai haver sauna nenhuma ali. Este terreno é meu.

– Ah, deixe disso, querida cunhada – disse Tamara Ivanovna, acenando com a mão e limpando a boca engordurada na toalha de mesa. – Os jovens sabem melhor. Eles vão viver aqui, criar filhos.

A senhora já viveu o suficiente, cuide mais da alma e menos dos arbustos. Vadik é tão capaz, tão trabalhador. Só não tem onde se desenvolver.

Nina engasgou com o chá.

– O que quer dizer com “vão viver aqui”? Eles têm apartamento próprio. Esta é a minha casa de campo. Eu a construí, eu paguei por ela, quando Vadik ainda corria debaixo da mesa.

– No fim das contas, tudo vai ser das crianças – declarou Tamara num tom incontestável. – Vadik é o marido. Ele é o chefe. Aqui é assim: o homem manda, a mulher obedece.

Olia é uma menina direita, dócil. Já a senhora… tem um temperamento forte. Deve ser difícil sozinha, sem um homem.

Isso foi fundo demais. Nina era viúva havia cinco anos, e aquela frase transformou a dor em uma raiva gelada.

– Olia, arrume tudo – disse num tom glacial, levantando-se. – Vou me deitar. Depois das onze quero silêncio.

Subiu para o quarto, mas não conseguiu dormir. De baixo vinham risadas bêbadas, barulho de pratos, um rádio berrando. Fitando o teto, ela se perguntava onde havia errado.

Sabia que Vadim era atrevido, mas Olia lhe pedira para não interferir. E agora estava aí o resultado: Vadim achava que não tinha se casado apenas com Olia, mas também com os bens dela.

De manhã, acordou com o som de golpes de machado. Olhando pela janela, ficou chocada: Vadim e o pai estavam junto da velha macieira querida de Nina, medindo os galhos grossos mais baixos.

– O que vocês estão fazendo?! – gritou Nina, correndo para fora de camisola.

– Oh, a sogra acordou! – riu Nikolai. – Os galhos atrapalham, arranham o carro. Vamos ampliar o estacionamento. Vadik quer comprar um jipe.

– Afastem-se da árvore imediatamente! – Nina correu até eles, como se quisesse proteger a macieira com o próprio corpo. – É uma Antonovka, tem trinta anos! Que estacionamento?!

– Nina Petrovna, não faça drama – disse Vadim, girando o machado. – Essa árvore velha só faz sombra. Precisamos de espaço. Amanhã vem mais um sobrinho com a esposa. E, aliás… pensamos se a senhora não poderia se mudar temporariamente para a cozinha de verão? Lá não tem ninguém, e seu quarto é grande, as crianças caberiam.

Tudo escureceu diante dos olhos de Nina. Aquilo já era uma ocupação.

– Para a cozinha de verão? – perguntou baixinho. – Onde não tem aquecimento, só um sofá caindo aos pedaços?

– É verão! – deu de ombros Vadim. – Somos família. É preciso fazer sacrifícios.

Nina olhou para Olia, que estava apavorada na varanda.

– Você está ouvindo isso, Olia? Seu marido quer que eu, a dona da casa, vá morar no barracão.

Olia começou a chorar.

– Vadik, não faz isso…

– Silêncio! – rosnou Vadim. – Não se meta em assuntos de homem!

Nesse momento, algo se rompeu dentro de Nina Petrovna. Ela se virou, entrou na casa, pegou os documentos e o telefone. Estava calma.

– Alô, Sergei Pavlovitch? Aqui é Nina Petrovna, a vizinha. Sim, o senhor é o policial responsável pela área. É uma situação urgente. Pessoas estranhas invadiram o meu terreno, estão causando danos e me ameaçando. Sim, o documento de propriedade está comigo. Estou aguardando.

Desligou o telefone, trocou de roupa e voltou para a varanda.

– Vocês têm trinta minutos para desaparecer do meu terreno – disse calmamente.

Eles riram… até ouvirem o som do motor da viatura policial.

O resto foi apenas correria, raiva e derrota.

Quando finalmente fez silêncio, Nina sentou-se ao lado de Olia.

– Os limites precisam ser estabelecidos imediatamente, minha filha – disse em voz baixa. – Quem ama de verdade, respeita.

Duas semanas depois, o jardim estava novamente em paz. A macieira permanecia de pé. As flores floresciam. E Nina Petrovna sabia:

Esta é a casa dela. A fortaleza dela. E a chave só será entregue a quem realmente merecer.

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