– Oi, querido. Pensei em preparar a tua massa favorita com frutos do mar… o que achas? – começou Irina, enquanto Maxim entrava na cozinha.
Ele largou a bolsa descuidadamente no sofá e ficou parado, como se tivesse congelado. Irina não levantou os olhos. Estava sentada à mesa, com as mãos sobre o colo, o olhar perdido em algum ponto do vazio.
Sobre a mesa, o telefone dela estava deitado com a tela voltada para cima.
Maxim deu a volta na mesa para ver o rosto da esposa, e o sorriso animado foi desaparecendo lentamente do seu rosto. O olhar dela estava vazio, imóvel, como se enxergasse além das paredes, para alguma distância infinita.
– Ica, meu sol… o que aconteceu? – perguntou em voz baixa, mas Irina não respondeu.
Então, como se vencesse uma resistência invisível, ela ergueu lentamente a mão e virou o telefone na direção de Maxim. Ele se inclinou para a tela. Notificação bancária. Números frios sobre um fundo branco: retirada de 80.000 rublos.
O homem ficou rígido, e seus olhos começaram a percorrer a cozinha: os armários, a geladeira, a janela, qualquer lugar, menos o rosto imóvel de Irina.
– Foi pra viagem da tua mãe – murmurou, mexendo no cinto da calça. A voz soava abafada, como a de um adolescente culpado. Irina continuou em silêncio.
Esses segundos pareceram uma eternidade para Maxim.
Ele se preparava para uma explosão, gritos, choro, acusações, mas ela apenas se levantou da cadeira, contornou o marido como se ele fosse parte do mobiliário e seguiu em direção à geladeira.
A porta se abriu com um leve sussurro, liberando ar frio. Maxim observava cada movimento dela, sem entender o que estava acontecendo.
Ela retirou uma panela grande de borscht, colocou-a sobre a mesa e, ao lado, posicionou dois recipientes plásticos idênticos.
Tirou a tampa da panela, pegou uma concha e começou a dividir a sopa.
De forma metódica, sem derramar uma gota sequer. Uma concha no recipiente da esquerda, uma no da direita, novamente à esquerda, novamente à direita.
Com precisão fria, como se não estivesse repartindo comida, mas pesando as suas vidas. Quando a panela ficou exatamente pela metade, ela a devolveu à geladeira.
Vieram então as almôndegas: quatro unidades, duas para cá, duas para lá. O purê de batatas foi dividido com uma colher, alisando a superfície para que as porções ficassem perfeitamente iguais.
Maxim observava aquele ritual silencioso, e um arrepio percorreu suas costas: aquilo era mais assustador do que qualquer histeria. Parecia o trabalho de um patologista que, sem emoção, realizava a autópsia do cadáver da vida familiar deles.
Quando a divisão terminou, ela fechou as tampas dos recipientes. Empurrou um deles na direção do marido e colocou o outro à sua frente.
– Este é meu – disse com uma voz fria, sem emoção. – Este é teu. O orçamento comum está encerrado a partir deste momento. As contas serão pagas meio a meio. As compras, cada um faz para si.
Ela fez uma pausa, deixando que as palavras se acomodassem lentamente. – Vou abrir uma conta separada para a criança, à qual você não terá acesso. A tua escolha já foi feita. As férias da tua mãe? Agora financia tu mesmo.
Maxim finalmente falou. Deu um passo em direção a ela, estendendo os braços para abraçá-la, tentando derreter o gelo com a ternura habitual.
– Ica, para com isso! Que infantilidade é essa? É só dinheiro… a gente ganha de novo. É só a minha mãe!
Ela se afastou bruscamente, como se Maxim fosse um ferro em brasa.
Os olhos dela, antes vazios, agora ardiam com um fogo gelado e cortante. – Não me toques. Nunca. – Com essas palavras, ela se sentou, abriu o próprio recipiente e começou a comer.
Devagar, metodicamente, olhando para a parede. Maxim desapareceu do mundo dela.
Dois dias se passaram em um silêncio glacial. O apartamento, que antes fora um ninho familiar acolhedor, transformou-se em território neutro.
Pela manhã, moviam-se pela cozinha como fantasmas, sem se verem. Irina pegava o próprio leite e fazia café na sua cafeteira. Maxim, fingindo que estava tudo bem, usava o leite comum e a máquina de café compartilhada.
Agora, porém, todos os alimentos estavam em prateleiras separadas, que Irina lhe destinara em silêncio, deslocando os próprios mantimentos.
Maxim tentou quebrar o gelo. Não queria enxergar o quão profundo era o abismo entre eles. Na primeira noite, comprou o bolo de chocolate com cereja que ela adorava, colocou a caixa sobre a mesa e abriu o sorriso mais encantador.
– Olha o que eu trouxe, Ica. Vamos tomar um chá, vai? Para de fazer birra!
Irina saiu do quarto, lançou um olhar rápido para a caixa e, sem dizer uma palavra, empurrou-a para o lado da mesa dele, perto da cadeira onde estava o casaco dele.
Esse gesto disse mais do que qualquer palavra. Ela não apenas recusou. Classificou o gesto como algo estranho, alheio ao mundo dela. O bolo ficou ali até a manhã seguinte, e então Maxim, com raiva, jogou-o no lixo.
Na terceira noite, ele decidiu agir de outra forma. Preparava o jantar na sua parte da cozinha quando o telefone tocou. Na tela: mãe. O coração dele bateu mais rápido. Pronto, a salvação! A voz feliz da mãe deveria quebrar o gelo.
Mas Irina ficou paralisada. Depois disso, começou a verdadeira guerra fria entre o homem e a mulher, e as regras eram claras: ou Irina, ou todo o resto.
Ao longo daquela noite, ela assumiu totalmente o controle: vestiu a mesa com um ar festivo, apenas com a própria comida, e Maxim, embora estivesse presente, não existia no mundo dela.
Durante o jantar, Maxim e sua mãe, Valentina Petrovna, se depararam com a determinação da esposa. Irina, sozinha, com uma calma impressionante, redistribuía as suas vidas.
Maxim e a mãe ficaram ali, impotentes, enquanto a mulher celebrava a própria liberdade e independência sobre as ruínas dos laços familiares.







