Por que Ina começou a tricotar sapatinhos ninguém sabe

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Inna mal conseguia explicar por que havia começado a tricotar meias. Talvez fosse um sentimento guardado no fundo da alma, uma pequena centelha de saudade que ela mesma não sabia nomear.

Suas mãos simplesmente faziam aquilo que o coração não tinha coragem de dizer. Muitas vezes, balançava a cabeça consigo mesma e murmurava: “Por que estou fazendo isso…? Nem eu sei.”

A filha dela já tinha quarenta anos. Viúva fazia dois, sem filhos, e embora tivesse se casado novamente no ano anterior, o marido — mais jovem — preferia uma vida leve, sem compromissos. Não buscava grandes responsabilidades.

Isso machucava Inna, mesmo que ela jamais admitisse. Seu filho morava havia muito tempo na América e nem cogitava voltar. Os netos, pelos quais ela tanto ansiara, já eram adultos e aparentemente não pretendiam ter crianças.

Parecia que a vida fechava portas devagar, em silêncio, bem diante dela.

Talvez tudo tivesse começado quando viu aquele novelo de lã tão bonito. Era lã letã, macia, acolhedora, com tons delicados de bege e marrom entrelaçados como sombras suaves.

Ao tocá-la, sentiu uma ternura, como se acariciasse a bochecha de um bebê. Comprou um novelo, sem planos, pensando que um dia poderia usá-lo. Não imaginava como aquilo mudaria seu cotidiano.

Decidiu levar também agulhas finas de tricô, uma agulha de crochê, caso tivesse vontade de criar alguma peça pequena. Talvez um colete, talvez um cachecol… Mas quando percebeu, suas mãos já haviam moldado um par de meias minúsculas com aquela lã.

Observou-as, virou-as entre os dedos, como tentando entender quando tomara essa decisão. Nem ela sabia. Simplesmente aconteceu. E ainda havia lã suficiente, então, ao anoitecer, fez também um gorrinho.

No dia seguinte — um macacão com alcinhas e um pequeno colete. Abriu a velha caixa de botões e escolheu alguns bem pequeninos — com joaninhas — que pareciam dar vida a qualquer roupa infantil.

Depois encheu uma bacia no banheiro com água morna e um pouco de amaciante. Lavou as peças com o maior cuidado, como se já pertencessem a alguém. Suspirou fundo:

— Assim deixarei este mundo… sem jamais ter segurado um neto nos braços…

Estendeu as roupinhas sobre uma toalha grande na mesa. A luz do sol tocava a lã bege, tornando-a ainda mais suave.

— Em algum lugar do mundo deve existir uma criança que precise disso… — sussurrou.

Sentou-se diante do laptop e procurou abrigos para crianças em sua cidade. Leu com calma, repetidamente. Por fim, vestiu-se e saiu. Comprou outro novelo — dessa vez azul.

E voltou a tricotar. Fez um conjunto para um menino. Depois outro. Dez pares de meias, dez gorros, cada um de uma cor diferente.

Quando levou tudo ao abrigo, a funcionária a recebeu com voz cansada:

— Sem autorização oficial, infelizmente não podemos aceitar nada — disse. — Se quiser ajudar de verdade, traga fraldas. Sempre estamos precisando.

Os olhos de Inna se encheram de lágrimas. Envergonhou-se da tremedeira de sua voz.

— Está bem… eu entendo…

A funcionária soltou um suspiro profundo e então suavizou o tom.

— Venha comigo. Vamos dar um jeito. Já vestimos algumas crianças com as peças que você trouxe.

Inna entrou. O cheiro suave dos bebês a envolveu quando pegou um deles no colo. Beijou a bochecha macia, acariciou-lhe as costas.

— Pobrezinhos… precisam tanto de um pouco de carinho de mãe…

Colocou meias e gorros nos pequenos, vestiu também os maiores. Eles se aninhavam nela como se sempre a tivessem conhecido. Quando voltou para casa, o silêncio parecia pesado.

Tarde da noite, o marido chegou.

— Como foi seu dia?

Inna não sabia o que responder. Não havia cozinhado, a geladeira estava quase vazia. Apenas disse:

— Levei as meias ao centro… Mas disseram que precisam mais de fraldas.

— Você fez o certo — respondeu ele, calmo. — Hoje cozinhamos batatas, e amanhã compramos fraldas.

Inna pegou uma panela e começou a lavar as batatas. Entre o som da água, sua voz mal podia ser ouvida:

— Eles nunca vão nos dar uma criança. Eu tenho sessenta e um anos… e você, sessenta e dois…

— Talvez não nos deem, mas ao menos não nos viraram as costas. Podemos ajudar. Ir lá, fazer o que for possível. Continue tricotando — meias, gorros… sempre precisam.

Inna abaixou a cabeça.

— Há um par lá — um menino e uma menina. Gêmeos. Branquíssimos, de cabelos claros. Quase dois anos. Acho que as roupinhas servem neles. Um pouco grandes, mas vão crescer. As meias parecem pequenos tênis esportivos neles.

— Vamos juntos — disse o marido. — Eu converso. Vão nos deixar entrar.

E deixaram. Inna e o marido tornaram-se voluntários por quatro meses. Ela tricotava meias cada vez maiores, e as crianças cresciam rápido.

Os gêmeos já a chamavam de “mamãe” quando, certo dia, ao chegarem — encontraram só um silêncio frio. As crianças tinham ido embora.

— Foram levados… adotados — explicou uma funcionária. — Apareciam sempre juntos nas fotos, com as roupas que você fez.

A papelada demorou meses, mas hoje de manhã os adotantes vieram buscá-los. Tínhamos medo de que quisessem apenas um… mas levaram os dois.

Inna sentiu as lágrimas escorrerem sem que pudesse impedi-las.

— Por que chora, meu amor? — perguntou o marido. — É algo bom.

Pouco depois, o telefone tocou. Era a filha deles.

— Mamãe, papai, podem vir aqui? Preciso de ajuda…

— O que aconteceu? — perguntou Inna. — Outro vazamento? Vocês inundaram os vizinhos?

— Não… precisamos montar a cama. Venham. Não batam, vocês têm a chave.

Entraram no velho Volga e foram. A casa da filha brilhava de limpeza, e um cheiro gostoso de comida vinha da cozinha. Tiraram os casacos, calçaram as pantufas.

— Lavem as mãos e venham para a sala! — gritou a filha. — Já estou indo!

Sentaram-se no sofá, as notícias murmuravam baixinho ao fundo. O marido cutucou de leve o braço de Inna. Ela ergueu o olhar — e o ar pareceu prender-se em seu peito.

Na porta estava o genro, Dima. Segurando duas crianças. Os mesmos. Os gêmeos.

Com as mesmas roupinhas. Com as mesmas meias–sapatinhos tricotadas. O menino mordiscava um pedaço de maçã, a menina tentava esfregar as bochechas sujas na mão dele.

Dima sorriu.

— Não sabíamos como contar… Vocês viraram avós. Não queríamos falar antes para não atrapalhar o processo de adoção. Mas agora é oficial. E aqui está Jana — está preparando um creme para os pequenos.

Jana entrou apressada, ofegante, com as bochechas vermelhas.

— Mamãe, papai… Conheçam: Tânia e Volódia. Encontrei-os no site “Crianças esperam”. São iguais a mim e ao meu irmão quando éramos pequenos.

E eles estavam usando as mesmas meias que você tricotou para mim quando eu tinha dois anos. Lembra? Mostrei a foto para o Dima, e ele disse: “Essas duas crianças serão nossas.”

Dima colocou as crianças no chão. Os gêmeos correram direto para Inna, com os bracinhos abertos.

— Mamãe! Mamãe! — gritaram.

Inna abaixou-se, abraçou os dois, apertando-os como se temesse perdê-los.

— Não sou mamãe… não sou… eu sou a sua avó… a vovó…

As lágrimas desciam sem parar, e ela repetia baixinho:

— Vovó… vovó…

O marido riu, feliz, emocionado:

— E chorando outra vez? Vamos, comprar mais lã…

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