Os convites de casamento em tom creme, decorados com relevo dourado, estavam espalhados sobre a mesa como um leque. Brilhavam suavemente à luz do abajur, como se prometessem uma celebração.
Larisa Petrovna, porém, franziu os lábios com desprezo enquanto examinava a fotografia da noiva em um dos envelopes, como se procurasse algum defeito nela.
– Ela não é do nosso nível – repetia vez após vez, dirigindo as palavras ao marido, que folheava o jornal com indiferença. – Você está me ouvindo, Viktor? O nosso Igor poderia ter qualquer uma! É um rapaz promissor, trabalha numa boa empresa, tem apartamento, tem carro…
– O apartamento é nosso – murmurou Viktor sem levantar os olhos.
– É exatamente disso que estou falando! – Larisa Petrovna ergueu a cabeça. – Fomos nós que construímos tudo para ele! Dedicamos a vida inteira a isso! E o que recebemos em troca?
Ele aparece com uma garota do interior, alguma Nastya. Veio para a capital, obviamente à caça de um noivo rico. Eu reconheço esse tipo de gente na hora!
– Larisa, acalme-se – Viktor finalmente largou o jornal. – Igor é um homem adulto. Ele vai decidir sozinho.
– Adulto! – ela bufou. – E quer se casar com a primeira que aparece.
Na verdade, Igor conhecia Nastya havia quase um ano. Eles se encontraram numa conferência profissional.
A jovem trabalhava numa grande empresa de logística, era inteligente, instruída, decidida – e não se parecia em nada com a interesseira que Larisa Petrovna havia criado em sua imaginação.
Mas o veredito já estava dado, e a mulher não tinha a menor intenção de mudá-lo.
Quando Nastya vinha visitar, a sogra a recebia com um sorriso rígido e frio, que nunca chegava aos olhos.
– E onde seus pais moram? – perguntou com interesse fingido, embora soubesse perfeitamente a resposta.
– Na região de Kurgan – respondeu Nastya com calma.
– Ah, sim, claro – Larisa Petrovna assentiu. – Interior é interior. Lá tudo deve ser mais simples, mais barato…
– Mãe, chega – interrompeu Igor.
– Ora, não disse nada de errado – ela fez um gesto de desdém. – Só estou perguntando.
Um mês antes do casamento, Larisa Petrovna armou um verdadeiro escândalo.
– Igor! – gritava na cozinha, gesticulando no apartamento de três quartos em um bairro prestigiado. – Você sequer entende o que está fazendo?!
Essa garota chegou a Moscou com uma única mala! Os pais dela, naquela aldeia deles, com certeza não têm absolutamente nada!
– Isso não é uma aldeia, mãe, é uma capital regional – disse Igor, cansado.
– Para mim tanto faz! – berrava Larisa Petrovna. – Ela é de um meio social completamente diferente! Nós temos contatos, temos status! E eles têm o quê? Nada!
– Eu tenho amor – disse Igor em voz baixa.
– Amor! – zombou a mãe. – Um ou dois anos e ela vai trazer toda a parentela para cá, e depois vai querer morar conosco!
– Nem passa pela nossa cabeça morar com vocês – retrucou Igor.
– Ah, então é assim?! – ela levou a mão ao peito. – Já virou você contra a própria mãe!
O casamento acabou acontecendo. Larisa Petrovna chegou ao restaurante como alguém que caminha para a execução. Havia tanto sofrimento estampado em seu rosto que os convidados involuntariamente olhavam para ela.
Os pais de Nastya chegaram no dia anterior. Ivan Sergueievitch e Tatiana Nikolaevna eram pessoas simples, abertas e gentis. Ele era um homem corpulento, de aperto de mão firme e semblante bondoso; ela tinha traços delicados e um sorriso caloroso.
– É um grande prazer conhecê-la – disse Ivan Sergueievitch com cordialidade.
– Igualmente – respondeu Larisa Petrovna friamente, examinando-os de cima a baixo.
As roupas deles eram de boa qualidade, mas discretas. A bolsa de Tatiana Nikolaevna era simples. Larisa Petrovna pensou com satisfação: “Exatamente como eu imaginava”.
No banquete, ela permaneceu sentada com o rosto impassível. Assim que os parentes de Nastya se afastaram da mesa, começou a cochichar imediatamente:
– Você viu eles? A camisa daquele tio… um horror!
Quando os pais da noiva dançavam alegremente, a sogra quase sibilava de raiva.
– Parece um baile de aldeia – sussurrou com desprezo. – Nenhuma elegância.
Enquanto isso, os pais estavam felizes. Riam, choravam, alegravam-se sinceramente pela filha.
Após o casamento, os jovens foram morar com os pais de Igor. O clima era tenso. Larisa Petrovna implicava com tudo.
Uma semana depois, Igor declarou:
– Vamos nos mudar.
– Para onde?! Vocês não têm nada! – gritou a mãe.
– Temos – disse Nastya calmamente.
Os documentos foram colocados sobre a mesa. Um apartamento de um quarto em Sokolniki. Um presente.
– Mas… eles são tão simples… – sussurrou Larisa Petrovna.
– Porque são pessoas normais – respondeu Igor com dureza.
Quando tudo veio à tona, a sogra desmoronou. No dia seguinte, já estava sendo amável, querendo ajudar.
– É tarde demais – disse Nastya em voz baixa.
Os jovens se mudaram. O apartamento era claro, com vista para um parque. Os pais de Nastya enviaram uma foto de Barcelona: sol, sorrisos, liberdade.
Larisa Petrovna estava sentada em outra parte da cidade, relendo repetidamente as respostas curtas do filho. Foi então que, pela primeira vez,
entendeu que nem tudo na vida pode ser comprado com dinheiro – e que havia aprendido essa lição tarde demais.







