— Les, que tal pegarmos mais alguns camarões? Grandes, reais — Dina colocou no carrinho um pacote de peixe vermelho e se virou para o marido.
Leszek estava parado ao lado da geladeira de frutos do mar, fixo no telefone. O rosto tenso, as sobrancelhas franzidas, como se lesse algo que não lhe dava paz.
— Les, você me ouve?
— Ouço — resmungou, sem levantar os olhos da tela. — Só não sei se esses camarões são realmente necessários.
Dina deu uma risadinha e se aproximou.
— “Não necessários”? É Ano Novo! Uma vez por ano podemos nos permitir algo especial.
Leszek finalmente guardou o telefone no bolso. Olhou para o carrinho, depois para Dina. Silenciou por alguns segundos, como se pesasse cada palavra.
— Vamos fazer assim, de forma justa — disse por fim. — Você paga suas compras de Ano Novo, eu pago as minhas.
Dina ficou paralisada. Algo clicou dentro dela, uma linha fina que se rompeu, mas ela ainda não entendia completamente o que ouvira.
— Você está falando sério?
— Absolutamente — Leszek pegou o carrinho de suas mãos e começou a andar em direção ao caixa. — Estou passando por um momento financeiro difícil agora.
Ela o alcançou perto da prateleira de espumantes.
— Espera. Que “momento”? Planejamos esse jantar juntos.
— Planejamos — admitiu, parando. — Mas eu contei tudo errado. Desculpa.
Leszek ficou em silêncio alguns segundos. Dina o observava, esperando.
— Mãe, chame o técnico você mesma — disse finalmente. — Eu te passo o número de um bom, mas você paga.
Silêncio. Depois, a voz irritada e elevada na linha:
— O quê?! Como pode dizer isso?! Eu sou sua mãe!
— E eu sou seu filho — respondeu Leszek com calma. — Tenho minha própria vida. Minhas próprias despesas. Não posso pagar tudo sempre.
— Como ousa?! Depois de tudo que fiz por você!
— Mãe, você está economizando para a viagem à Turquia — falou num tom firme e sereno, embora Dina percebesse a tensão em sua mandíbula. — Você tem dinheiro. Só está acostumada a eu pagar por tudo. Mas isso acabou.
Na linha ouviu-se um grito, e logo a ligação foi interrompida. Leszek olhou para o telefone e depois para Dina.
— Começou.
— Vai aguentar? — perguntou ela baixinho, pousando a mão em seu ombro.
— Vou tentar — respondeu ele. — Por nós.
Em casa, prepararam o almoço juntos. Cortaram saladas, fritaram a carne, enquanto a música tocava ao fundo. Leszek tentou cantar, desafinando, e Dina ria sem parar.
— É assim que eu entendo o Ano Novo — disse ela, sentando-se à mesa. — Alegre, juntos, sem dramas.
Leszek ergueu a taça:
— Por nós. Para que sempre estejamos juntos. De verdade.
— Por nós — respondeu Dina, batendo a taça na dele.
Comeram, conversaram, traçaram planos para o futuro. O telefone de Leszek vibrava várias vezes — mensagens e chamadas da mãe. Ele não atendia, não respondia.
— Ela não vai desistir — murmurou Dina. — Vai ligar, escrever, pressionar.
— Eu sei — assentiu Leszek. — Mas é minha escolha. Eu escolho você.
À noite, sentaram-se no sofá, envoltos em um cobertor, assistindo a um filme. Dina se aconchegou a ele, e ele a abraçou.
— Você acha que vamos conseguir? — perguntou baixinho.
— Conseguiremos — respondeu Leszek. — O importante é estarmos juntos.
Dina sorriu e fechou os olhos, ouvindo o riso do filme e o tique-taque calmo do relógio. Lá fora, a neve caía, enquanto no apartamento reinava o calor e a sensação de segurança. Era o lugar deles. O momento deles.
— Sabe o que o vizinho Igor Semionovitch me disse ontem? — Leszek perguntou de repente.
— O quê?
— É preciso ajudar quem está perto todos os dias.
— Pessoa sábia — concordou Dina, com um leve sorriso.
— Muito sábia — Leszek assentiu. — Pena que não percebi isso antes.
— O importante é que percebeu agora.
Ficaram em silêncio, olhando para a tela da TV. O telefone de Leszek vibrava de novo — outra mensagem da mãe. Dessa vez, ele nem olhou. Silenciou o toque e colocou o aparelho sobre a mesa.
— No próximo ano, o Ano Novo será só nosso — disse baixinho. — Com a despensa cheia e tranquilidade. Sem drama, sem contas constantes.
— Combinado — sorriu Dina, beijando-o na bochecha.
A neve caía cada vez mais forte. No apartamento havia calor e luz. Eles estavam juntos. De verdade juntos. E isso era o mais importante.
Ele colocou o carrinho no chão, pegou o telefone e mostrou a tela para ela. Saldo: **3.800 zlotys**.
— Até o pagamento ainda faltam dez dias — disse baixinho. — Não posso gastar sete mil agora nas compras.
Dina olhou para os números como se fossem um erro. Pela manhã havia mais de dez mil na conta. Lembrava-se bem — ele mesmo mencionara no café da manhã.
— E para onde foi o dinheiro?
Leszek guardou o telefone.
— A mãe me pediu ajuda com as compras. Fui lá de manhã e levei tudo.
— Por quanto?
— Como assim “por quanto”?
— Quanto você gastou para ela? — sentiu algo apertar seu peito.
— Mais ou menos sete mil — desviou o olhar, fingindo interesse pelos vinhos. — Ela está sozinha, aposentadoria pequena, não tinha como preparar uma boa ceia.
Dina ficou em silêncio. Um nó subiu à garganta, impossível de engolir.
— Então você gastou sete mil para a mãe e para nós — nada?
— Dina, não dramatize — ele se virou para ela. — Não estou dizendo que não vamos comprar nada. Só vamos ser racionais. Você também recebeu salário na semana passada.
— Ou seja, eu vou pagar pelas festas dos dois?
— Cada um paga o seu — respondeu, tranquilo, como se falasse de um café. — É justo.
Dina olhou para o carrinho. O peixe vermelho que sonhara. Os queijos. Tudo o que deveria ser **nosso** feriado.
— Tudo bem — abaixou-se e começou a tirar os produtos. — Então eu não levo nada.
— Dina, não seja infantil!
— Não sou infantil — colocou o peixe de volta. — Se vamos ser justos, que seja até o fim. Não vou celebrar sozinha enquanto você me observa comer.
Leszek segurou sua mão.
— O que você está fazendo?!
— Exatamente o mesmo que você — respondeu ela. — Estou economizando.
Se virou e começou a caminhar para a saída. Ele só a alcançou no estacionamento, perto do carro.
— Dina, espera! Vamos conversar normalmente!
— Em casa — abriu a porta e sentou-se no banco do passageiro.
No caminho, silêncio. Leszek tentou falar algumas vezes, mas Dina olhava pela janela. Fingia observar os prédios passando, mas via apenas um número: **sete mil**. Para a mãe. Para eles — nada.
Em casa, foi direto para a cozinha e pegou o telefone. Ligou para a irmã.
— Lena, o que você vai fazer amanhã? — perguntou quando a irmã atendeu.
— Amanhã? Trinta e um, esqueceu? — riu Lena. — Ia ficar em casa, assistir a algum filme. E você?
— Posso ir aí?
— Claro, só… — hesitou. — Aconteceu algo?
— Conto depois. Só diga que posso ir.
— Claro! Queria ir a um restaurante novo na Pushkin, menu especial de Ano Novo. Vem comigo?
— Vou — Dina olhou para a sala de onde vinha o som da TV. — Vou sim.
Desligou o telefone. Leszek estava na cozinha, mãos nos bolsos.
— Com quem falava?
— Com a Lena.
— E então?
— Amanhã passo lá. Vamos passar o Ano Novo juntas.
— Como assim? — deu um passo em sua direção. — Quer dizer que vai sair?
— Exatamente.
— E eu?
Dina tomou um gole de suco e olhou nos olhos dele.
— Você já fez sua escolha.
— Então vá para a sua mãe — disse ela friamente. — Se você levou tanto alimento para ela, provavelmente te convidou.
Leszek ficou em silêncio, desviando o olhar.
— Ela te convidou, né? — repetiu Dina, devagar.
— Não exatamente… — murmurou ele.
— Como assim “não exatamente”?
— Não disse diretamente para eu ir.
Dina apoiou a xícara na mesa. Com cuidado, como se algo pudesse quebrar — talvez o vidro, talvez ela mesma.
— Espera — disse baixinho. — Você levou sete mil em compras para a mãe e ela nem te convidou?
— Mãe não tem obrigação de me convidar! — Leszek levantou a voz. — Tenho minha própria família. Devíamos passar o Ano Novo juntos!
— Devíamos? — sorriu Dina de modo torto. — Interessante. Quando era para pagar a comida, não havia “devíamos”. Cada um por si. Lembra?
— Dina, não é a mesma coisa!
— Não, Les — encarou-o nos olhos. — É exatamente a mesma coisa.
Saiu da cozinha, deixando-o sozinho. Leszek ficou parado, olhando o espaço vazio onde segundos atrás estava Dina. Depois pegou o telefone.
Saldo: **3.800 zlotys**. Até o próximo pagamento: **10 dias**. Esposa: prestes a passar o Ano Novo com a irmã. Ele abriu o app de mensagens. Última notificação da mãe, de uma hora atrás: “Obrigada, querido! Você é o melhor. E Dina está insatisfeita de novo?”
“Insatisfeita de novo.” A mãe sempre dizia assim. Insatisfeita. Exigente. Caprichosa. Não sabia valorizar. Normalmente, Leszek apenas assentia. Para quê discutir? A mãe sempre sabia melhor.
Mas agora as palavras doeram. Dina insatisfeita. E ele? Estava satisfeito? Com a despensa vazia, com a conta quase no zero, e a ideia de receber o Ano Novo sozinho?
Na manhã de 31 de dezembro, o silêncio era estranho. Dina acordou cedo, arrumou sua bolsa. Leszek ainda dormia quando ela fechou a porta do quarto.
Na cozinha deixou um bilhete: “Fui para a Lena. Telefone comigo.” Colocou sobre a mesa e saiu.
No metrô, havia multidão. Pessoas com sacolas, presentes, indo para suas casas, para a família, para mesas cheias de comida. Dina sentia que nadava contra a corrente. O mundo corria para um lado, e ela — para o outro.
Lena a recebeu com braços abertos.
— Irmãzinha! Finalmente! Vem, já estava preocupada!
O apartamento dela era pequeno, mas acolhedor. Velas, uma guirlanda na parede, tangerinas na janela. Calor. Tranquilidade. Sem tensão.
— Hoje comemoramos como rainhas — disse Lena, sentando-se no sofá. — Vamos pedir tudo que for melhor!
Dina sorriu, embora sentisse um aperto no coração. A sala vibrava: música, risadas, tilintar de taças. Bonito, alegre, festivo. Mas sua mente voltava a Leszek. Estaria ele sozinho? O que fazia? Pensaria nela?
Às seis da tarde, Dina pegou o telefone. Depois da mensagem sobre a omelete — silêncio.
— Vai mandar mensagem? — Lena notou seu olhar.
— Acho que sim.
— Não “acho”, manda. Não são inimigos.
Dina digitou rapidamente: “Feliz Ano Novo”. Enviou. Leszek leu na hora, não respondeu. Os dois tiques azuis permaneceram imóveis.
— Ele leu e não respondeu — mostrou a tela para Lena.
— Está bravo — resmungou Lena. — Homens. Primeiro fazem bagunça, depois se fazem de crianças.
À meia-noite brindaram, sorriram, beberam champanhe. Dina ria, mas um fio de tensão permanecia. Imaginava Leszek sozinho, sem ela, sem a mãe que sequer o convidara.
À uma da manhã saíram do restaurante. Neve fina caía, o ar era cortante e fresco. Lena chamou o táxi.
— Talvez vá para casa? — sugeriu. — Vejo que está pensando nele.
— Não, vou para você — disse Dina, balançando a cabeça. — Combinamos assim.
Mas ao chegar no apartamento de Lena, pediu ao motorista que parasse.
— Sabe… acho melhor ir para casa.
— Sério? — Lena segurou sua mão. — Não precisa. Ele deveria pedir desculpas primeiro.
— Eu sei. Mas quero voltar.
— Certo. Só lembra — disse Lena — não dê a ele a sensação de culpa. A culpa é dele.
Dina assentiu, abraçou a irmã e entregou o endereço ao motorista. No caminho, pensava no que diria a Leszek. O que ele diria a ela. Se iriam falar ou permanecer em silêncio. No corredor, encontrou Igor Semionovitch, vizinho, levando o lixo.
— Feliz Ano Novo, Dina! Saúde, felicidades!
— Obrigada, Igor Semionovitch! — respondeu ela, sorrindo.
— Sozinha? E o marido?
— Em casa — respondeu sucintamente.
— Ah… Ouvi hoje ele falando com a mãe. Ela não o convidou?
Dina ficou surpresa.
— Ouviu?
— Bem, as paredes são finas. Não fiquei escutando de propósito. Mas ele parecia abatido.
— Sim, não convidou — admitiu Dina, olhando para o chão.
Igor ficou em silêncio, depois disse baixinho:
— Sabe, minha esposa há cinco anos dizia que eu amava mais minha mãe do que ela. E eu pensava — só estou ajudando. Mãe está sozinha. Mas depois entendi — ajudar é para quem está ao seu lado todos os dias. Quem compartilha a casa, a vida. Se não, você se esforça para todos, e quem está mais próximo fica sem nada.
Dina ouviu, e algo apertou seu peito.
— Obrigada, Igor Semionovitch — sussurrou.
— De nada. Vá para seu marido. Conversem. O silêncio não muda nada.
Dina assentiu, se despediu e entrou em casa silenciosamente. A luz estava acesa, a TV ligada, mas sem som. Leszek estava no sofá, olhando pela janela. Na mesa, restos de omelete e xícara vazia. Parecia perdido, sozinho, infeliz.
Dina sentou ao lado dele. Ficaram em silêncio alguns minutos. Finalmente, Leszek falou, sem virar a cabeça:
— Pensei que a mãe me convidaria. Depois de tudo que fiz por ela.
— E então? — perguntou Dina baixinho.
— Ela disse que tenho minha própria família. Pra quê ir? Nem preparou lugar para mim.
Dina ficou quieta, esperando que ele terminasse.
— Fiquei aqui sozinho — continuou — comendo omelete, olhando o relógio. Pensei que você ligaria, diria algo. Mas você ficou em silêncio.
— Você também ficou — lembrou Dina.
— Porque não sabia o que dizer — ele se virou, olhos vermelhos e cansados. — Pensei que a mãe tinha razão. Que você era exigente. Mas descobri que só quer relações normais. Que não se esqueçam de você por causa da mãe.
— Não me incomoda que ajude a mãe — disse Dina suavemente. — Só quero que perceba quando manipulam. Quando pedem não por necessidade, mas por hábito, porque sempre você cede.
Leszek assentiu:
— Entendi. Agora vou prestar mais atenção.
Depois de um momento, levantou-se, preparou café e omelete novamente.
— Agora é só nós — disse, colocando a mão na dela. — Só nós.
Dina sorriu. Pela primeira vez em muito tempo, sentiu que o Ano Novo poderia realmente ser um novo começo para os dois.







