Minha Sogra Já Colava Papel De Parede No Meu Quarto Quando Meu Pai Silencioso Fez Uma Ligação 😨📞

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

— Não enrola, Irka! O táxi está esperando, e para mim cada minuto é dinheiro.

Sztasz chutou a minha mala. O zíper, que já se segurava apenas por um fio de dignidade, estourou com um som desagradável, parecido com o estalo de uma articulação.

Do ventre da bolsa escorregaram a manga do meu velho casaco acolchoado e o coelho de pelúcia do meu filho de três anos.

Eu estava parada no corredor, sentindo um suor frio escorrer pelas costas, embora o apartamento estivesse sufocante. O cheiro do meu marido era enjoativo — um azedo de álcool do dia anterior, que nem o chiclete de menta conseguia disfarçar.

— Sztasz, para onde eu vou? É novembro, já é noite… — minha voz tremeu traiçoeiramente. — Antoska acabou de dormir.

— Vai acordar no carro, não é nenhum príncipe. — Sztasz encostou o ombro no batente da porta e ficou encarando o celular de forma ostensiva. — O apartamento, no papel, está no nome da minha mãe.

Você aqui não é ninguém, é registrada no endereço do seu pai. Vão para lá. Eu preciso de vida pessoal, não da sua cara azeda e do choro eterno do moleque.

Do nosso quarto — que já não era mais meu — veio um estalo úmido e característico. Em seguida, o som da escova alisando o papel de parede: shhh-rr, shhh-rr.

A porta se abriu de supetão. Lídia Serguéievna saiu para o corredor, limpando as mãos num pano. Na cabeça, um lenço; no roupão, manchas de cola. Ela me avaliou como se avalia uma visita indesejada.

— Ainda está aqui? — a voz grave ecoou no corredor estreito. — Sztaszinho, até quando vamos arrastar isso? Preciso mover a cama. Amanhã os carregadores trazem o meu conjunto em “estilo Luís”, e essa tralha ainda está aqui.

Ela chutou o coelho que estava no chão.

— Lídia Serguéievna, tenha um pouco de consciência — disse eu baixinho, apanhando o brinquedo. — É o seu neto.

— Neto é quando nasce de uma mulher decente — cortou ela. — De você só vem prejuízo. Sztasz virou um chefe jovem, ele precisa de status, de uma esposa apresentável.

Aquela Cristina do setor de planejamento — isso sim é um bom partido! E você? Um rato cinza. Chega, para fora. Já estou colocando papel de parede no quarto, então não atrapalhe quem está se instalando.

— Devolve o carro — olhei para o meu marido. — A Skoda é minha. Comprei antes do casamento, com a herança da minha avó.

Sztasz bufou, sem tirar os olhos da tela.

— A chave está com a Cristina. Ela precisa mais, é ela que me leva para o trabalho. E você vai de ônibus, faz bem para a silhueta.

E cala a boca enquanto eu estou de bom humor. Porque senão eu ligo para quem precisa e digo que você maltrata a criança. O conselho tutelar chega rapidinho.

Ele deu um passo à frente, agarrou meu cotovelo com brutalidade e me empurrou para a escada do prédio. A mala voou atrás de mim, batendo surdamente no chão de concreto. A porta se fechou com força, a fechadura girou duas vezes — definitivo.

Fiquei ali, na penumbra da escada, onde pairava o cheiro de umidade e reboco velho, apertando contra mim o assustado e sonolento Anton.

No apartamento do meu pai, no conjunto habitacional da periferia, sempre me recebia o mesmo cheiro: livros velhos, poeira e remédio forte para o coração.

Ali o tempo parecia ter parado no começo dos anos dois mil: tapete na parede, uma televisão barriguda que só pegava canais estatais, e um silêncio tão denso que zumbia nos ouvidos.

Pavel Konstantínovitch abriu a porta imediatamente, como se estivesse parado atrás dela. Vestia seu eterno suéter gasto e chinelos surrados. Ao nos ver com a mala, não perguntou nada.

Em silêncio, pegou Anton no colo e fez um gesto em direção à cozinha.

Uma hora depois, quando meu filho, sonolento depois do chá e dos biscoitos de rosquinha, adormeceu no velho sofá, meu pai sentou-se à minha frente.

— Conta, Ira.

Segurei a caneca com as duas mãos, tentando me aquecer, embora estivesse quente. Meus dentes batiam na borda de porcelana.

— Nos expulsaram, pai. Lídia Serguéievna disse que precisa do outro quarto para alugar. Sztasz está completamente sob o salto dela e, além disso, tem uma amante no trabalho… uma tal de Cristina. Ele ainda deu meu carro para ela.

Meu pai ouviu sem interromper. O rosto permaneceu imóvel, como uma máscara. Apenas os dedos da mão direita se fechavam e se abriam lentamente sobre a toalha plástica.

— Mas não é só isso — soluçei. — Ontem a Lídia Serguéievna disse para eu assinar voluntariamente a renúncia à pensão, senão fariam uma “vida animada” para você.

Disse que seu coração é fraco, que basta uma visita de alguns caras fortes… Pai, eu tive medo! Tive medo por você!

Pavel Konstantínovitch tirou os óculos devagar e os limpou na barra do suéter. À luz fraca da lâmpada, seus olhos pareciam desbotados, quase transparentes.

— Então a Cristina anda com o seu carro — disse baixinho. — Uma Octavia branca? Placa 345?

— Sim.

— E o Sztasz virou chefe? Na “Stroj-Invest”?

Assenti.

Meu pai se levantou, arrastou os chinelos até o armário e tirou da prateleira de cima um velho telefone de teclas.

— Pai, você vai à polícia? — perguntei. — Não adianta. O Sztasz tem amigos lá.

— Beba o chá, minha filha. Com erva-cidreira.

Ele discou. As costas se endireitaram, a curvatura desapareceu.

— Olá, Grigóri — falou. A voz era fria e firme. — Sim, Volkov. Lembra da auditoria da “Petróleo do Norte” de 98? O dossiê está comigo. É hora de pagar as dívidas…

Quando desligou, retirou a bateria, colocou o telefone de volta no lugar e sorriu para mim.

— Pai… você… é contador.

— Papéis às vezes são mais pesados que tijolos, Ira — piscou. — Por trinta anos eu dirigi um departamento de auditoria interna. Só não queria te envolver nisso.

Nos dias seguintes, os moinhos da justiça giraram devagar, mas de forma implacável.

Três dias depois, homens mascarados entraram no escritório de Sztasz. Cristina gritava na rua quando o carro foi rebocado. Na casa de Lídia Serguéievna, oficiais de justiça tocaram a campainha.

Uma semana depois, eu e meu pai fazíamos pelmeni. Anton ria, com o rosto todo sujo de farinha.

A campainha tocou.

Meu pai abriu a porta. Sztasz estava ali, arrasado.

— Quero ver a Ira… precisamos conversar — gemeu.

— Irina não tem marido — disse meu pai calmamente. — Ela só tem um filho e um pai.

Sztasz fugiu.

Meu pai voltou para a cozinha.

— Quem era, vovô? — perguntou Anton.

— Ninguém, meu netinho. Corrente de ar.

Encostei-me ao ombro do meu pai. O suéter dele cheirava a lar. Eu sabia: de pé atrás dessas costas, não tinha mais medo de nada.

Dizem que Lídia Serguéievna depois arrancou o papel de parede novo num ataque de fúria. As paredes não tinham culpa — mas era preciso descarregar a raiva em alguém.

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