Na casa de Eleonóra Károlyné até a poeira tinha medo de se assentar no parquet antigo. A limpeza era absoluta em todos os cantos, e o cheiro pesado e adocicado da cera cara preenchia os espaços — sempre me dava vontade de coçar a garganta.
Hoje, porém, esse cheiro foi ofuscado pelo aroma do óleo de trufa e do codorniz assado: minha sogra comemorava seu sexagésimo aniversário.
Isso não era um aniversário. Era uma revisão de desempenho.
Eleonóra Károlyné estava diante do grande espelho da sala, ajustando seu colar. Parecia uma figura de porcelana — fria, frágil e infinitamente cara.
— Olga, não saia correndo na minha frente — disse do espelho. — Ah, e sobre sua mãe.
Fiquei paralisada, o vaso a meio caminho no ar.
— Ela chega em uma hora, Eleonóra Károlyné. O trem é pontual.
— Excelente. Espero que não traga novamente aqueles vidros de conserva? Há catering francês, e isso não vai para a mesa.
— Minha mãe trouxe um presente.
— Isso está bem. Agora preste atenção. — Virou-se, e o olhar perfurante se cravou em mim. — Pensei na disposição dos assentos. Não há lugar na mesa principal.
Lá se sentará a família Astahov — você sabe, os proprietários das clínicas particulares — e um representante com sua esposa. Para eles… seria desconfortável.
— Desconfortável por quê? — senti minhas mãos ficarem frias.
— Ora, querida, sejamos realistas. Sua mãe é uma mulher simples do interior. Sobre o que conversaria com pessoas negociando imóveis em Dubai? Sobre mudas? Sobre o preço do trigo sarraceno?
Pegou o tablet e tocou na tela com o dedo.
— Aqui é onde ela vai se sentar. Próximo à saída para o terraço. Lá estará nosso motorista, a babá dos Astahovs e o fotógrafo. Um grupo simples e amigável. Ela se sentirá confortável. Na verdade… é a mesa da equipe. Claro que receberão o mesmo que todos os outros.
— Você quer dizer que vai colocar minha mãe na mesa da equipe? — sussurrei.
Nesse momento, entrou Vadim, meu marido. Rosto ruborizado, recém-barbado, perfume caro.
— Vadik, você ouviu isso? — me virei para ele, apoiando-me nele. — Sua mãe quer sentar Antonina Petrovna na saída.
Meu marido olhou rapidamente para a mãe e depois para mim, e — como de costume — desviou os olhos.
— Olja, por que está começando? — sua voz ficou pegajosa, quase suplicante. — Mãe só quer o melhor. Sério. Sua mãe se sentiria desconfortável entre esses… tubarões. Lá ela tem paz, ar fresco, as mesmas saladas.
— Isso é humilhação, Vadim.
— Isso é subordinação! — interrompeu Eleonóra Károlyné com firmeza. — Tema encerrado. É meu aniversário, não um evento de caridade. Vá receber os convidados.
Saí para o alpendre. Estremeci. Cinco anos suportando esses golpes.
Cinco anos “me ajustando”, enquanto esquecia que venho do mesmo vilarejo que minha mãe. Vadim sempre dizia: “Suporta, minha mãe tem temperamento difícil, mas ajudou no apartamento.” E eu suportei.
Minha mãe saiu do táxi, apertando os olhos à luz do sol. Não havia nada nela que correspondesse aos meus medos.
Não havia sacola xadrez, nem postura curvada. Vestia um simples linho, cor de areia molhada, sapatos confortáveis. O cabelo estava preso, quase sem maquiagem.
Parecia alguém que não precisava provar nada a ninguém.
— Olá, minha filha! — abraçou-me apertado. Cheirava a erva selvagem e vento. — Por que você está tremendo? Está com frio?
— Mãe… há um pequeno problema — engoli em seco. — Vão separá-la.
Olhei para o chão, esperando que se irritasse, se virasse e fosse embora.
— Na mesa das crianças? — perguntou calmamente.
— Pior. Na mesa da equipe. Segundo minha sogra, você não se encaixaria na sociedade.
Minha mãe ficou em silêncio por um instante. Depois, riu baixinho e ajeitou a gola da minha roupa.
— Anota, Olja: não é o trono que faz a rainha, é a postura. Vamos cumprimentar a aniversariante. Atrasar é falta de educação.
A recepção foi gelada. Eleonóra Károlyné aceitou o presente — um antigo broche que minha mãe guardava há décadas — como uma rainha recebendo impostos de um camponês.
— Obrigada, querida. Lena vai mostrar os lugares.
Passei a noite inteira na mesa principal, ao lado de Vadim, sentindo-me traidora. Observei minha mãe.
Ela estava sentada perto da saída, onde havia sempre corrente de ar. Ao lado dela, o motorista Tólya, já “cansado” pelo conhaque, contava piadas. A babá alimentava uma criança estranha.
Minha mãe comia calmamente, com a coluna ereta. Balançava a cabeça educadamente, sorria. Uma dignidade inata emanava dela, que fazia Eleonóra Károlyné parecer apenas uma boneca enfeitada.
Os convidados bebiam, comiam, brindavam. Palavras como: “elite”, “círculos superiores”, “nível” ecoavam.
Vadim colocou caviar no meu prato e sussurrou no meu ouvido:
— Viu? Tudo bem. Sua sogra está sentada, comendo. Ninguém foi ofendido. Você se preocupou à toa.
Por volta das oito, um carro preto do governo chegou ao portão, com luzes piscando. Um murmúrio percorreu a sala:
— Gromov! É o senhor Gromov!
Dmitrij Szergejevics Gromov era uma presença monumental. Vice-governador, supervisando todos os projetos nacionais. Homem rígido, reservado.
Eleonóra Károlyné passou três meses tentando que sua secretaria o convencesse a vir — por interesse comercial.
— Dmitrij Szergejevics! Que honra! — correu para recebê-lo, radiante. — Por favor, entre!
Gromov entrou, com um enorme buquê de rosas bordô.
— Feliz aniversário. Passei apenas cinco minutos.
Acenou educadamente, varrendo a sala com o olhar cansado. Então, seus olhos se fixaram. No meio da penumbra perto da saída.
Lentamente, soltou o braço de Eleonóra Károlyné.
— Desculpe.
E atravessou a sala. Direto para a “mesa da equipe”.
— Antonina Petrovna? — sua voz tinha um tom de surpresa sincera.
— Olá, Dima. Há quanto tempo.
O rosto do homem escureceu ao perceber a situação.
— Sabe quem está sentada ali? — perguntou baixinho a Eleonóra Károlyné.
— Ela… é a mãe da Olga. Do interior. Aposentada.
— Aposentada? — com um sorriso amargo. — Ela é Antonina Szokolova. Principal agrônoma do estado. Duas medalhas estatais. Se precisar de um parecer, envia-se um helicóptero.
Silêncio. Um silêncio agudo e doloroso.
— Antonina Petrovna — inclinou-se Gromov. — No meu palácio, os cedros estão morrendo. Poderia dar uma olhada?
— Cedro italiano em solo argiloso? — balançou a cabeça. — Disse que não vai sobreviver. Vamos ver.
Levantou-se. Aproximou-se de Eleonóra Károlyné.
— Obrigada pelo jantar. O codorniz estava bom, mas o molho amargo. Ah, e as petúnias têm pulgões.
E foi embora, acompanhado de Gromov, de braço dado.
Olhei para Vadim.
— Por que não me contou?! — sussurrei. — Isso é conexão! Oportunidade!
— E isso importa? — perguntou.
Levantei-me.
— Nunca mais vou te deixar me envergonhar — disse baixinho. — Nunca.
Saí.
Na portaria, o limusine esperava. Minha mãe assentiu.
— Fez bem — disse. — A árvore podre deve ser cortada a tempo.
O carro partiu. E eu, depois de cinco anos, respirei livremente pela primeira vez.







