A porta bateu com tanta força que Polina estremeceu, e a toalha escapou de suas mãos. No corredor, irrompeu Margarita Semenovna — a sogra, uma mulher barulhenta, dominadora e convicta de que o mundo girava em torno de sua opinião. Ao surgir no batente, parecia que o universo inteiro se curvava diante dela.
— Onde ele está? — rugiu, fazendo as paredes tremerem. — Onde está o seu amante?
Polina permaneceu no meio do corredor, de roupão, com os cabelos molhados após o banho, e seu rosto permaneceu inexpressivo, como se de repente um OVNI tivesse aparecido diante dela.
— Quem? — gaguejou, confusa. — Margarita Semenovna, do que está falando?
— Não tente se esconder, eu sei de tudo! — avançou a sogra com decisão, como se tivesse um mandato de revista, examinando cada canto do apartamento. — Tem alguém na sua casa! Enquanto meu filho está em viagem de negócios!
Polina fechou os olhos e respirou fundo. Já pressentia que os próximos dias testariam sua paciência até o limite. Eduard havia partido há apenas três dias, mas Margarita Semenovna já transformava suspeitas, investigações e insinuações em um verdadeiro espetáculo.
Mas aquele dia seria diferente. A sogra parou à porta da cozinha, ergueu o queixo dramaticamente e exclamou:
— Aha! Achei! Eu vejo!
Polina suspirou, girando os olhos lentamente. Sabia que a tempestade estava prestes a começar, e de fato: a tempestade chegara.
Fazia apenas uma semana desde que os três se sentaram à mesa da cozinha: Polina, Eduard e Margarita Semenovna. Naquela ocasião, o clima ainda parecia quase pacífico.
— Edik, meu filho — começou a sogra, enquanto tomava um gole de chá — você é ingênuo demais. Olhe para Daria. A garota é perfeita. Vem de uma boa família. Vocês cresceram juntos, lembra?
Polina estremeceu levemente e apertou as mãos quase sem perceber. Eduard suspirou.
— Mãe, eu sou casado.
— E daí? Ninguém disse que você deve trair. Separe-se e case-se com Daria. Qual é a dificuldade?
Polina colocou a xícara sobre a mesa, com delicadeza.
— Margarita Semenovna, a senhora fala sério agora?
— Completamente sério. Você é uma boa moça, Polina, mas… perfeita demais, ideal demais. Isso é suspeito.
Eduard enterrou o rosto nas mãos.
— Mãe, por favor. Isso é absurdo. Eu amo a Polina, e pronto.
Mas a sogra já havia engatado no seu plano:
— Eu conheço as mulheres. Sinto, com meu instinto, que algo está sendo escondido. E vou descobrir a verdade.
Polina permaneceu em silêncio. Há muito aprendera que quanto mais reagia, maior era o caos.
Não demorou para que ficasse claro: a sogra realmente tramava algo. Quando Eduard viajou, Polina limpou o apartamento até fazê-lo brilhar — não porque esperasse alguém, mas porque sabia que Margarita, nos primeiros dias, certamente apareceria.
E de fato, apareceu.
A sogra entrou, passando a mão pela borda do tapete como uma professora severa.
— Aha. Perfeitamente limpo. Então, quem estamos esperando?
Polina sorriu levemente.
— Ninguém. Como sempre.
— Hm-hm. Mulheres não limpam tão diligentemente sem motivo. Principalmente quando o marido está ausente.
— Eu simplesmente gosto de ordem.
— Ou você está esperando alguém.
— Meu Deus, quem? — Polina sorriu, cansada. — Não vi ninguém, além do Eduard.
Mas a sogra era cega à lógica. Pouco depois, começou a segunda “inspeção”. Alguns dias depois, trouxe uma visita… Daria — a “candidata perfeita”, que teimosamente tentava inserir na vida do filho.
Daria entrou, sorrindo timidamente.
— Olá… Polina?
— Prazer em conhecê-la — respondeu Polina, controlando a vontade de expulsá-las.
A sogra brilhou:
— Daria foi sua melhor amiga na infância, inteligente, linda, ótima dona de casa! E aqui está Polina. Bem… a esposa temporária do meu filho.
Polina respirou fundo. Mas então aconteceu algo que a sogra não esperava: nenhuma rivalidade surgiu entre as duas mulheres. Enquanto tomavam chá, Daria falou com um sorriso sincero:
— Sua casa é muito acolhedora. E o bolo é maravilhoso, de verdade.
Polina retribuiu o sorriso.
— Obrigada. Você fotografa com frequência? Vi a câmera.
— Ah, sim! Sou fotógrafa.
— Eu também estudava isso na universidade.
Rapidamente, encontraram uma sintonia. Risadas, viagens, câmeras, luzes… A sogra permaneceu com a expressão azeda:
— Não acredito que ela seja tão perfeita…
E ainda esperava para “desmascarar” a verdadeira Polina. No dia seguinte, a vizinha da sogra, apaixonada por drama, a chamou.
— Rita, senta.
— Sim. O que aconteceu?
— Vi um homem entrando na casa da Polina. Parecia ter uns quarenta anos. Foram juntos. Vi com meus próprios olhos.
— O quê?!
— Não fui só eu, todos os vizinhos viram.
A sogra se acendeu como fósforo:
— Hoje Eduard volta… Polina vai se surpreender.
— Prepare-se, Ritinha. Algo vai acontecer…
Margarita não ouvia mais ninguém. Cinco minutos depois, estava em um táxi, pressionando o motorista:
— Mais rápido, por favor! É muito importante.
Havia apenas uma coisa em sua mente: pegar o “traiçoeiro” em flagrante e abrir os olhos de seu filho.
— Vou mostrar! — murmurou para si mesma. — Até quando terei que tolerar essa máscara angelical?
A sogra entrou no apartamento como uma tempestade.
— Onde está?! — gritou, fazendo as paredes tremerem. — Apareça, seu traidor!
Polina permaneceu calma, quase demais.
— Margarita Semenovna, por favor, pare. A senhora se enganou.
— Enganei-me? — riu a sogra. — Veremos!
Ela abriu a porta da cozinha e viu um homem, por volta dos trinta e cinco anos.
Ele levantou a cabeça da xícara de chá:
— Eh… olá.
— Ah, é você! — gritou a sogra. — Enquanto meu filho está em viagem, você com a esposa dele…
— Margarita Semenovna! — Polina ergueu a voz pela primeira vez. — Não é o que parece!
— Claro! Ele… eletricista? Vem da infância?
— Bem… quase. Respire fundo e… Mas a sogra não escutava. Então, como se o destino interviesse, a campainha tocou.
Eduard. Mal atravessou o batente quando a mãe se lançou sobre ele:
— Filho! Eu vi tudo! Ela te traiu!
Eduard franziu a testa.
— Mãe, do que está falando? Entrou na cozinha e viu o homem. De repente, sorriu amplamente:
— Stas! Quando chegou? Há quanto tempo! A sogra ficou paralisada.
— Stas? Vocês… se conhecem?
— Claro! Primo da Polina. Não pôde vir ao casamento, lembra? Margarita ficou boquiaberta, sem palavras. Daria saiu do quarto.
— Apresentamo-nos — disse alegremente. — Stas me mostrou fotos do Peru. Fotografia incrível!
A sogra olhou para Polina, lentamente entendendo a situação:
— Então… você convidou Daria?
Polina assentiu.
— Gostei da companhia dela. Queria apresentá-la ao meu irmão. Quem sabe se dão bem.
Stas sorriu timidamente para Daria. Um brilho dançava em seus olhos. Margarita abaixou as mãos. Seu plano havia falhado. Polina se aproximou:
— Margarita Semenovna, quer uma xícara de chá?
— Não… melhor… melhor ir.
Ela saiu quase correndo, batendo a porta atrás de si. O ar fresco bateu em seu rosto ao sair da escadaria. O coração batia forte, como após uma maratona. Sentiu vergonha. Muita. Mas admitir seu erro não fazia parte de sua natureza.
E então viu a vizinha que “tinha visto o homem”. Margarita estreitou os olhos:
— Larisa! Venha aqui!
A vizinha aproximou-se, arrependida.
— Larisa — disse a sogra, firme mas baixa — da próxima vez que espalhar um boato, verifique os fatos. Você me enganou.
— Eu… só pensei…
— Exatamente — cortou Margarita — você pensou. Mas é preciso saber.
Larisa quase empalideceu. Margarita virou-se e partiu. Ainda estava irritada — mas não mais com Polina. Dentro dela, porém, um pensamento persistia:
“Será que Polina pode realmente ser tão… perfeita? Perfeita demais? Não existe. Vou achar algum defeito. Em algum lugar deve haver!” Mas, ao ver seu plano desmoronar em um instante, teve que admitir: Polina era muito mais sábia do que imaginava.
E talvez… realmente combinasse com seu filho. Ainda que admitir isso em voz alta não estivesse em seus planos.







