— Eu não os convidei e não quero vê-los! Se eles vierem, você vai passar o Ano-Novo sem mim! — a esposa deu um ultimato ao marido.

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

— Sua mãe ligou — sussurrou Lena, a voz quase se perdendo no silêncio do quarto. — Ela desejou uma boa viagem e disse que estava feliz com nossa decisão. E… e que Svetka, Igor e as crianças também vão para nossa casa de campo. Amanhã à noite.

Anton congelou. A bolsa caiu de suas mãos com um baque surdo no chão.

— Lena, eu…

— Você está falando sério? — sua voz tremia, mas num instante recuperou o controle. — Anton, combinamos! Você prometeu que não contaria a ninguém!

— Não contei a ninguém! — levantou a mão em defesa. — Lena, juro que só disse à minha mãe que não estaríamos na cidade durante as festas…

— Claro, e ela descobriu tudo imediatamente — disse Lena com um sorriso amargo. — E logo ligou para a sua querida irmãzinha. Já consigo imaginar: “Adivinha, Leninha e Anton ganharam uma casa de campo, vão passar o Ano Novo lá. Sozinhos! Que egoísmo, não é?”

— Lena, mãe não disse assim…

— Não disse assim? — virou-se para ele, e Anton viu as lágrimas em seus olhos. — Então por que sua irmã já arrumou as malas e está vindo com toda a família? Até as crianças!

Anton sentou-se na beira da cama, sentindo tudo pelo que trabalharam nos últimos meses desmoronar em um instante. Seis meses. Seis meses que passaram trabalhando nessa casa de campo como obsessivos.

Quando a tia Nina faleceu na primavera, a mãe de Lena ligou tarde da noite para dar a notícia: Nina deixou a casa de campo nos arredores de Moscou para sua filha. Um terreno pequeno, uma casa antiga, sauna, estufa. Lena ouviu soluçando — ela amava Nina, embora se encontrassem raramente.

— Talvez… — começou, enxugando as lágrimas. — Talvez valha a pena tentar? Arrumar tudo? Nunca tivemos realmente um lugar só nosso, para fugir de tudo…

Anton concordou imediatamente. O apartamento na cidade, o barulho constante, os vizinhos reformando por três anos consecutivos — tudo os exauria. E agora havia um lar próprio, silêncio, floresta, ar fresco.

— Só não conte a ninguém — pediu Lena. — Ainda não. Até arrumarmos tudo. Porque você sabe como é: todo mundo quer dar conselho, todo mundo acha que sabe o que é melhor. E sua família…

Ela não terminou, mas Anton entendeu. Sua família. Sua mãe, que sentia obrigação de controlar cada passo seu. Svetka, a irmã, sempre manipulando tudo a seu favor. Igor, o marido dela, sempre um palhaço despreocupado, achando que o mundo lhe devia tudo apenas por existir.

— Está bem — disse Anton. — Não contaremos a ninguém.

E assim fizeram. Todo fim de semana, desde maio, trabalharam na casa de campo. Primeiro organizaram o jardim selvagem — nos últimos anos Nina não conseguiu cuidar do terreno, tudo estava desordenado, fora de controle. Depois, renovaram a casa.

Anton pintava as paredes, trocava a fiação, consertava o telhado. Lena esfregava os pisos, aplicava papéis de parede, escolhia móveis em brechós e na internet. Cada centavo e minuto livre era investido no trabalho. Durante o verão, todos os fins de semana estavam lá; não foram para praias como os amigos. Só trabalhavam.

— Olha como vai ficar lindo! — exclamou Lena em agosto, radiante. — Anton, imagine, vamos passar o Ano Novo aqui! Montaremos a árvore, acenderemos a lareira…

— Nem temos lareira — sorriu Anton.

— Então vamos construir! — riu, abraçando-o. — Vai dar certo!

Construíram a lareira. Anton encontrou um especialista para instalar um fogão a lenha de verdade na sala. Caro, mas quando o fogo acendeu em outubro, Lena sentou-se no chão diante das chamas dançantes e chorou de felicidade.

— Este é o nosso lugar — sussurrou. — Nosso. O primeiro que realmente é nosso.

Em dezembro, a casa estava pronta. Quente, acolhedora, com janelas novas, sauna renovada, lenha em abundância. Lena comprou cortinas de linho, mantas macias, velas em candelabros por toda parte. Trouxe uma mesa antiga de madeira do brechó e restaurou-a com Anton.

— Não descansamos nem um minuto aqui — comentou Anton numa visita. — Só trabalhamos.

— Mas no Ano Novo — encostou-se a ele, — estaremos aqui só nós dois. Neve, silêncio, lareira. À meia-noite, champanhe na varanda. Como nos filmes.

Ela sonhava em voz alta tantas vezes que Anton decorou cada palavra. Como receberiam os primeiros raios do Ano Novo embrulhados em mantas. Como fariam o café na cozinha nova. Como caminharão na floresta, onde a neve chega à cintura. Como se aninharão diante da lareira com livros e vinho.

— Precisamos muito desse descanso — disse. — Trabalhamos o ano todo. Você em dois empregos, eu com esses projetos. Quando foi a última vez que estivemos a sós? De verdade, sem correr de um compromisso para outro?

E agora, tudo isso, apenas dois dias antes da partida.

— Eu não os convidei e não quero vê-los! — gritou Lena, a voz falhando. — Se vierem, você vai passar o Ano Novo sem mim!

— Lena, não… não assim…

— Não assim? — limpou as lágrimas da mão, mas nos olhos havia raiva e dor. — Anton, sonhei com isso por seis meses! Trabalhamos feito loucos para terminar tudo para as festas. Queria passar esses dias com você. Com você! Não com sua família, que vai invadir tudo, fazer bagunça e ir embora deixando a limpeza para nós!

— Svetka não é assim… — tentou Anton se defender.

— É sim! — bateu a mão na mesa. — Você se esqueceu do ano passado, quando veio “só por alguns dias” e ficou duas semanas? Igor bebendo uísque e reclamando que você trabalha demais e se esquece da família?

Como as crianças quebraram sua caneca de aniversário e Svetka nem pediu desculpas, só disse: “Crianças são assim”?

Anton ficou em silêncio. Tudo era verdade. Svetka, dois anos mais velha, sempre agiu como se tivesse direitos sobre todos. Na infância, tirava-lhe os melhores brinquedos e recebia mais atenção dos pais.

Na vida adulta, nada mudou — apenas usava Anton como ajudante gratuito, fonte de dinheiro e refúgio confortável quando conveniente.

— Ela é minha irmã — disse Anton, com voz baixa e insegura.

— E daí? Isso dá direito a tudo? — olhou para ele com tanta dor que Anton sentiu o estômago apertar. — Anton, não estou pedindo o impossível. Só três dias com você. Três dias a sós na nossa casa, que construímos juntos. É demais?

— Não, claro que não…

— Então ligue agora. Agora! Diga a ela que não foram convidados, que não venham!

— Lena, você entende o escândalo que seria… — tentou Anton.

— Que seja! — cruzou os braços. — Sabe de uma coisa, Anton? Estou cansada. Cansada de sempre ser a última prioridade. Primeiro o trabalho, depois sua mãe, depois Svetka com seus problemas, e se tivermos sorte, no final… eu. Sua esposa.

— Não é assim! — protestou Anton.

— É sim! — caminhou até a janela, olhando para os jardins cobertos de neve. — Lembra quando nos casamos, você prometeu que eu seria a primeira? Que enfrentaríamos tudo como uma equipe?

E na realidade? Sua mãe sempre “precisava com urgência”, Svetka sempre tinha uma crise, e você corria para eles, deixando tudo para trás. Eu ficava esperando. Sempre esperando.

Anton se aproximou para abraçá-la, mas Lena se afastou.

— Não — sussurrou. — Apenas responda sinceramente: como quer passar o Ano Novo? Comigo ou com eles?

Ficou em silêncio, sabendo que não podia decidir. As imagens passavam diante de seus olhos: mãe ligando todo dia, indignada se ele não podia visitá-la; Svetka fazendo birra se ele dissesse não; Igor com comentários irônicos sobre “o coitado submisso”.

Então, outras imagens: Lena pintando paredes, sorrindo diante da lareira, sonhando com aquele Ano Novo mágico que mereciam.

— Com você — respirou finalmente Anton. — Claro, com você.

— Então prove — virou-se para ele, os olhos cheios de esperança e medo. Anton engoliu em seco. — Ligue para Svetka. Agora. Diga a verdade: vocês não podem vir.

— Lena…

— É um ultimato, Anton — ficou ereta, e ele viu novamente a força que a fez se apaixonar por ela. — Ou você liga e diz a verdade, ou eu fico na cidade e você passa o Ano Novo sozinho. Ou com eles, como quiser. Mas sem mim, não.

— Você não pode… — tentou protestar Anton.

— Posso — disse Lena, pegando a bolsa e caminhando para a porta. — Talvez eu devesse ter feito isso antes. Te dou cinco minutos para decidir. Se fizer a escolha certa, fico. Se não… vou embora. E então veremos.

A porta bateu, e Anton ficou sozinho no quarto, com o telefone e as malas nas mãos.

Cinco minutos. Só cinco minutos.

No apartamento, andava de um lado para o outro, como um animal enjaulado. Imaginou ligar para Svetka. Como ela gritaria sobre egoísmo, esquecimento da família, mãe decepcionada.

Imaginou a mãe chorando ao telefone, chamando-o de ingrato. E então, as imagens do Ano Novo se formaram: Svetka, Igor, crianças correndo, televisão alta, discussões intermináveis. E Lena… Lena não estava lá. Lena, que sonhou com esse momento por seis meses.

Anton ergueu o telefone, as mãos tremendo ao discar.

— Toska! — explodiu a voz alegre de Svetka. — Quase saímos! Mas a Mashka não acha os esquis, mas sem problema, compramos no caminho…

— Svetka, espera! — fechou os olhos Anton. — Precisamos conversar.

— Sobre o quê? Se for sobre comida, não se preocupe, cuidamos de tudo…

— Vocês não podem vir.

Silêncio. Longo, pesado.

— O quê? — finalmente perguntou Svetka, a voz cortante.

— Desculpe, não foram convidados. Lena quer passar o Ano Novo só nós dois. Estivemos cansados o ano todo, precisamos…

— Está brincando? — interrompeu ela, agora com raiva clara. — Falando sério, um dia antes da viagem?

— Não sabia o que sua mãe te disse…

— Não sabia! — riu amargamente. — Claro que não! Você nunca sabe nada quando é inconveniente! Sabe de uma coisa, Anton? Dane-se sua casa de campo! Mas você… você é um egoísta de verdade!

— Svetka…

— Cala a boca! — gritou agora. — Você acha que não entendo? Toda essa invenção da sua Leninha, sempre nos menosprezando! E você, patético, aceita tudo!

— Não fale assim da minha esposa!

— Falo o que quero! — gritou Svetka. — Somos família, entende? Família! E ela é uma estranha! E se você a escolher, saiba: sua mãe vai saber. E ficará muito decepcionada. Muito.

— Que saiba — sentiu Anton algo se aliviar no peito. — Sou casado com Lena. Ela é minha família. E vocês…

— Nós?

— Podiam entender que o mundo não gira só ao redor de vocês. Eu também tenho direito à minha vida privada. Minha própria casa. Meus limites.

— Limites! — bufou Svetka. — Ela te ensinou isso? Essas bobagens psicológicas? Limites, espaço privado… E os valores familiares? Laços de sangue?

— Valores familiares não significam que um sempre dá e os outros só tomam — respondeu Anton, surpreso com sua própria firmeza. — Svetka, amo você. É minha irmã. Mas com Lena, vamos passar o Ano Novo. Desculpe.

Ela respirou com dificuldade, ofegante, a respiração interrompida.

— Sabe de uma coisa, Antósha? — finalmente disse. — Vão se danar com a sua casa de campo. Nós também temos para onde ir sem vocês. E não espere que tudo volte a ser como antes. Você cruzou a linha.

— Se cruzar a linha significa ter minha vida privada, então fico feliz por cruzar — respondeu, e desligou.

O telefone escorregou de suas mãos. Anton sentou-se no sofá, sentindo um misto de medo e alívio. Fez isso. Pela primeira vez, disse não à irmã. Colocou Lena em primeiro lugar, ignorando a opinião da mãe e da irmã.

Cinco minutos depois, recebeu mensagem da mãe: “Svetka contou tudo. Estou muito decepcionada. Não esperava tanta frieza do meu filho.”

Não respondeu. Colocou o telefone de lado e foi até a janela. A neve caía, grandes flocos silenciosos sobre a cidade. A casa deles, a quarenta quilômetros de distância, os esperava quente e acolhedora.

A porta se abriu. Anton se virou e viu Lena. Olhos vermelhos, lábios mordendo levemente.

— Ouvi — sussurrou. — Ouvi você gritar.

— Liguei — disse ele, simples. — Disse que vocês não podiam vir.

Lena deu alguns passos, parou, e então avançou para abraçá-lo, tremendo.

— Desculpe — sussurrou junto ao peito dele. — Desculpe por te colocar nessa escolha. Sei como é difícil enfrentar a família…

— Você é minha família — acariciou Anton seus cabelos. — A mais importante. E isso eu devia ter mostrado muito antes.

Ficaram assim, abraçados, enquanto a neve continuava a cair. O telefone apitou com novas mensagens — provavelmente Svetka furiosa, a mãe enviando longos textos acusadores. Mas Anton nem olhou.

— Vamos passar o Ano Novo só nós dois? — perguntou Lena, erguendo o rosto molhado de lágrimas.

— Sim — beijou sua testa. — Você, eu, a lareira e a neve. Como você sonhou.

— Isso vai causar escândalo por anos, sabe?

— Que seja — sorriu Anton. — Mas finalmente, depois de seis meses, podemos descansar. Só nós dois. Na nossa casa.

Lena sorriu, abraçando-o ainda mais forte.

Dois dias depois, na varanda da casa de campo, embrulhados em mantas, observaram o céu estrelado. Cinco minutos para a meia-noite. A lareira crepitava, taças de champanhe na mesa posta, frango assando no forno. O cheiro da árvore recém-decorada se misturava com tangerina e velas acesas.

— Está feliz? — perguntou Anton, abraçando a esposa.

— Inexplicavelmente — encostou-se a ele. — Sabe, se você não tivesse ligado para Svetka… se eles tivessem vindo…

— Não vieram. E não virão. Este é o nosso lugar. Nosso.

Ao longe, os sinos da meia-noite tocaram sobre a cidade. Lena olhou para ele, e Anton viu no rosto dela a felicidade refletida pela luz das janelas.

— Feliz Ano Novo, meu amor.

— Feliz Ano Novo, meu sol.

Brindaram, bebendo o champanhe no ar frio e estrelado, e depois entraram na casa quente e acolhedora, onde o crepitar da lareira substituía tudo o mais. Só eles dois.

E assim foi o Ano Novo mais bonito de suas vidas.

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