— Você sempre dá presentes apenas para o seu filho. Eu não vou contribuir para o seu celular — rebateu a nora.

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Na cozinha pairava o doce aroma de baunilha vindo do bolo que esfriava sobre a mesa. Nadieżda lavava a louça na pia, de vez em quando olhando para o pátio cinzento de novembro lá fora.

Anatolij estava absorvido nas notícias do tablet, comentando de vez em quando algo com uma arrogância como se sua opinião fosse a mais importante do mundo.

De repente, a campainha tocou. O homem olhou para o relógio pendurado na parede.

— É a mãe — suspirou, colocando o tablet de lado.

Nadieżda apenas acenou com a cabeça, secando as mãos na toalha. Já se preparava mentalmente para a visita de Irina Valentinovna.

Receber a sogra exigia dela quase o mesmo esforço que um exame. A porta se abriu, e Irina Valentinovna entrou no apartamento com a autoridade natural que lhe era característica.

Baixa, magra, com os cabelos grisalhos impecavelmente arrumados, começou a inspecionar cada canto com um olhar penetrante.

— De novo as cortinas estão mal penduradas — comentou, tirando o casaco e entregando-o a Nadieżda como se fosse uma copeira. — E a cortina precisa ser passada, Nadieżda. Os homens não se importam com esses detalhes, mas a mulher deve criar um ambiente acolhedor. Esse é o papel da mulher.

— Oi, mãe — Anatolij a beijou na bochecha, ignorando completamente a crítica.

— Olá, filho. Trouxe vitaminas para você, da última vez você estava tossindo. E meias de lã, feitas por uma amiga — disse, tirando da bolsa um pacote cuidadosamente embrulhado e entregando ao marido.

— Obrigado — sorriu ele.

Nadieżda observava a cena em silêncio. Para ela e para sua filha de sete anos, Katia, não havia nada na bolsa: nem vitaminas, nem meias, nem sequer um doce para a criança. Sempre foi assim. Presentes, cuidados, atenção — tudo destinado exclusivamente a Anatolij.

No início isso magoava Nadieżda, depois irritava, e agora provocava apenas um sorriso amargo. Ela há muito havia deixado de esperar da sogra ao menos uma educação básica, quanto mais carinho.

Sentaram-se para o chá. Irina Valentinovna perguntava sobre o trabalho do filho, dava conselhos, contava novidades, ignorando completamente Nadieżda, que estava sentada ao lado, quase invisível.

— Então é assim — disse de repente, em tom solene, tomando um gole de chá da xícara de porcelana. — Daqui a um mês tenho meu jubileu. Cinquenta e cinco anos. É uma data importante. Quero comemorá-la com dignidade.

— Claro, mãe — Anatolij assentiu. — Nós vamos organizar. Em um restaurante?

— Restaurante? Oh, não! — acenou com a mão. — É caro e sem gosto. Quero reunir os mais próximos em casa. Mas não é só isso. O mais importante é o presente — acrescentou, fazendo uma pausa dramática, saboreando a atenção.

— Quero um smartphone novo. O modelo mais recente. Não qualquer um, o melhor. Que a câmera seja excelente e a memória enorme. Todas as minhas amigas já têm, e eu estou ficando para trás.

Nadieżda quase engasgou com o chá. O smartphone que Irina Valentinovna queria custava metade do salário mensal deles.

— Mãe, isso é… um presente muito caro — disse Anatolij cautelosamente, tentando não ofender.

— Caro? — as sobrancelhas de Irina Valentinovna se ergueram. — Mas é o jubileu! Acontece uma vez na vida. Além disso, todos juntos vão me dar — você, Nadieżda e Katia. Em conjunto, como família!

Nadieżda não resistiu. Colocou a xícara no pires com um estrondo que ecoou pela cozinha.

— Irina Valentinovna, vocês realmente esperam que toda a nossa família compre um presente tão caro para você? — perguntou, tentando controlar a voz, embora o coração batesse forte.

— E qual o problema nisso? — espantou-se a sogra, olhando para ela como se falasse em língua estranha. — É normal. Filhos e netos dão presentes aos pais.

— Filhos… — repetiu Nadieżda baixinho, observando-a atentamente. — Sim. Mas vocês sempre dão presentes apenas ao filho. Nos dez anos em que estamos juntos, nunca deram a mim ou à neta nem uma flor de aniversário, nem um pequeno mimo. Tudo vai para Anatolij, e nós, Katia e eu, apenas observamos.

No silêncio pesado da cozinha, Anatolij olhava para a mesa, o rosto tenso. Irina Valentinovna empalideceu.

— Não entendo do que você está falando — disse friamente. — Eu dou o que considero apropriado. Anatolij é meu filho. Meu sangue. E vocês…

Não completou a frase, mas a pausa em suas palavras foi mais eloquente do que qualquer outra coisa.

— Nós somos a família dele — completou Nadieżda. — Eu sou sua esposa. Katia é sua filha e sua neta. Mas para vocês, é como se não existíssemos. E agora, quando vocês precisam de um presente caro, de repente lembram que têm uma família que deve contribuir?

— Nadieżda, não precisa — sussurrou Anatolij, temendo que a mãe tivesse uma crise.

— Não, Toluś, precisa! — voltou-se para ele com firmeza. — Não posso mais calar. Sua mãe não nos trata como família. Somos apenas um apêndice de você. E isso é humilhante para mim e para nossa filha.

Katia já pergunta: “Por que a vovó só dá presentes para o papai? Ela não me ama?” O que devo responder?

— Netas são diferentes — tentou argumentar Irina Valentinovna, mas sua confiança começou a vacilar. — Eu também a amo.

— Amor é atenção. São pequenos presentes sem motivo, interesse pela vida dela. Alguma vez vocês perguntaram o que Katia gosta? Quais são suas paixões? Não. Vocês dão meias para o filho adulto, como se ele fosse o único morador desta casa.

— Não preciso prestar contas a você sobre meus presentes! — resmungou a sogra, levantando-se. — Criei meu filho sozinha, dei tudo a ele…

— Mãe, chega! — levantou-se Anatolij de repente.

Sua voz soou firme, e ambas ficaram em silêncio, surpresas com seu tom. Raramente levantava a voz.

— Nadieżda está certa. Eu vi tudo isso, mas tentei não perceber, não criar conflito. Achei que de alguma forma se resolveria sozinho, mas não. Vocês nunca deram nada nem a Nadieżda, nem à Katia.

Isso é injusto! Somos uma família. Se querem que demos presentes juntos, o tratamento de vocês deve ser igual para todos. Caso contrário, parece que nos usam como carteira quando precisam de algo caro.

Irina Valentinovna olhou para o filho com um espanto como se tivesse sido atingida. Seus lábios tremiam.

— Então é assim que vocês me tratam? Eu, que trabalhei em dois empregos por você! Que passei noites sem dormir quando você estava doente! E agora você… junto com ela contra mim?

— Não estamos contra você, mãe — suspirou Anatolij. — Só queremos justiça.

— Tudo bem… — murmurou Irina Valentinovna. — Entendi. Vocês não me devem nada. Vou me virar sem o presente de vocês.

Ela se dirigiu lentamente ao hall, colocou o casaco sem olhar para ninguém.

— Mãe, fique, vamos conversar calmamente — tentou contê-la Anatolij.

— Não. Não tenho mais nada a fazer aqui.

Saiu, fechando a porta silenciosamente. O apartamento mergulhou novamente no silêncio, agora pesado e opressor. Nadieżda caiu na cadeira, sentindo um vazio no peito. A briga não trouxe alívio.

— Não queria brigar, Toluś — suspirou. — Mas não podia ficar calada. Tínhamos a sensação de que nos estavam usando.

— Eu sei. Você estava certa. Tudo o que disse é verdade.

Passou uma semana.

Nadieżda e Anatolij não ligaram para Irina Valentinovna, e ela também não entrou em contato. A atmosfera em casa estava tensa. Ambos sabiam que a mulher provavelmente se sentia profundamente magoada e interpretou tudo como ingratidão.

Certa noite, quando Nadieżda buscava Katia no jardim de infância, a menina perguntou:

— Mãe, brigamos com a vovó?

— Por que você acha isso?

— Porque ela não vem há muito tempo.

Nadieżda apertou sua mão. As crianças sempre percebem a mentira.

— Brigamos um pouco. Mas são assuntos de adultos.

— Na escola desenhamos — disse Katia. — Eu desenhei nossa família: você, papai, eu e a vovó. Quero dar para ela.

O coração de Nadieżda apertou, mas ela nada disse.

No sábado de manhã, a campainha tocou.

Na porta estava Irina Valentinovna. Parecia cansada, sem o penteado impecável, com um casaco simples. Em mãos, carregava duas sacolas.

— Eu… eu vim até vocês — disse baixinho, sem olhar para Nadieżda.

Anatolij, que saiu para o hall, ficou igualmente surpreso.

— Entre, mãe.

Irina Valentinovna entrou na cozinha e colocou as sacolas sobre a mesa.

— Isso… é para Katia — tirou de uma sacola uma linda caixa com um kit de desenho. — Lembrei que ela gosta de pintar. E… isso é para você, Nadieżda — da outra sacola, retirou um lenço de seda em um delicado tom pêssego.

— Sua cor, pensei. Passei em frente a uma loja, vi… e pensei que você iria gostar.

Nadieżda pegou o lenço. Era macio e leve. Não sabia o que dizer. Era o primeiro presente da sogra em dez anos.

— Obrigada — sussurrou.

— De nada — Irina Valentinovna baixou o olhar. — Pensei nas suas palavras todos esses dias. Talvez vocês tenham razão. Foi difícil para mim. Criei Toluś sozinha, fiz tudo por ele.

Quando ele se casou, parecia que eu me tornava desnecessária. E… me apeguei a ele como se fosse minha propriedade. E vocês… não levava em conta. Fiquei magoada. Mas não queria que Katia pensasse que não a amo.

Nesse momento, ao ouvir a voz, Katia correu do quarto.

— Vovó! — gritou alegremente e abraçou-a.

— Olá, meu sol. Trouxe um presente para você — Irina Valentinovna abraçou a neta.

— E eu desenhei um quadro para você! — Katia correu para o quarto.

Irina Valentinovna, ligeiramente constrangida, olhou para o filho e a nora.

— Sobre o jubileu… Esqueçam. Vou comemorá-lo discretamente, com amigas. Não precisam me dar nada.

— Não, mãe — disse Anatolij firmemente. — Comemoramos seu jubileu juntos.

No aniversário, deram a Irina Valentinovna um telefone, mais simples do que ela queria. Ela o manuseou, agradeceu e guardou na bolsa. Era visível uma leve decepção em seu rosto.

Após o jubileu, tudo voltou ao normal: Irina Valentinovna voltou a trazer presentes e mimos apenas para o filho.

— Mãe, por que você está se comportando assim de novo? — perguntou Anatolij friamente.

— Porque eu quero! — sorriu ironicamente. — Vocês me deram um presente barato… seria melhor nem dar…

Percebendo que discutir com a mãe era inútil, Anatolij deu de ombros e não tocou mais no assunto. Nadieżda, consciente de que não mudaria a sogra, decidiu também não se importar mais.

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